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Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 31.08.07
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Vale a pena apostar em Massa? 31.08.07


Em sua excelente análise sobre o último GP da Turquia, o Edu colocou um ponto interessante: Massa é o mais frágil dos quatro concorrentes ao título da temporada. Eu concordo, e por alguns motivos. Antes de mais nada, vejo os quatro, sem exceção, completamente juntos em termos de velocidade pura e não saberia apontar algum que seja um tiquinho mais rápido. Se déssemos quatro fuscas idênticos para eles darem umas voltas em quatro circuitos diferentes, acho que cada um levava o primeiro lugar em uma pista.

As possibilidades de Massa, porém, começam a ruir levando em conta outros fatores. Em termos de talento natural, ele me parece em clara desvantagem contra os outros três. Isto explica em parte sua, até o momento, incapacidade em conseguir vencer uma prova em que sofreu dificuldades e teve de vir de trás rumo ao primeiro lugar. Na verdade, quando as coisas começam a dar errado, ele fica mais suscetível a erros (como nas primeiras voltas na Malásia ou na Hungria) – e isto é péssimo para a disputa de um título mundial, quando o importante é vencer as corridas em que se é o mais rápido e tirar sempre o melhor resultado possível das outras.

Celebrando o título da F-Renault Européia
Outra desvantagem: Fernando Alonso e Kimi Räikkönen já brigaram por títulos na Fórmula 1, duas vezes cada um. Lewis Hamilton teve uma disputa dura pelo título da GP2 no ano passado e havia vencido, em 2005, a F-3 Européia (aqui, com sobras). Mas a última vez em que Felipe Massa correu sob a pressão de disputar um campeonato foi no distante ano de 2001, na F3000 Européia. E ele disparou no campeonato logo no início, foi uma conquista mais ou menos fácil. A falta de experiência em lidar com a pressão que ele será submetido agora pode acabar lhe atrapalhando.

Vendo a reação dos torcedores brasileiros ao longo desta temporada, é fácil identificar as conseqüências das “esperanças não realizadas” na era Barrichello. Quando Felipe Massa faz uma corrida boa, é porque ele é o grande herdeiro dos nossos campeões anteriores, o homem que vai para cima, que não tem medo de encarar as feras. Quando ele vai mal, é o desastrado, o desmotivado, aquele com complexo de inferioridade, o pequeno filhote de leão que só come os restos da presa depois que seus irmãos mais velhos já se saciaram.

Por isso, a pergunta do título: vale a pena apostar em Felipe Massa?





Perdendo uma dividida com Hamilton
Para mim, vale. Embora eu acredite que suas chances em reverter a desvantagem atual sejam mínimas (desvantagem acentuada por alguns erros seus), acho de verdade que ele esteja sugando ao máximo as lições aprendidas em 2007 para empregá-las num futuro próximo. Nas conversas com ele, e observando sua carreira, sempre fiquei com uma imagem clara: aqui está um piloto que trabalha muito duro, que nunca desanima e que se sabe expandir os seus limites de forma constante. Basta comparar o Felipe Massa deste ano com aquele jovem selvagem de 2002 para constatar isso.

A verdade é que, no Exterior mais que no Brasil, o consenso geral no início do ano era de que Räikkönen sobraria dentro da Ferrari, mesmo sendo novo na equipe. Não é bem assim: os dois estão praticamente empatados no campeonato e Massa leva ligeira vantagem nos treinos de classificação. E não é só isto: ele é o piloto que mais poles obteve na temporada, algo que depõe muito a seu favor. Para quem era apenas o escudeiro de Schumacher no ano passado, estar na disputa pelo título deste ano é pavimentar o caminho para ser considerado um dos grandes pilotos da categoria – e isto significa, acima de tudo, correr sempre em grandes equipes daqui até o final da carreira. Provavelmente na Ferrari, por um bom tempo.

Resta solucionar esta aparente incapacidade em reverter situações adversas. Para mim, isto ainda é um enigma. Porque Massa, normalmente, se sai bem quando está sob pressão. No Bahrain e na Turquia, chegou praticamente escorraçado por seus erros na corrida anterior, e teve um desempenho irretocável nestas duas provas. Resta responder bem à pressão de problemas ocorridos durante um fim-de-semana. E também àquela exercida pelo ufanismo irracional do Brasil varonil. Um sentimento personificado no seu amigo pessoal e grande incentivador Galvão Bueno. Vale lembrar que, desde 1991, um piloto do país não chega às cinco provas finais do ano com chances palpáveis de ser campeão.

Comemorando a vitória na Turquia
Eu apostaria que Felipe Massa conseguirá este título, no máximo, até 2010. Sua constante e significativa evolução após uma estréia entre promissora (em termos de velocidade) e desastrosa (em termos de constância e de número de erros) em 2002 me levam a crer que ele vai amadurecer para chegar lá. Se tiver um carro para brigar pelo campeonato, como é o caso agora, é uma possibilidade grande. Se tiver um carro muito superior aos demais e a concorrência se resumir ao companheiro de equipe, é quase uma certeza.





Mas, como o Edu, também acho que o Alonso leva a conquista deste ano – caso a McLaren seja absolvida no Tribunal de Apelação da FIA.

Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos

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