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Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 22.07.07
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Operística 22.07.07
Finalmente! Bastou a mãe natureza intervir para que as previsíveis e normalmente lexotânicas corridas de Fórmula 1 dessem lugar para um espetáculo digno das paixões que esporte desperta. O Grande Prêmio da Europa teve contornos de ópera, culminando com dois pilotos determinados lutando pela vitória a cada centímetro, numa briga renhida ocorrida – o quê??? – dentro da pista.

Massa e Alonso
A ultrapassagem de Fernando Alonso sobre Felipe Massa foi absolutamente normal e parece claro que o toque ocorreu justamente pela dinâmica da manobra e pelo calor da disputa – não acho que tenha havido dolo do brasileiro. Assim, há de se entender sua reação exaltada quando o espanhol foi reclamar dele antes da cerimônia do pódio. Alonso disse a ele que mostrou para as câmeras de tevê do mundo todo os resultados da manobra “proposital”. Massa aumentou o tom de voz e foi duro. “Você vence e ainda faz isso? Vê se aprende!” Foi bom mesmo deixar claro para o rival que ele não vai ceder quando este fizer terrorismo psicológico. Aqui, ponto para Massa.

Ponto que ele perde logo em seguida quando vermos sua performance nas voltas finais da corrida. Massa e equipe alegaram que o jogo de pneus utilizados estava muito ruim, causando vibrações terríveis no carro. Eu obviamente não estava no lugar dele e lhe dou o benefício da dúvida. Mas o passado mostra que o brasileiro realmente não se sente confortável em pista molhada. Basta pegarmos os GPs da Hungria e da China do ano passado. Minar este ponto fraco passa a ser uma tarefa indispensável se ele pretende ser campeão do mundo um dia.

Alonso depois se desculpou publicamente com Massa, dizendo que o bate-boca foi fruto do “stress” que sofreu durante a prova. No fundo, o espanhol percebeu que só se desgastaria começando uma guerra de nervos com quem ainda está relativamente distante na tabela. Melhor mesmo é celebrar o resultado de sonho que o colocou como o principal candidato ao título. Porque, dentro da McLaren, o momento é todo dele.





Hamilton
Lewis Hamilton continua a maravilhar, mesmo quando dá tudo errado. A pancada do sábado não foi pequena não. Ainda que não tenha sofrido nenhum ferimento, ele correu com fortes dores no peito – qualquer um que já bateu o carro com força média conhece este efeito, causado pelo cinto de segurança. Imagina então no caso dele, com a desaceleração brusca a mais de 250 km/h.

Ainda sim, ele fez chover em Nürburgring. No início da prova, teve presença de espírito o suficiente para permanecer impassível dentro do carro, controlando para que o motor não morresse, enquanto outros bólidos desgovernados aterrissavam a seu lado. Assim, foi literalmente carregado de volta à prova: uma cena bizarra, mas dentro das regras.

Depois, compreensivelmente até, arriscou demais nas estratégias e acabou pagando por isso. Mas brindou-nos, como sempre, com um grande momento. Sua ultrapassagem sobre Giancarlo Fisichella (uma delas, ocorrida no meio da prova), foi de uma audácia impressionante e de uma precisão cirúrgica. Tenho certeza que até Michael Schumacher, dos boxes, sorriu admirado.





Já que estamos falando nele: o mau gosto dos alemães para moda é conhecido e motivo de piada em toda a Europa. Mesmo assim, Schumacher exagerou na cerimônia do pódio com aquela camisa ridículo. Lamentável...





Ainda no pódio, Ron Dennis tripudiou feito um chimpanzé ao receber o troféu de equipe vencedora das mãos de Schumacher. Certamente deleitou-se como ninguém com o fato – e também com a cara amarrada do alemão. Resta saber quem vai estar dando risada após a reunião de quinta-feira da FIA.

Os indícios de que a McLaren se aproveitou das informações recebidas desde Maranello são fortes demais, especialmente na questão do protesto que o time de Woking realizou junto à FIA, no GP da Austrália, contra o assoalho móvel do F2007. É bem provável que a equipe sofra punição e que a vantagem de seus pilotos na ponta da tabela desapareça. Seja pela perda de pontos ou – pelo que eu acho mais provável – por uma eventual suspensão da equipe por uma ou mais corridas.





BMWs se tocam
Numa prova tão louca, nada mais cabível do que o estreante Markus Winkelhock ter liderado a contenda por quatro voltas. A decisão de colocar pneus de chuva em seu carro ao final da volta de apresentação foi inteligente e efetiva. Seu pai Manfred, lá do céu, sorriu feliz e admirado. Em 47 provas disputadas na categoria, o máximo que ele conseguiu foi andar em quarto lugar. Quinto foi seu melhor resultado.





Estou com meu próprio blog desde o último domingo, um espaço para discutir sobre o presente e o passado do automobilismo. Conto com a visita de vocês lá! http://blog-do-ico.blogspot.com/

Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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