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| » » » 08.04.07 |
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| Tiremos o chapéu para os malas |
08.04.07 |
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| Norbert Haug, Fernando Alonso e Ron Dennis |
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Foram vinte corridas de sofrimento até que Ron Dennis e Norbert Haug finalmente voltassem a sorrir. A McLaren deixou para trás o ano que passou em branco para triunfar de forma incontestável em Sepang, numa dobradinha para ninguém botar defeito. Um feito que surpreendeu aos próprios chefões – o alemão disse a um repórter compatriota no almoço malaio que faria uma coisa “maluca” se um de seus carros vencesse a prova. No final da transmissão, Haug deu entrevistas vestindo um chapéu ridículo.
E sou obrigado a tirar o meu para a dupla mais arrogante e antipática do paddock (ok, Briatore ganha deles, mas é hors-concours). Ron Dennis vive enclausurado em seu castelo de prata, um motorhome que dá medo até de entrar pela pouca receptividade que inspira – opinião que compartilho com o colega Felipe Mota, da Jovem Pan. E Norbert Haug já chegou até a me empurrar junto com outro repórter em uma tentativa de entrevista após a vergonhosa quebra do motor de Kimi Räikkönen no GP da Alemanha de 2005. Hoje, estava todo pimpão com seu artefato multicolorido na cabeça e sua adiposidade exagerada.
Os dois esfregam as mãos de contentamento ao receberem os cumprimentos pelo ressurgimento da McLaren, ocorrido muito antes do que todos imaginavam. De fato, mais importante até que o resultado foi a velocidade apresentada pelos bólidos prateados durante a prova, claramente superior a da favorita Ferrari. Mas desconfio que os principais responsáveis por esta performance tenham sido os pilotos.
Lewis Hamilton conseguiu o que parecia impossível e foi ainda melhor que na estréia. Seu duelo com as Ferrari no início da prova e o fato de ter registrado a melhor volta da corrida provaram que o jovem e tranqüilo inglês é realmente um produto muito especial.
E Alonso, não há muito a falar do espanhol a não ser que ele está muito bem encaminhado para quebrar os recordes de Michael Schumacher. Aliás, a maneira como ele se mudou para uma equipe claudicante e logo de cara a trouxe de volta às primeiras posições remetem inevitavelmente ao início do alemão na Ferrari.
Ainda que o fator humano esteja prevalecendo à capacidade técnica da McLaren, tiremos o chapéu para a dupla de malas. Pois foi Dennis quem resolveu investir em Lewis Hamilton desde a mais tenra idade. E não foi pouco dinheiro. Um repórter perguntou a ele o quanto havia gasto com o piloto desde o kart. “Dinheiro não é problema – só é para quem não tem”, respondeu com sua cotidiana arrogância. Depois, confessou: cerca de 4 milhões de libras – uma conta que começou a ser dividida com a Mercedes-Benz quando Hamilton chegou na Fórmula 3. E a contratação de Alonso foi um golpe de mestre de Dennis, uma bela maneira de corrigir o erro anterior, o de ter assinado com Juan Pablo Montoya. O resultado? Liderança dos Mundiais de Pilotos e de Construtores. A Ferrari que se cuide.
Sim, Felipe Massa errou na tentativa de ultrapassagem sobre Hamilton e jogou fora sua corrida. Mas soube admitir o erro e, importantíssimo, foi prontamente absolvido pelo diretor-técnico da Scuderia, Stefano Domenicalli, e mesmo por seu companheiro de equipe Kimi Räikkönen. “Não achei que ele foi precipitado. Felipe perdeu duas posições após a largada e, para sua estratégia de corrida funcionar, sabia que teria de recuperá-las logo”, disse o italiano. “No lugar dele, eu também teria tentado”, confirmou o finlandês.
Não tenha dúvidas de que o brasileiro vai colecionar algumas pole-positions e vitórias ao longo do ano, se intrometendo também na briga pelo título. Mas este mau início de temporada comprometeu e muito suas chances de ser campeão. Onze pontos de desvantagem para um piloto como Alonso – que não erra e sabe como poucos somar pontos com absoluta eficiência –, representam uma gigantesca desvantagem. Mais uma quebra, mais um errinho que seja, babau.
Excelente os desempenhos de Nick Heidfeld e Nico Rosberg nestas duas primeiras provas do ano. Confesso que não punha muita fé no taco deles, mas os dois alemães parecem mais livres e felizes agora que a ausência de Michael Schumacher lhes garante mais holofotes da mídia de seu país.
Só para registrar: fantástica a ultrapassagem de Alexander Wurz sobre David Coulthard e excelente prova de Rubens Barrichello. Para quem apanhou de Button na maior parte da temporada passada, o brasileiro está dando uma bela resposta. Mas, sem estrela que é, Rubinho deu azar de novo: o Honda de 2006 andava. O atual se arrasta.
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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