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Kimi está vivo. E Massa? 16.09.07
Após o massacre sofrido em Monza, a Ferrari deu o troco na Bélgica. A possível ameaça da McLaren desenhada pelo tempo obtido por Fernando Alonso no treino classificatório não se confirmou: bastou a largada ser dada para a equipe italiana promover um passeio em Spa-Francorchamps. A vitória ficou com o piloto mais consistente do fim-de-semana. Kimi Räikkönen dominou a prova, abriu uma distância segura para Felipe Massa no início e só a controlou até o fim.

A vitória diminuiu sua distância para o líder do campeonato Lewis Hamilton para 13 pontos. Felipe Massa está com 20 a menos que o inglês. Restando três etapas para o final, a pergunta que fica no ar diz respeito à conduta da Ferrari daqui até Interlagos. Será que Ferrari vai trabalhar exclusivamente para que Räikkönen sempre maximizasse seus pontos, em detrimento às chances do brasileiro?

Eu apostaria que sim. Stefano Domenicalli, após a corrida: "O desempenho de hoje foi a resposta da equipe e dos pilotos a tudo o que aconteceu na última semana. Já somos os campeões entre os Construtores? Bem, ainda depende de uma possível apelação, mas não importa: vamos continuar ainda lutando pelo Mundial de Pilotos, é nisso que estamos concentrados". Ao que parece, a Ferrari declarou estar satisfeita com o veredicto da FIA sobre o caso de espionagem. Mas o discurso dentro da equipe é outro: tirar o Mundial de Pilotos das mãos da Ferrari virou questão de honra. E quem tem ainda um mínimo de chance de obter isso é o finlandês. Massa, a matemática mostra, depende de um milagre para ser campeão.

Mesmo assim, a McLaren está tranqüila. Se seus pilotos não sofrerem nenhuma quebra até o fim do ano, a conquista de Hamilton ou Alonso é certa. Se bem, que, na corrida de hoje, eles promoveram um duelo duríssimo nas primeiras curvas. O inglês ameaçou tomar a terceira colocação do espanhol na saída da curva "La Source" e tomou um sonoro "chega pra lá".

O líder do campeonato chiou. "Foi de propósito. Nos últimos anos, acompanhei a F-1 e Alonso sempre reclamou de quem jogava sujo. Hoje, para um piloto jovem como eu, ele deu um péssimo exemplo", provocou. Ron Dennis, apesar da cara de espanto que fez no momento da manobra, flagrado pelas câmeras de tevê, preferiu colocar panos quentes. "Eles estão lutando pelo título, é natural isto. Já vi coisas muito piores".

No fundo, o ponto nevrálgico nesta disputa está no clima dentro da equipe. Alonso já queimou as pontes que o ligam à McLaren. Ao mesmo tempo, está andando melhor que Hamilton desde a metade do ano. Por isso, sua revolta ao ver a insubordinação do novato no treino do GP da Hungria, um episódio cujas conseqüências, como ficou claro nesta semana, foram devastadoras. Que ninguém se espante depois se o título acabar decidido por uma colisão entre os dois.

As equipes da Fórmula 1 testam esta semana em Jerez de la Frontera. A McLaren, adivinhem, não convocou Fernando Alonso, isto é oficial. Mas também não decidiu ainda se Hamilton irá andar ou se o trabalho ficará a cargo apenas de Pedro de la Rosa, o amigo de Mike Coughlan. Diante do caos que ela criou nesta temporada, qualquer manobra sua gerará mil interpretações. Depois, vem Ron Dennis criticar o que se escreve na imprensa. Tenha santa paciência.

Tirando as duas provas caóticas deste ano, no Canadá e na Alemanha, o GP da Bélgica foi o melhor da temporada até agora. Mais por falta de concorrência do que qualquer outra coisa. Pelo menos nas primeiras voltas, vimos boas disputas por posição e - oh, milagre - ultrapassagens na pista. Depois, a burocracia voltou a imperar no belíssimo circuito belga. Já que toda essa polêmica do "Stepneygate" só serviu mesmo para se costurar um acordo que deixou os poderosos do jogo (com exceção, talvez de Max Mosley), a F-1 faria muito melhor se olhasse com urgência para uma solução que volte a tornar possível um carro seguir outro de perto - e, pelo menos, tentar ultrapassá-lo. Mas vai ficar na vontade: o pacote técnico do ano que vem será o mesmo e o cortejo religioso terá seguimento, a não ser quando São Pedro ou Bernd Maylander (o piloto do Safety Car) aparecem para dar uma mãozinha. Talvez, Bernie Ecclestone esteja de olho no aumento de audiência do poderoso mercado do Vaticano. Vá gostar de procissão assim lá no inferno!

Luis Fernando Ramos
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