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Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 27.05.07
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Tédio glamouroso 27.05.07
Não está mesmo dando pé. A quinta etapa do Mundial 2007 da Fórmula 1 conseguiu ser ainda mais chata que as outras quatro. Desta vez, nada de grandes divididas na primeira curva ou de tentativas estabanadas de ultrapassagens que terminassem com carros estampados no guard rail. Nada de emoção, nada. É isto que a prova foi: nada.

Este triste retrato provém de (mais) um tiro no pé dado pela FIA. Há pelo menos cinco anos que a entidade vem introduzindo, de forma arbitrária e desordenada, uma série de mudanças nos regulamentos esportivo e técnico da categoria, numa busca desesperada de tornar a disputa mais emocionante e de brecar os gastos exagerados feitos pelos autores do espetáculo. Mas já devia ter aprendido que não há limites para a astúcia desta turma.

Em 2007, uma das novidades é a existência de um único fornecedor de pneus. Assim diminuiriam os intermináveis e extensivos testes, concentrados quase sempre no desenvolvimento de novos compostos de borracha. Alguém observou o óbvio: a disputa entre duas marcas estimula a competitividade e a diversidade de produtos garante uma variável maior de desempenhos. Pudemos ver isso muito bem no ano passado: em algumas pistas o domínio era dos Michelin, em outras dos Bridgestone. Ou, mesmo numa mesma pista, a variação de temperatura ou de aderência no asfalto tornava um pneu bem mais rápido que o outro.

A tradução disso: carros com uma boa diferença de performance na pista significam mais disputa por posições e mais possibilidades de ultrapassagens. Tivemos corridas modorrentas em 2006, um bom par delas, é verdade. Mas algumas foram muito emocionantes e com diversas ultrapassagens (Melbourne e Mônaco, por exemplo!) e mesmo as mais paradas carregavam um grau de incerteza até o final – vide as disputas entre Schumacher e Alonso no Bahrain e em Ímola, por exemplo.

Agora, o pneu unitário aproximou muito mais as equipes. Basta observar que as equipes que mais diminuíram sua diferença em relação às mais rápidas neste ano foram Super Aguri e Midland/Spyker, justamente as mais lentas de 2006. A idéia de exigir o uso de dois compostos diferentes na mesma corrida o que, teoricamente, reproduziria a situação do último ano, furou nas mãos dos engenheiros da Bridgestone. A diferença entre os compostos é mínima e, até agora, toda tentativa de um piloto ao arriscar na ordem de utilização de seus compostos foi infrutífera.

A situação dos pneus levou a FIA à outra “brilhante” idéia. Agora seria possível também limitar o número de testes, o que deixaria a categoria “mais barata”, nas palavras de Max Mosley. Santa ingenuidade, Batman! O dinheiro que vazava por aquela torneira foi apenas canalizado para outra saída. As equipes agora investiram em pessoal para que seus túneis de vento funcionem 24 horas por dia e também em caríssimos simuladores. Assim, o árduo trabalho de refinamento dos carros ficou ainda mais concentrado na aerodinâmica, em detrimento à mecânica dos veículos.

O resultado: os carros precisam mais do que nunca de “ar limpo”, tanto pela aderência durante as freadas quanto pela refrigeração do motor. Andar colado no adversário pode cozinhar o motor e, lembremos, as unidades têm de durar duas corridas inteiras – mais uma invenção “genial” dos dirigentes. Por isso tudo vimos uma corrida em Mônaco onde não houve nem uma mísera tentativa de ultrapassagem. Como fazer isso lá é praticamente impossível, os pilotos procuravam quase sempre uma distância segura em relação a quem ia à frente. Afinal, daqui a duas semanas, os mesmo propulsores vão ter de agüentar o calor canadense, numa pista onde eles são muito mais decisivos.

E assim caminha a Fórmula 1, num círculo vicioso e tedioso.

Sobre a corrida, não vamos nos iludir: a Ferrari vai voltar a dar as cartas em Montreal.

Para completar o domingo “histórico” do automobilismo, tivemos a 91ª edição das 500 Milhas de Indianápolis. Como em Mônaco, a corrida foi um tédio só e agora, escrevendo quatro horas depois da largada, ainda não saiu o vencedor.

É. O jeito é correr pro meu querido “Grand Prix Legends” e disputar umas corridas online. O nível dos pilotos pode deixar a desejar, mas sobre emoção, disputa e ultrapassagens – sem ajudas artificiais. Até onde eu sei, automobilismo deveria ser assim.

Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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