Sessão Colunas
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
18.12.08
Cartas - Segunda quinzena de Dezembro
Cartas - Primeira quinzena de Dezembro
Friends
05.12.2008
Ouro, prata, bronze
Biografia de uma ultrapassagem
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
17.12.08 - Ricardo Divila
Ingo, grande Ingo
Grande respeito!
01.12.08 - Ernesto Rodrigues
Lastro ou nitro?
Bate neles, Rubinho!
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 10.03.08
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
Archie Scott-Brown 10.03.08


O escocês Archie Scott-Brown
A carta do leitor Luís Howell sobre o Connaught me fez lembrar de uma das mais fantásticas histórias de pilotos que passaram na Fórmula 1.

Vocês já ouviram falar de Archie Scott-Brown? Bem, à luz fria dos números do guia Marlboro, Archie fez apenas uma corrida, o GP da Inglaterra de 1956. Ponto final.

Mas há uma história muito mais interessante por trás. Este escocês nascido em 1927 fez em 56 sua primeira temporada pela equipe Connaught. Foram seis corridas de F-1, cinco delas extra-oficiais em circuitos ingleses. Embora estas provas não contassem com "la crème de la creme" dos pilotos da época, os feitos de Archie não são menos impressionantes:

- 1ª corrida (Goodwood) - larga em segundo entre Stirling Moss e Mike Hawthorn. - 2ª corrida (Aintree) - Pole position, 2.2 segundos à frente de Hawthorn e 2.8 à frente de Moss.

O que o tornava um piloto extremamente veloz, apesar da inexperiência, era uma técnica insuperável em fazer todas as curvas que encontrava pela frente em derrapagens controladas. Mas também ostentava um azar digno de um Chris Amon: das seis corridas, abandonou cinco por problemas mecânicos ainda nas voltas iniciais, o que torna improvável uma possível culpa por forçar o equipamento. Na única prova em que terminou foi o segundo colocado, atrás de Moss.

O gráfico ilustra o estilo pouco ortodoxo do piloto na pista de Goodwood - Clique para ampliar
Sua carreira na F-1 foi encerrada após uma maquiavélica manobra política antes do GP da Itália. Na época, as equipes vinham ao circuito uma semana antes da corrida para intermináveis testes extra-oficias. Nestes, mesmo sem conhecer o circuito e com um carro que definitivamente não era o melhor, Archie Scott-Brown tinha o melhor tempo, à frente até mesmo da Ferrari de Fangio. Mas, antes do primeiro treino classificatório, sua inscrição foi cancelada pela organização da prova porque o piloto não passou no exame médico.

O motivo? Archie tinha uma severa má formação corporal! Sua mãe adquirira uma doença durante a gravidez e o escocês nasceu com o braço direito mal formado (após o cotovelo vinha já uma palma da mão definhada), o pé direito tinha uma rotação de 90% em relação ao solo e o pé esquerdo estava quase de trás para frente. Apenas o braço esquerdo era normal.

Numa época em que o preconceito contra os deficientes era ainda maior do que hoje, Archie superou tudo isto para se tornar um bom piloto de corridas. Ele morreu em 1958 durante uma corrida de carros esporte em Spa-Francorchamps. Fazendo o que gostava...

Abraços!

Luis Fernando Ramos, São Paulo






A carta acima foi publicada aqui no GP Total há exatos seis anos. Mal imaginava eu na época, mas era também o início de uma parceria que dura até hoje e que me enche de orgulho. Mais do que o prazer de fazer parte de uma turma de colunistas de altíssimo nível – e de leitores mais ainda – acho que a maior conquista neste período foi a amizade incondicional do trio que é a origem e o cerne do nosso querido “Gepeto”: Eduardo Correa, Luiz Alberto Pandini e Alessandra Alves.

Há um tempão atrás, quando o Edu me escreveu um e-mail me convidando a passar da sessão dos leitores para me tornar um colunista fixo, não demorei mais de meio segundo para aceitar. Eu já era um grande fã dele após ter lido seu livro “Pela Glória e Pela Pátria” e fiquei admirado na aposta que ele fez em um jornalista que mal conhecia. É até possível que ele tenha ficado satisfeito uma vez que, passados tantos verões, ainda não fui gentilmente convidado a sair da casa.

Chegando no escritório para mais um dia de trabalho
Não tenho dúvidas que meu trabalho no GP Total me abriu algumas portas importantes e é com satisfação e alegria que vejo tanto esforço recompensado. Neste momento, malas prontas, tudo acertado, estou de partida para a Austrália para iniciar uma jornada completa nesta temporada 2008 da Fórmula 1 que se anuncia. Desde 1995, já cobri algumas dezenas de GPs ao vivo, mas esta é a primeira temporada completa que farei, atuando como repórter no local pela Rádio Bandeirantes (e Band News FM) e pelo Diário Lance – além de outras mídias.

Claro, continuarei a comparecer aqui no GP Total para prosseguir com o nosso debate sobre momentos fantásticos da história do automobilismo e como eles se relacionam com o quadro atual. De momento, fica o agradecimento de coração ao trio Edu, Panda e Ale por terem me acolhido dentro da sensacional família que é este site. E ao Archie Scott-Brown, pelo grande piloto que foi e pelo exemplo dado de que as dificuldades que a vida nos impõe não devem nunca nos fazer parar na busca de nossos objetivos.

Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
 Leia mais colunas de LuisFernando | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação