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| » » » 11.05.07 |
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| Curtindo a vida adoidado |
11.05.07 |
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Não há um padrão específico que defina a vida de um ex-campeão mundial de Fórmula 1. Juan Manuel Fangio virou representante da Mercedes-Benz em seu país natal e embaixador da marca no resto do planeta. Jackie Stewart atuou como comentarista, garoto-propaganda da Ford e montou uma equipe. James Hunt também virou comentarista, para muitos foi até melhor nesta função do que ao volante. Alain Prost ensaiou voltar algumas vezes, montou sua equipe, faliu com ela e hoje se diverte disputando corridas na neve.
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| Schumi na coletiva de hoje, em Barcelona |
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Engraçado é esse Michael Schumacher. Seis meses após pendurar as sapatilhas, ele calçou as chuteiras e virou atacante de um time da terceira divisão do futebol suíço, o FC Echichens II. “Estou buscando manter a mesma forma física do ano passado agora que comecei minha carreira no futebol”. Se o alemão gosta de desafios, ele pegou um bom. Seu time está em último lugar na tabela e vai precisar de um pequeno milagre para não cair para quarta divisão. Isso, se existir uma quarta divisão por lá.
A verdade é que Schumacher não parece mesmo interessado em trabalhar com corridas. “Não penso em ser chefe de equipe, nem na Ferrari e nem em outro lugar. Tenho outras ambições na vida. Minha função atual na equipe é apenas a de contribuir com minha experiência para qualquer conselho que precisem em relação ao funcionamento global da equipe”. Traduzindo, Schumacher não estaria dando nenhum pitaco em relação a acertos do carro e ao trabalho da atual dupla de pilotos. Mas se contradiz ao afirmar que, durante as corridas, tem acesso online da sua casa à telemetria da Ferrari. Se não dá palpites técnicos, então qual o interesse em ter esses dados?
De qualquer forma, o alemão não descartou completamente a possibilidade de voltar a correr esporadicamente em outras formas de automobilismo, como sugeriu seu ex-colega Mika Häkkinen. “Meu futuro? Quem sabe? O importante é que agora estou feliz. É bom acordar de manhã e ter minha própria programação, não uma agenda que alguém preparou para mim”. Finalmente senhor de seu próprio destino, Schumacher têm se divertido a valer, seja na luta contra o rebaixamento no futebol, seja relaxando à beira de uma piscina em um hotel norte-americano, seja dentro de um veleiro da America’s Cup.
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| Massa foi o 4o mais rápido no treino desta sexta |
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Resta saber se a visita desde fim-de-semana vai mudar este quadro. Nas três primeiras corridas do ano, o alemão afirmou que não sentiu muita falta do ambiente: “vendo da televisão, tudo parecia muito distante”. Mas seu ex-companheiro Felipe Massa foi enfático. “Para ele, é mais fácil estar em casa do que aqui na pista. Tenho certeza que, vendo os carros de perto, ele teve vontade de andar. É a mesma coisa que eu sinto quando vou a um kartódromo e fico só assistindo”. É o vírus da velocidade. Isto não se perde. E, aposto, uma hora, a boa vida de aposentado e pai de família vai encher o saco do alemão.
A McLaren dominou os dois treinos desta sexta-feira aqui em Barcelona, um resultado surpreendente após a superioridade demonstrada pela Ferrari nesta mesma pista há uma semana. Mas, numa conversa com os jornalistas brasileiros, Felipe Massa se mostrou muito tranqüilo, dizendo que sua preocupação foi acertar o carro para a corrida. Mas, por via das dúvidas, apelou por uma ajuda divina. “Fico feliz que o Papa está no Brasil. Como a missa vai ser na mesma hora da corrida, seria legal se ele fizesse uma reza para mim”, brincou.
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| Rubinho chegando ao trabalho, hoje pela manhã |
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Quem está precisando não só de uma reza, mas de um rosário inteiro é Rubens Barrichello. O carro da Honda é mesmo uma catástrofe e as melhorias que deveriam ser empregadas no GP do Canadá atrasaram e só ficarão prontas para a corrida da França, quase um mês depois. Com o contrato para ser renovado, parece pintado um cenário em que o brasileiro encerraria seu ciclo na categoria e partiria para novos desafios. Mas numa conversa franca comigo e a colega da Folha de S. Paulo Tatiana Cunha, Barrichello pareceu ser sincero ao afirmar que está mais motivado do que nunca neste trabalho de melhorar o RA107 e que jamais deixaria a equipe na situação em que ela está. Depois, em tom misterioso, acrescentou: “Tem outras coisas acontecendo também. Coisas boas”.
Confesso que a dica de que estaria conversando com outras equipes me deixou confuso e fui olhar onde vão abrir vagas para 2007, onde Barrichello poderia se encaixar. Na Renault, é improvável que, caso Fisichella saia da equipe, Flavio Briatore prefira Barrichello a seu protegido Nelsinho Piquet. A situação contratual de Nick Heidfeld na BMW (esta sim é uma “coisa boa”) ainda é incerta, mas há muitos candidatos na lista de Mario Theissen e dificilmente o brasileiro é um deles. Toro Rosso, Spyker e Super Aguri não poderiam ser “coisas boas”.
Restam três possibilidades. Os contratos da dupla da Red Bull, uma equipe com grande potencial de crescimento, terminam no fim deste ano. É dada como certa a aposentadoria de Coulthard e dizem que Mark Webber quer ir para a Renault. Seria uma chance de ouro para Rubens e, embora seu currículo combine com o interesse do chefe de equipe Christian Horner (experiente, trabalhou em equipe vencedora), a palavra final parece ser do chefão Dietrich Mateschitz. O pai de família Barrichello combinaria muito pouco com o perfil que o homem de marketing gosta de dar à sua equipe.
Ralf Schumacher pode não renovar com a Toyota, mas trocar a Honda pela rival japonesa é coroar o velho jargão “trocar seis por meia dúzia”. Resta a Williams – e esta me parece ser a hipótese mais provável para as entrelinhas da frase de Rubens Barrichello. Em primeiro lugar, a equipe fez um bom carro este ano e está em estágio de crescimento. Além disso, o contrato dos dois pilotos se encerra no fim do ano. Frank Williams adoraria que Nico Rosberg ficasse, mas sabe há muitas outras equipes de olho nele e o filho de Keke não hesitaria em tentar sua sorte em um time oficial de fábrica. Alexander Wurz também pode perder seu lugar se for consistentemente mais lento que seu companheiro de equipe, o que tem sido o caso até agora.
Acho mesmo que Rubinho está procurando alternativas a Honda e que também não descarte permanecer na equipe caso ela queira. Ele me pareceu mesmo determinado a continuar na F-1 por pelo menos mais um ano. Mas a “dança das cadeiras” só vai começar a ficar clara quando o destino de Nick Heidfeld for definido. Isto indicará o futuro de Nico Rosberg e, conseqüentemente, o dos outros pilotos cujo contrato termina ao final deste ano, incluindo Rubens Barrichello. Isto só deve acontecer em torno do GP da Hungria. Até lá, resta ao brasileiro continuar o árduo trabalho de recuperar o projeto da Honda.
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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