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No mês passado, o Edu nos presenteou com uma bela lista dos cinco melhores pilotos em sua opinião, divididos em eras. Não posso me furtar a dar a minha versão e você pode comparar bem as duas – e mandar a sua para nós, porque não?
Os 5+ da Pré-História do automobilismo:
- Felice Nazzaro – provavelmente o melhor da época.
- Camille du Gast – a primeira mulher que se tem notícia no automobilismo. Fez muitos homens, como seu homônimo (!?!) Camille Jenatzy comerem poeira. E também tinha espírito esportivo. Na prova Paris-Madri de 1903 estava em quinto lugar, mas não se furtou a ajudar um companheiro que teve um acidente, e caiu para a 45ª posição.
- Antonio Ascari – pai de Alberto Ascari, grande fera dos anos 20.
- Ferenc Szisz – está na lista não só pela vitória no primeiro Grand Prix da história, mas por inaugurar uma linhagem nobre do automobilismo mundial, a dos mecânicos que se tornaram grandes pilotos.
- Ralph de Palma – imigrante italiano que dominou o automobilismo nos Estados Unidos por mais de uma década. Correu 2.889 corridas, vencendo 2.557 delas. Os números já dizem tudo sobre sua qualidade.
Os 5+ do Período de Ouro do automobilismo, pré II Guerra:
- Tazio Nuvolari – o gênio louco, começou no motociclismo e chegou a competir com o corpo inteiramente engessado de um acidente anterior.
- Rudolf Caracciola – como o Edu colocou, o dominador da época, liderando a equipe oficial da Mercedes.
- Bernd Rosemeyer – rival e amigo de Caracciola, líder da Auto Union e falecido precocemente.
- Jean-Pierre Wimille – francês veloz e genial, poderia ter dominado os primeiros mundiais de F-1 não fosse pelo acidente fatal sofrido na Argentina em 1949.
- Hans Stuck (o pai) – vencedor de quase todas as provas de subidas de montanha do período, lhe garantindo o apelido de “Bergkönig”, o rei da montanha.
Os 5+ da Antiguidade Clássica da Fórmula 1, caracterizada pela instalação dos motores na frente:
- Juan Manuel Fangio – o maior de todos os tempos na minha opinião. Ganhava tudo em qualquer tipo de carro – e podia se dar ao luxo de escolher as melhores equipes, já que todas queriam tê-lo.
- Alberto Ascari – grande expoente de um estilo de pilotagem suave e veloz, encontrado hoje em Lewis Hamilton, por exemplo.
- Stirling Moss – primeiro piloto a ter uma visão “profissional” das corridas numa era romântica. Rápido feito o diabo, corria em tudo quanto é prova, mas acabava sempre escolhendo as piores equipes.
- José Froilán Gonzalez – o “Touro dos Pampas”, gordo e bonachão, não era o melhor da era, mas o mais corajoso. Sobressaía-se em circuitos de altas médias horárias. Se Silverstone foi um dia “Silvastone” por causa de Senna, nos anos 50 era “Gonzalestone”.
- Chico Landi – sem bairrismo gratuito aqui. O velho Chico disputou algumas dezenas de provas na Europa, sempre com equipamentos pouco ou muito defasados em relação aos grandes nomes da época. E andou na frente deste povo em muitas dessas ocasiões.
Os 5+ da Fase Romântica da Fórmula 1, carrinhos com motor traseiro:
- Jim Clark – rápido e suave, realmente a melhor maneira de comandar as máquinas da época. Além do mais, era querido e admirado por todos os seus adversários de pista. Que outro grande nome, além de Fangio, conseguiu isso?
- Jack Brabham – uma carreira fantástica e, por vezes, pouco valorizada. Três títulos mundiais, um deles com um carro que ele mesmo construiu, o velho Jack foi competitivo mesmo em seu ano de despedida das pistas, em 1970.
- Dan Gurney – grande expoente do automobilismo norte-americano, venceu corridas de F-1, F-Indy e Nascar, muitas delas em carros construídos por ele mesmo. Era o piloto que Jim Clark mais temia (num bom sentido, claro), o que diz muito sobre suas qualidades.
- Bruce McLaren – piloto e construtor, talvez não tenha tido tanto sucesso na Fórmula 1 (foram quatro vitórias esparsas), mas ganhou as 24 Horas de Le Mans e dominou a série Can-Am com os carros que construía na Europa. Corria ao lado do compatriota Denny Hulme e a imprensa se referia ao campeonato como “The Bruce and Denny Show”.
- Graham Hill – aquele bigodinho lhe dava pinta de ator pornô e Graham adorava mesmo um pouco de glamour, tanto que dava festas homéricas em sua mansão na Inglaterra. Mas teve origem simples e foi mais um caso de um mecânico bem-sucedido na pilotagem. Dois títulos mundiais comprovam bem isso.
Os 5+ do Período Pré-Moderno da Fórmula 1, até o carro-asa e os motores turbo:
- Jochen Rindt – um dos pilotos mais rápidos da história do automobilismo. Na F-2, onde os carros eram mais nivelados, dominava seus contemporâneos, inclusive Jim Clark. Mas só se sobressaiu na F-1 quando teve um carro vencedor, mas acabou sendo uma das vítimas de um dos períodos mais violentos do esporte.
- Jackie Stewart – Quando eu era moleque, o recorde de vitórias a ser quebrado era o de Stewart: 27, num período ultra-competitivo e em que os carros quebravam demais. Mas o escocês era um talento excepcional nas pistas – além de ser uma figura fantástica fora delas. Peitou muitos colegas seus para elevar os níveis de segurança no esporte e é reconhecido hoje como o principal incentivador disto.
- Emerson Fittipaldi – abriu as portas para os brasileiros vencerem na F-1 e depois na Fórmula Indy, terrenos que nossos pilotos mal conheciam e não eram conhecidos. Um feito genial, até mais que seus dois títulos na F-1 e suas duas vitórias no templo de Indianápolis.
- Clay Regazzoni – Não foi tão bem sucedido como Lauda, principalmente por um temperamento intempestivo. Mas quando estava em seu dia, era genial como os mais geniais do esporte. Pena que estes dias eram raros.
- Ronnie Peterson – espetacular, mas não tão eficiente numa era em que os carros começaram a falar realmente muito mais que os pilotos. Teria tido ainda mais sucesso se fosse da geração que correu nos anos 60 – mas seria também um dos principais candidatos a sofrer um acidente grave naquela época.
Os 5+ do Período Moderno, na vigência dos motores turbo e outras mumunhas mais:
- Alain Prost – antipático, chato e principal adversário dos brasileiros nos anos 80. Ainda assim, é preciso admirar a genialidade de Alain Prost. Seu estilo era tão suave que às vezes parecia uma aposentada parisiense guiando – até que olhássemos na folha de tempos e víssemos seu nome lá no alto.
- Nelson Piquet – três títulos, dois na era turbo – a mesma quantidade que Prost. Trabalhador incansável, carisma polarizador, criou muitos inimigos. Mas muitos fãs também – não é a toa que lhe estendem um tapete vermelho sempre que aparece na fábrica da BMW.
- Ayrton Senna – O mais veloz piloto da era turbo, sabia como ninguém pilotar aqueles monstros mantendo a rotação em alta o tempo todo. Um estilo ultra-eficiente em treinos, mas nem tanto em corridas, vide seus problemas na época da “Fórmula Economia”, quando o consumo de combustível nas provas era crítico.
- Keke Rosberg – outro chato de galochas e rápido feito um foguete. Saiu da modesta Copersucar para ser campeão mundial pela Williams – com motor aspirado contra uma legião de turbos. Para mim, parou cedo demais.
- Nigel Mansell – figura divertidíssima, colecionou tantos sucessos quanto momentos embaraçosos na carreira.
Os 5+ do Período Pós-Moderno, a partir do fim dos motores turbo, com a mercantilização cavalar dos GPs, as idas e vindas da eletrônica, da pesquisa aerodinâmica degenerada e de muitas outras mumunhas:
- Michael Schumacher – dominou em praticamente toda sua carreira na Fórmula 1, sendo um exemplo de profissionalismo e eficiência. Foi o catalizador do trabalho de Jean Todt na Ferrari, transformando uma equipe capenga num sinônimo de sucesso.
- Ayrton Senna – pegou a transição entre a era anterior e essa, na qual saiu-se ainda melhor. Poderia ter conquistado muito mais títulos e vitórias, não fosse o negro ano de 1994.
- Nigel Mansell – ninguém podia com a Williams em 1992. Para muitos, aquele era o carro mais avançado da história da F-1. Mas era nas mãos do inglês que podíamos ver todo o potencial da máquina. Nos treinos do GP da Inglaterra, fez a pole com quase dois segundos de vantagem para o companheiro Riccardo Patrese. Dois segundos!!!
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| Senna, Prost, Mansell e Piquet |
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- Mika Häkkinen – às vezes, acidentes graves tornam mais um pouco mais lentos alguns pilotos promissores. Vejamos por exemplo Gerhard Berger ou mesmo Rubens Barrichello. Por isso é admirar a trajetória de Häkkinen – praticamente ressucitou após bater forte em Adelaide, em 1995, para comandar o período mais bem sucedido da parceria McLaren-Mercedes.
- Fernando Alonso – detentor atual dos recordes de precocidade da Fórmula 1, o espanhol pode muito bem ameaçar os números absolutos de Michael Schumacher. Deu inúmeras amostras de genialidade nos últimos dois anos e mostrou que costuma andar ainda melhor quando está sob pressão. Em que pese alguns erros feitos na atual temporada, segue como o favorito para o título. A única incerteza é como seu lado mental vai reagir aos resultados de Hamilton. Porque ele é mais piloto que o inglês. Só precisa adaptar seu estilo aos pneus “de madeira” que a Bridgestone está entregando às equipes.
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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