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| » » » 29.02.08 |
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Deu até pena de ver o desempenho da Honda nos testes de pré-temporada. É uma equipe renomada, farta em recursos, tradição e com pilotos experientes. Mas que conseguiu com o RA108 construir uma cadeira elétrica – pelo segundo ano seguido, por sinal. O time alugou a pista de Jerez de la Frontera para a semana que vem para testar um novo pacote aerodinâmico, numa última tentativa de reverter um quadro pra lá de desanimador.
Segundo Jenson Button, o problema do carro é de dirigibilidade. Fazendo um paralelo com o futebol, seria mais ou menos o mesmo que Ronaldinho Gaúcho chegasse na véspera da Copa do Mundo e dissesse que a Seleção, que só vinha tomando de goleada nos amistosos, tivesse um problema no esquema tático. Não basta mudar um lateral-direito, colocar um volante a mais ou um terceiro atacante. Tem de mudar tudo: a coisa simplesmente não está andando.
Se a tendência demonstrada nos testes se confirmar nas corridas, o carro da Honda deve andar acima de um segundo mais lento que o de seus concorrentes mais próximos. Seria um vexame para entrar para a história!
E a história está repleta de carros que foram um vexame. Cada um tem o seu favorito. Eu preparei aqui uma lista dos cinco modelos que considero os maiores fiascos em quase seis décadas de Fórmula 1. Confira!
Bugatti T251 – uma das grandes marcas do automobilismo pré-Fórmula 1 já não era mais a mesma nos anos 50, depois da morte de seu fundador, Ettore Bugatti. A companhia era gerida pelo filho Roland, que não mediu esforços para recolocar o nome da família no mundo das corridas, comissionando ninguém menos que Gioacchino Colombo (o projetista das Alfa Romeo 158 e 159, e da Ferrari F375) para desenhar o T251. O italiano veio com um projeto revolucionário, que incluía uma carroceria larga e um motor transversal. O carro estreou no GP da França de 1956, no veloz circuito de Reims, mas foi um fracasso retumbante. O piloto Maurice Trintignant classificou-se apenas na penúltima fila e abandonou com problemas de motor na 18ª volta. Roland Bugatti vendeu o carro a um museu assim que saiu do circuito e a Bugatti nunca mais retornaria à F-1.
BRM P83 – quem já jogou o simulador Grand Prix Legends sabe muito bem: o BRM P83 é um horror! O primeiro motor de 3 litros da marca inglesa, com 16 (!) cilindros, era pesado demais e influenciou negativamente no desempenho do carro, além de ter uma tração limitadíssima. Para piorar, o carro quebrava praticamente em todas as corridas. Jackie Stewart ficou em segundo lugar no GP da Bélgica de 1967, numa corrida de sobreviventes, mas ficou sem ver a quadriculada nas outras seis vezes que largou com o carro. Não foi por acaso que o escocês optou por deixar a equipe no final daquele ano.
Life L190 – No final dos anos 80 e início dos 90, equipes de Fórmula 1 jorravam aos borbotões, especialmente na Itália. Eram tantas que havia até uma pré-qualificação, para peneirar as equipes mais lentas. Uma delas foi a Life, batizada de acordo com o sobrenome de seu proprietário, Ernesto Vita. A equipe corria não só com chassi, mas também com motor próprio, um 12 cilindros em W batizado de Life F35. O conjunto era tão ruim que os tempos obtidos no treino pré-classificatório oscilavam entre 15 e 20 segundos mais lentos (!) que os do melhor colocado na sessão, geralmente uma Osella ou uma AGS. Nem o experiente Bruno Giacomelli conseguiu melhorar o carro. Após 14 corridas, a equipe sumiu do mapa. Quem pode contar mais detalhes sobre o L190 é o nosso colega Ricardo Divila. Consta que, quando ele viu o desenho do projeto final, ficou hororrizado com os perigos que o carro representava e insistia pessoalmente para que os pilotos contratados se recusassem a pilotá-lo.
Lola T97/30 – A Lola esteve envolvida na Fórmula nos anos 80 e 90 em parceria com outras equipes como Beatrice, Larousse e Scuderia Italia, atuando como fornecedora de chassis. Mas problemas de relacionamento levaram os executivos da empresa à conclusão que o melhor seria entrar na categoria com uma operação própria, o que aconteceria em 1997. Com o apoio da Mastercard, Eric Broadley desenhou o T97/30, carro que foi apresentado em Melbourne com muita pompa. Na pista, porém, o desempenho foi desesperador: lento em retas e curvas, quase sem nenhuma pressão aerodinâmica, o Lola girava, em média, 10 segundos acima dos carros mais rápidos e não se classificou para a corrida. A equipe chegou a ir para o Brasil para disputar a segunda etapa, mas a Mastercard retirou seu patrocínio e encerrou o projeto.
McLaren MP4-19 – Sim, Adrian Newey também tem uma mancha negra em seu currículo. Quando surgiu o MP4-19, com seu “nariz de tamanduá”, muita gente achou que a McLaren conseguiria encerrar o domínio da Ferrari. Mas o bólido nasceu todo errado: não era tão veloz quanto previam os resultados do túnel de vento (porém nem tão lento para jogar a McLaren para a parte de trás do pelotão intermediário) e ainda por cima quebrava com facilidade. No meio do ano, Newey introduziu o MP4-19B que, no fundo, era um carro completamente novo e conseguiu levar Kimi Räikkönen à vitória do GP da Bélgica de 2004.
Estes acima são apenas alguns exemplos e certamente você lembra de outros, como o Lotus 80, a Ferrari 312T5 ou a Andrea Moda S192. Escreva para a gente contando outros bólidos que deram vexame!
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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