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| » » » 16.02.07 |
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| RUMO AO RECORDE ? |
16.02.07 |
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| Emerson Fittipaldi em sua última temporada, liderando um jovem brasileiro. |
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Certamente os mais jovens não se lembram, mas houve um período em que o piloto mais experiente do grid da Fórmula 1 era um brasileiro. Foi no final dos anos 70, quando Emerson Fittipaldi ainda demonstrava a mesma inabalável valentia dos seus primeiros dias ao volante do carro que construía com o irmão e levava o nome da família. Eram tempos difíceis. A morte de José Carlos Pace no ano anterior colocava ainda
mais pressão – de torcedores, da mídia e dos patrocinadores – por resultados no time patropi. Nem brilhos eventuais, como os de Rio-78 e Long Beach-80 aliviavam as cobranças. Poucos entendiam o tamanho do esforço feito, nem respeitavam o impressionante fato do bicampeão
ainda estar na ativa após passar praticamente sem sustos por um dos períodos mais perigosos na história da categoria.
Depois de quase três décadas, a situação se repete. Quando alinhar o seu Honda (cuja cor ainda não sabemos) para o grid de largada do GP da Austrália, no próximo dia 18 de março, Rubens Barrichello irá começar sua 233ª prova na categoria. Uma marca impressionante que o coloca em terceiro lugar dentre os pilotos que mais correram na classe principal do automobilismo mundial. Você pode tirar o chapéu para o feito ou fazer um trocadilho divertido com o fato dele ser o terceiro – eu fico com a primeira opção.
Por ser um ano de final de contrato, será um decisivo para sua carreira – talvez o mais decisivo, só comparável com o de sua passagem pela extinta Fórmula 3000 Internacional, em 1992. Ali, o jovem piloto vinha em uma curva ascendente, tinha faturado o título da F-3 Inglesa e precisava justificar o pesado investimento que recebia de seus patrocinadores. Ficou em terceiro lugar, o suficiente para abrir caminho para uma vaga na Jordan, onde aí sim mostrou seu verdadeiro potencial.
Daí em diante, a história que todos sabem muito bem. Fazendo uma comparação um pouco descabida, eu diria que Barrichello é uma espécie de Carlos Reutemann dos dias atuais: imbatível quando está “no seu dia”, mas eles são meio raros. No resto das provas, faz um trabalho que não chega a ser ruim, mas que, visto de longe, parece um pouco burocrático. Como fã de corridas, já vibrei com muitas apresentações suas – em especial com aquele de Silverstone, que teve um louco na pista e o piloto brasileiro pilotando como um lunático, fazendo ultrapassagens de se levantar a massa.
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| Rubinho ficou em 3º lugar na F-3000: discreto, mas suficiente. |
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Como jornalista, já o critiquei aqui no site muitas vezes por não saber cultivar sua imagem pública corretamente. Se recebeu ataques injustos ao longo de sua carreira, Rubens freqüentemente mistura as coisas e acha que todos os profissionais de imprensa são ruins, o que não é verdade. E é, em certas ocasiões, infeliz em suas declarações – deveria dar mais respostas na pista do que fora delas.
Mas acho todas as pessoas mudam. E Barrichello está mesmo parecendo outra pessoa desde que foi para a equipe Honda. Na primeira prova que fui no ano passado, no GP da Alemanha, me surpreendi ao vê-lo bem mais tranqüilo e feliz do que nos anos Ferrari – uma imagem sua a qual já havia me acostumado. E, pelo menos até agora, o piloto não fez ainda nenhuma promessa para esta temporada. Um bom sinal.
Ontem, as declarações do chefe Nick Fry para um site inglês parecem mesmo confirmar isso. “Acho que Rubens foi muito bom para a equipe ao insistir, corretamente, que algumas coisas, como o controle de tração, deveriam ser trabalhadas à luz de sua experiência no trabalho com a Ferrari. Neste ano, veremos um Rubens completamente diferente. Ao longo do inverno, ele emagreceu cinco quilos, está extremamente motivado e adorando voltar a pilotar com os Bridgestones. Ele vai fazer o Jenson suar para justificar o salário”.
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| Um novo homem? Respostas ao longo deste ano... |
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Interessante que Fry faz a comparação do brasileiro apenas com seu companheiro de equipe. À luz dos problemas e da performance discreta mostrada nos testes até agora, parece que a Honda terá que trabalhar muito para sonhar em repetir a vitória que obteve no ano passado, ou pelo menos subir ao pódio com regularidade. Mas é sempre bom saber que Barrichello está motivado. Para mim, ele sempre negou qualquer pensamento em deixar a F-1 no final de 2007. Se fizer o suficiente para justificar mais um contrato, na Honda ou em qualquer outra equipe, o paulistano chegaria ao fim de 2008 como o piloto com mais provas disputadas na categoria. Um feito que mereceria muita, mas muita reverência. Tomara que ele chegue lá.
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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