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Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 04.12.07
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2007 Awards 04.12.07


Já que estamos em clima de fim de ano – e como a novela Fernando Alonso continua empacada, pelo menos até esta segunda-feira à noite que é quando redijo esta coluna –, nada melhor do que relembrar, na forma de prêmios, momentos especiais vividos em 2007. Para mim, momentos que, de alguma forma, envolvam coberturas jornalísticas efetuadas nesta temporada.

CARRO DO ANO: Peugeot 908 HDi FAP Não há concorrência capaz de bater o deslumbre e o desbunde (existe mesmo essa palavra?) de ver o protótipo francês em ação na pista de Interlagos, na prova Mil Milhas Brasil. Lindo, veloz e, quase não dá para acreditar, absolutamente silencioso. Em certo momento da prova, me postei ali na parte interna do S do Senna e pude observar como os pilotos tinham o carro completamente na mão naquele trecho que exige como poucos um chassi completamente equilibrado. E o mais espantoso: só se ouvia o barulho dos pneus cantando naquele instante do encontro que mistura os limites da aderência e da derrapagem. De encher os olhos, ouvidos e todos os outros sentidos!

COBERTURA DO ANO: Grande Prêmio da Itália Era o final da tarde de domingo e a imprensa espanhola – além de nós, brasileiros – estava reunida dentro do imponente motorhome da equipe McLaren esperando para entrevistar Fernando Alonso. Também presentes, puxa-sacos, familiares, patrocinadores e dois carabinieri – que, perguntamos, estavam ali apenas atrás de um autógrafo dos pilotos da equipe. Eis que Ron Dennis sai de uma sala interna, avista os dois oficiais e, sem ser visto, faz uma ginástica enorme esquivando-se entre convidados e pilastras por vários metros, até encontrar a porta de saída.

A cena insólita ilustra bem o clima que regeu o paddock de Monza durante quatro dias no início do mês de setembro. Informações de fontes suspeitas e insuspeitas davam conta do surgimento de cada vez mais provas do envolvimento de altos membros da equipe McLaren no escândalo de espionagem. Dennis agiu como um animal acuado o tempo todo – e impôs a lei da mordaça em seus pilotos. Para os jornalistas trabalhando por lá, um pesadelo para fazer matérias embasadas em fatos. Mas uma delícia para observar a Fórmula 1 sendo tomada por um enorme furacão e buscar de qualquer jeito uma saída – o que ocorreria quatro dias depois da corrida italiana, em uma sala da FIA em Paris.

PILOTAGEM DO ANO: Michael Schumacher no Desafio das Estrelas Não acredite no discurso de que era apenas uma brincadeira de fim de ano entre amigos. Assim que a viseira fecha, as amizades se encerram e todos saem dispostos a qualquer tipo de expediente para buscar o primeiro lugar. No Desafio Internacional das Estrelas, o evento de kart realizado em Florianópolis, o desejo de vencer dos participantes ficou ainda maior assim que confirmada a presença do piloto sete vezes campeão do mundo. Assim, foi ainda mais impressionante ver a naturalidade, quase uma obviedade, com que o alemão foi marcando os melhores tempos nos treinos livres e vencendo a primeira das duas baterias disputadas – na segunda, caminhava impávido para outra vitória quando se enroscou com um retardatário, foi alcançado pelo pelotão que vinha logo a seguir e se ocupou nas brigas por posições secundárias.

O legal do Desafio das Estrelas é que seu formato busca colocar todos os pilotos em condições de igualdade. Com um programa recheado de bons nomes, especialmente em um kart, foi de encher os olhos ver a dedicação de Schumacher no trabalho extra-pista, o que se traduziu numa relativa facilidade com que ele deixou todos os outros convidados para trás na bateria principal. E, como o cronômetro não mente, ele registrou suas duas melhores voltas da prova justamente nas duas últimas passagens, quando sua distância para o segundo colocado era mais do que segura. “A gente enferruja com o tempo. Menos o Michael, que fica um ano parado, vem aqui e dá pau em todo o mundo”, constatou Luciano Burti. “É algo natural, tenho sorte de que alguém lá em cima me presenteou com essa capacidade”, analisou o próprio Schumacher, apontando para o céu.

Sorte. É isso!

FIASCO DO ANO: Ron Dennis e o comando (ou a falta dele) na McLaren Pobre Ron. O ano de 2007 não deve ter sido dos mais fáceis para ele. Viu o nome de sua empresa ser enlameado por funcionários que vestiam seu emblema e todo seu império praticamente desabar depois do veredicto da FIA que tirou todos os pontos que a equipe havia conquistado até o GP da Itália.

Para completar, ele ainda conseguiu perder o título do Mundial de Pilotos simplesmente por não conseguir refrear as animosidades de seus pilotos – mais com o patrão do que entre eles mesmos. Sempre que me lembrar de 2007, vou me lembrar de sua coletiva de imprensa no paddock club da McLaren, na tarde de sábado em Interlagos. “Não quero falar nada antes da hora, mas este título mostra a capacidade desta equipe fantástica em realizar um grande trabalho apesar de tudo que nos rodeou e atingiu neste ano”.

Título? Que título?





Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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