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Temporada de caça 28.02.07


Há muitos aspectos interessantes envolvendo a temporada 2007, a maior parte deles se relacionando com as diversas mudanças nas duplas de pilotos – um castelo de cartas que desmoronou no ano passado com a aposentadoria de Michael Schumacher e foi remontado com uma ordem diferente. Curiosamente, a combinação atual proporciona um nível de atrito interno nas equipes poucas vezes visto na categoria. Se o companheiro de equipe é o único padrão de comparação confiável para um piloto, a briga vai pegar fogo na maioria dos boxes – é o que os testes de inverno apontam. Vale a pena dar uma olhada de perto em cada uma das equipes para ver quem tem mais chance de se sobressair nestes duelos particulares.

Moleza para Alonso? Tudo indica que não
McLAREN – A lógica indica que o bicampeão Alonso vá destruir o novato Lewis Hamilton – mas não existe lógica na Fórmula 1. A pré-temporada mostrou que o estilo de pilotagem do espanhol, com movimentos bruscos ao volante para fazer cada curva, acaba desgastando demais os pneus. Já o inglês, com uma marcante tocada suave, está se saindo melhor em ritmo de corrida, além de não ficar muito atrás numa volta rápida. Não é difícil para um piloto do calibre de Alonso ajustar seu estilo e prevalecer nesta disputa, mas não deve ser o chocolate que muita gente esperava.

RENAULT – Giancarlo Fisichella passou o inverno choramingando, dizendo que a Renault deveria apostar em um só piloto e que ele iria florescer após a saída de Alonso da equipe. Mas Heikki Kovalainen não parece disposto a se contentar em ser coadjuvante. O consenso geral do paddock apontava que o finlandês ficaria na frente, mas não é o que se está vendo nos testes – ambos ainda estão muito próximos. No fim, quem está brilhando é Nelsinho Piquet, acumulando quilometragem e marcando tempos muito bons. Já que a temporada se desenha difícil para a bicampeã mundial, com o R27 não mostrando muita competitividade, não seria surpreendente se o brasileiro disputasse seu GP ainda este ano. Flavio Briatore adora fazer estas coisas.

Massa subiu na cotação dos especialistas
FERRARI – Em novembro, dava para contar nos dedos quem apostasse em Felipe Massa contra Kimi Räikkönen na Ferrari – fora do Brasil, claro. Agora, a opinião da maioria mudou. Na pré-temporada, o brasileiro mostrou que aprendeu muito bem as lições recebidas de Michael Schumacher e vem extraindo o potencial dos pneus com maestria, andando rápido e constante por um grande número de voltas consecutivas. Algo que Räikkönen ainda não conseguiu. Ao mesmo tempo, o finlandês ainda precisa se ambientar na equipe e mostrar que não conseguiu ser campeão na McLaren por culpa da equipe, e não sua. Correr sob pressão contra alguém competente e motivado como Massa não será fácil. Mas Kimi tem uma coisa a seu favor: ele não se importa com isto. Será uma briga boa, a mais interessante da temporada, mas a rivalidade não deve extrapolar o âmbito esportivo. A Ferrari não toleraria isto.

Barrichello ou Button? Deve ser mais apertado que em 2006
HONDA – Sejamos honestos: Rubens Barrichello levou um passeio de Jenson Button no ano passado. A diferença no início, até esperada por se tratar de um novato na equipe, foi anulada pelo brasileiro na metade da temporada. Mas, da Hungria para a frente, o inglês sobrou nas corridas. Mas as condições serão diferentes neste ano. Barrichello conhece muito bem a base dos pneus feitos pela Bridgestone, basicamente os mesmo que usou em 2004 na Ferrari. Até mesmo Nick Fry apontou que o brasileiro vai levar alguma vantagem com isto. Vai ser uma briga apertada, mas sem potencial para ânimos acirrados como em outras equipes.

Heidfeld deixou a barba crescer para ficar com cara de mau. Kubica não precisou fazer nada para isso...
BMW SAUBER – Há um barril de pólvora pronto para explodir na aparentemente pacata equipe suíço-alemã. Não é que Nick Heidfeld e Robert Kubica não se gostem. É mais que isso. Eles se detestam, não se suportam, mal se falam. O choramingo público do alemão diante do frenesi da mídia que o polonês angariou na segunda metade do ano passado foi o estopim para a guerra. Como o carro deve andar na frente e haverão muitos pontos em disputas – talvez até mesmo vitórias –, nenhum dos dois cederá um milímetro nas disputas. A única chance da situação não fugir do controle é a ação do inteligente chefe de equipe Mario Theissen. “Tenho consciência desta situação e vamos trabalhá-la com cuidado”, comentou ele com a imprensa de seu país.





TOYOTA – Aqui, o maior potencial de paz do grid. Antes de se preocuparem um com o outro, Ralf Schumacher e Jarno Trulli sabem que precisam unir forças para tentar fazer do TF107 um carro minimamente competitivo. Não são grandes amigos ou parceiros, mas dificilmente partirão para um clima de guerra acima da rivalidade normal entre companheiros de equipe. Devem terminar o ano andando próximos um do outro.

Mr. Qualifying x Mr. Race: vai sair faísca!
RED BULL – Um é bom em classificações. O outro, em corridas. A disputa entre Mark Webber e David Coulthard será apertada e com um vencedor imprevisível. Certamente, o que acontecer dentro do motorhome será fundamental para o andamento deste duelo. Os dois se odiaram logo de cara, mas encontraram nos problemas iniciais do RB3 um laço que os une.





WILLIAMS – Um cenário interessante aqui, o do velho mestre que volta à cena para enfrentar o seu pupilo. Alexander Wurz deu muitas dicas para Nico Rosberg no início do ano passado e agora correrá a seu lado. Os dois terão de mostrar serviço. O austríaco, para justificar a confiança recebida por seus chefes – afinal ele não atua como titular há seis temporadas, com exceção de uma única prova dois anos atrás. Já o alemão precisa recuperar sua moral: surgiu como um futuro campeão mundial após uma estréia espetacular, mas caiu vertiginosamente de produção ao longo de 2006. Talvez, a experiência de Wurz seja suficiente para terminar o ano na frente.

TORO ROSSO – Vitantonio Liuzzi e Scott Speed fizeram um eletrizante duelo no ano passado para ver quem conseguia conquistar mais modelos, daquelas que infestavam o motorhome de sua equipe. Na cama e na pista, o italiano se saiu melhor, mas não por larga margem. A situação deve se repetir neste ano, mas ambos estão sob pressão, já que o desempenho deles em 2006 foi sofrível e tem muita gente na fila para entrar na equipe – incluindo o brasileiro Bruno Senna.

SPYKER – Pessoalmente, não sou muito fã de Christijan Albers. É arrogante demais para quem pilota de menos. Mas seu lugar na Spyker deve estar garantido por mais alguns anos, pelo menos enquanto durar seu relacionamento com a bela Lisalotte, filha de um dos sócios da equipe. Mas o alemão Adrian Sutil, apesar da pouca quilometragem com um F-1, já está no mesmo ritmo do holandês e pode muito bem terminar o ano à frente. A seu favor está a fé que o chefe de equipe Colin Kolles deposita nele, a ponto de ganhar a vaga que o português Tiago Monteiro quase garantiu com milhões de Euros de seus patrocinadores. Tendo em vista a enorme rivalidade já existem entre alemães e holandeses, vai ser nitroglicerina pura.

SUPER AGURI – Fechando a lista – e, possivelmente, o grid –, mais uma briga interessante. Takuma Sato é uma das razões da existência da Super Aguri. Seu status de pop star no Japão garante à equipe (muito) mais torcedores até mesmo que Honda e Toyota. Mas, ao contrário de 2006, o piloto terá na equipe um rival de verdade. O inglês Anthony Davidson chega para provar que é mais do que uma mera promessa que não chegou a vingar. Será uma disputa explosiva, com a qual a equipe só tem a ganhar.

Um abraço e até a próxima!

Luis Fernando Ramos
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