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Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 22.01.07
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Magnífico 22.01.07
Está aí, em cores e sons, a melhor primeira volta já executada na história da Fórmula 1:



Equipe e companheiros novos, motivação antiga...
Claro que minha afirmação reflete apenas minha opinião. Por isso, não se sinta ofendido se você acha que o histórico desempenho de Senna em Donington Park deveria estar acima dos primeiros 4.381 metros percorridos por Fernando Alonso em uma tarde chuvosa na cidade de Mogyoród. Mas, seja qual for sua opinião, uma coisa você há de concordar comigo: este espanholzinho marrento e com sobrancelhas de taturana já conquistou um lugar no panteão dos pilotos excepcionais da F-1. Não só pelo que Fernando Alonso fez nesse vídeo, mas principalmente por isso, me convenci completamente que estamos diante de um daqueles talentos excepcionais que surgem na categoria a cada 10 ou 15 anos. Acho até que o antecessor, Michael Schumacher, concordaria com isso.

É preciso ter em mente que Alonso alinhou para a largada em Budapeste sobre enorme pressão. Um título que parecia ganho começou a se esvair na reação imposta pela Ferrari, especialmente no domínio apresentado duas rodadas antes, em Magny-Cours, e pareceu ter ido para o brejo na semana anterior, em Hockenheim, quando a FIA proibiu a Renault de utilizar os tais amortecedores de massa. “Perdemos com isso cerca de 3 décimos de segundo por volta, o que na Fórmula 1 é o que você consegue ganhar ao longo de uma temporada inteira desenvolvendo um equipamento”, foi o que me disse Pat Symonds na época.

Não é à toa que o espanhol demonstrou nervosismo já nos treinos livres de sexta-feira. Ao se sentir prejudicado em uma volta rápida pelo piloto de testes da Red Bull, Robert Doornbos, Alonso aplicou um “brake test” neste no final da reta dos boxes, uma atituda infantil e injustificável. A punição da FIA veio, mas não da forma que deveria ser aplicada: ao invés de uma pesada multa financeira, a entidade aplicou uma pena desportiva. Era um sinal claro de que tudo seria feito para prolongar a disputa pelo título.

Provavelmente na noite de sexta, Alonso arejou a cabeça, refletiu com calma e chegou à conclusão de que iria responder a toda essa gente na pista, utilizando unicamente o seu talento. Vale frisar aqui que ele não optou pela solução mais óbvia e fácil já utilizada por duas lendas das pistas em situação similar, Senna e Schumacher, a de simplesmente alvejar seu adversário e botar a culpa nos absurdos cometidos pelos dirigentes contra si.

Adivinhe quem veio para jantar?
Na pista, o vídeo mostra tudo. Após a largada, Alonso leva um chega pra lá de Christian Klien, toma um aperto de Nick Heidfeld na curva 2 mas se mantém vivo, com reações instintivas e exatas. Depois, sai jantando quem vê pela frente, explorando muito acima do resto o limite das condições atrozes daquele dia, assim como Senna o fizera em Donington. A ultrapassagem sobre Fisichella, na segunda volta e, em especial, a briga com Schumacher e a manobra feita sobre o alemão, merecem ficar guardadas para sempre na memória.

Em Monza, Alonso repetiria um desempenho espetacular em um momento em que tinha toda a raiva do mundo para extravasar diante de uma punição quase cínica que lhe foi imposta. Agora, parte para um novo desafio, em uma equipe que, pensando bem, lhe cai muito bem. Na McLaren, o espanhol vai encontrar a proteção que sempre buscou para ficar longe dos holofotes. Sua motivação já está nas alturas. “Não vejo a hora de me sentar no carro, o mesmo que senti há seis anos quando cheguei na Fórmula 1. E, pelas informações que recebi da fábrica sobre o carro novo, somos os favoritos ao título”. Não sei se o espanhol conseguirá o título logo na sua primeira temporada, mas uma coisa é certa: a “Era Alonso” está apenas começando...


Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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