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Os 'domingueiros' de sexta-feira 14.11.07


Um dos pontos altos de 2007, senão o mais importante deles, foi a explosão de uma nova geração de pilotos que parece ter vindo para dominar o futuro próximo da Fórmula 1. Tivemos Lewis Hamilton, recém-egresso da GP2, disputando o título até a última prova – e perdendo de maneira incrível. Também um Nico Rosberg que, confesso, me empolgou demais neste ano redirecionando a combalida Williams no caminho do sucesso e fazendo um duelo de arrepiar com a dupla da BMW Sauber em Interlagos. Sem esquecer a extraordinária história de Sebastian Vettel: mais jovem pontuador da história no Canadá, protagonista de um estranho acidente (seguido de um comovente choro juvenil) no Japão e autor de uma excepcional corrida na China, levando a Toro Rosso a um quarto lugar.

Sutil
Mas não paramos por aí: Adrian Sutil destroçou todos os companheiros que teve na Spyker; Robert Kubica se esquivou do beijo na morte para fazer uma prova empolgante na sua participação seguinte; Markus Winkelhock saiu do último lugar para a liderança na primeira volta de sua (até aqui) curtíssima carreira na Fórmula 1; e mesmo o discreto Anthony Davidson, se não brilhou nas corridas, bateu o companheiro Takuma Sato em 12 dos 17 treinos classificatórios realizados, um sinal claro de quem era o piloto mais rápido entre os dois.

Uma leva tão grande e significativa de bons pilotos desperta o interesse de saber as suas origens. Diante do fenômeno Lewis Hamilton, nos acostumamos a elogiar a ótima escola em que se transformou a GP2 – uma opinião reforçada na performance de Nico Rosberg, outro que foi campeão na categoria. De forma conveniente, simplesmente nos esquecemos que um fracasso latente como Scott Speed também veio da mesma fonte.

Acredito que a GP2 é sim uma ótima escola, mas não a melhor. Era óbvio que Rosberg e Hamilton, talentos excepcionais desde o berço, se destacariam onde quer que fosse. Mas a melhor escola formadora de talentos da Fórmula 1 foi a que fechou no final de 2006: a dos “test-drivers” dos treinos livres de sexta-feira. Claro, endinheirados como Sakon Yamamoto ou Zsolt Baumgartner também testaram em sextas-feiras antes de chegar à F-1. Mas a amostragem de nomes que deram certo é bem maior que a da GP2.

Davidson
Vocês lembram: apenas as quatro primeiras colocadas no Mundial de Construtores do ano anterior não tinham o direito de colocar um piloto de testes para trabalhar às sextas-feiras. Assim, equipes médias e pequenas tinham um carro a mais para testar à vontade – sem se preocuparem com nuances ridículas do regulamento, como poupar de motores e pneus.

A idéia era boa e, além de promover novos talentos, trazia um efeito colateral interessante, a redistribuição mais rápida de forças. Em 2004, a BAR Honda aproveitou a chance, fez um ótimo trabalho com Anthony Davidson e ficou com o vice-campeonato na temporada. No ano seguinte, o cenário se repetiu com a McLaren, que ressurgiu com o trabalho de Alexander Wurz e Pedro de la Rosa para perder, por pouco, os títulos de Pilotos e de Construtores.

Vettel
Neste ano, os pilotos de sexta-feira já não existiam mais. O assombro de ver um Sebastian Vettel marcar o melhor tempo do dia em sua primeira aparição não vai mais existir. O aprendizado valioso que, além de Vettel, tiveram Kubica, Sutil e Winkelhock, não está mais disponível. Para um jovem piloto, a chance de testar por uma equipe em um fim-de-semana corrida, aprendendo todo o modus operandi e lidando com a pressão inerente à ocasião, era uma chance de ouro.

Agora, infelizmente, a Fórmula 1 vai depender quase que exclusivamente da peneira da GP2. Uma renovação tão relevante como a que tivemos neste ano deve demorar a se repetir. Porque os “domingueiros” de sexta-feira não existem mais. De todas as mudanças de regra implementadas em 2007, o fim deles foi, sem dúvida, a mais infeliz.





Só por curiosidade, veja abaixo o que fizeram neste ano os pilotos que testaram às sextas-feiras em 2006:

ANTHONY DAVIDSON (18 corridas pela Honda): piloto titular da Super Aguri.

ALEXANDER WURZ (18 corridas pela Williams): piloto titular da Williams.

NEEL JANI (18 corridas pela Toro Rosso): correu na Fórmula Mundial (equipe PKV), com um segundo lugar como melhor resultado.

ROBERT DOORNBOS (15 corridas pela Red Bull): correu na Fórmula Mundial (equipe Minardi USA), vencendo em Montreal.

ROBERT KUBICA (12 corridas pela BMW Sauber): piloto titular da BMW Sauber.

GIORGIO MONDINI (9 corridas pela Midland): correu na FIA-GT, de Aston Martin.

SEBASTIAN VETTEL (5 corridas pela BMW Sauber): substituiu Kubica em Indianápolis na BMW Sauber; assumiu o posto de titular da Toro Rosso no lugar de Scott Speed.

FRANCK MONTAGNY (5 corridas pela Super Aguri): piloto de testes da Toyota.

MARKUS WINKELHOCK (4 corridas pela Midland): disputou o GP da Europa como titular da Spyker e chegou a liderar a prova; correu boa parte da temporada da DTM com um Audi.

ADRIAN SUTIL (3 corridas pela Midland): piloto titular da Spyker.

SAKON YAMAMOTO (3 corridas pela Super Aguri): começou o ano na GP2, depois assumiu o posto de titular da Spyker.

MICHAEL AMMERMÜLLER (3 corridas pela Red Bull): começou o ano na GP2, pela equipe ART, mas foi dispensado no meio da temporada.

ERNESTO VISO (1 corrida pela Midland): correu algumas corridas na GP2, sofreu um acidente pavoroso em Magny-Cours.

ALEXANDRE PREMAT (1 corrida pela Midland): correu na DTM, de Audi.

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