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A Volta dos Quatro Grandes 06.12.06
Sentados no muro que separa os boxes da reta principal do circuito de Budapeste, Senna, Prost, Mansell e Piquet estão abraçados. A pose fraternal, montada especialmente para a lente dos fotógrafos, esconde a intensa rivalidade que existe entre os quatro postulantes ao título de campeão mundial de Fórmula 1. O ano é o de 1986, considerado um dos mais emocionantes na história da categoria. Mas poderíamos muito bem estar falando de 2010.

A Fórmula 1 é pródiga em dinastias familiares de sucesso. O pioneiro foi Alberto Ascari, bicampeão do mundo nos anos 50, cujo pai Antonio foi um dos grandes nomes da cena Grand Prix de vinte anos antes. Outros exemplos vieram a seguir: Emerson, Wilson e Christian Fittipaldi; Gilles, Jacques (o irmão) e Jacques (o filho) Villeneuve; Graham e Damon Hill; Michael e Ralf Schumacher. E por aí vai.

Mas o destino conspira convergindo para que os “herdeiros” dos quatro protagonistas de uma das fotos mais significativas na história da Fórmula 1 se encontrem novamente na categoria em um futuro próximo. Nelsinho Piquet já está lá, como piloto de testes da GP2. Bruno Senna vai correr em 2007 na GP2 e é mera questão de tempo para que o passo final seja dado. Para completar, Nicolas Prost e os irmãos Leo e Greg Mansell já militam na Fórmula 3.

A chance de que todos, sem exceção, emulem seus antecessores e realmente cheguem juntos na briga por um título na F-1 é muito pequena. Mas não duvide que pelo menos um deles chegue lá. Vale aqui, no final de 2006, uma análise sobre o atual potencial desses pilotos com pedigree.

O tio e os pais, em momento histórico.
NELSINHO PIQUET – do pai, Nelson Ângelo Piquet herdou apenas a voz meio fanhosa e a falta de tato no trato com a imprensa. No mais, possui características opostas ao tricampeão mundial. Não é um profundo conhecedor do carro – embora esteja melhorando nesse quesito –, uma deficiência relativa nos dias de hoje. Tem muitos pilotos na F-1 atual que só sabem acelerar e nem por isso são desvalorizados. Tem fama também de ser retraído e fechado com os mecânicos, algo que provém muito mais de sua timidez excessiva do que de qualquer arrogância que queiram lhe imputar. Mas Nelsinho é um piloto muito rápido e, apesar da pouca idade, extremamente experiente, já que a estrutura que o pai lhe forneceu desde que entrou no automobilismo lhe garantiu uma quantidade imensurável e incomum de quilômetros percorridos. Agora Nelsinho chega na F-1 sob a tutela de Flavio Briatore, uma situação cômoda e que lhe garante portas abertas em diversas equipes. Resta saber se o jovem terá maturidade o suficiente para encarar as diversas cobras que infestam o paddock – sem tropeçar nelas.

Piquet e Senna, sem animosidades nesta geração (Foto Carsten Horst).
BRUNO SENNA – Ser o herdeiro do nome Senna nas pistas já não seria fácil, mas a história deste garoto de 23 anos é realmente impressionante – e, como você já a conhece, não vou repeti-la aqui. Que Bruno vai chegar na Fórmula 1 é óbvio. Que seria a maior injustiça do universo esperar dele um desempenho igual ao do tio (um “novo Senna”, com quem esses aloprados sebastianistas da era moderna vivem sonhando), também é óbvio. Só temos de nos ater ao seguinte: o menino é rápido, muito rápido aliás, mas tem pouquíssimas horas de vôo. Por não ter tido a mesma base de kart que a quase totalidade dos pilotos de ponta tem, Bruno às vezes mostra certa dificuldade em “ler” uma corrida, sendo afoito quando não precisa e correndo riscos desnecessários. Nada que não possa ser minimizado com duas boas temporadas na GP2, de preferência paralelamente ao ofício de piloto de testes de F-1.

O filho do professor também é gênio. Na economia.
NICOLAS PROST – O filho do tetracampeão Alain Prost é, dos citados aqui, o caso com menor probabilidade de dar certo na Fórmula 1. Sua carreira, na verdade, começou apenas aos 22 anos de idade, depois que Nicolas se formou em Economia na Universidade de Columbia. Sua progressão nos monopostos têm sido lenta e os resultados, modestos. Depois de passar pela Fórmula Campus e pela F-Renault Francesa, o piloto disputou em 2006 a F-3 Espanhola. Ganhou sua primeira corrida e ficou em quarto lugar no campeonato. Aos 25 anos de idade e ainda com muito a provar, Nicolas poderia ser um piloto mais feliz se corresse nos carros de Grã-Turismo – já obteve bons resultados em provas deste tipo, algumas delas ao lado do pai. Mas, dos citados aqui, é o único com o futuro garantido: quando não está correndo, Nicolas atua como consultor financeiro de um banco suíço.







Leo, Nigel e Greg: uma família muito louca.
LEO E GREG MANSELL – Os irmãos de 21 e 19 anos, respectivamente, começaram a carreira em monopostos neste ano. E no mesmo esquema que Nelsinho Piquet teve – com o pai bancando a equipe e supervisionando tudo. Da dupla, o nome mais promissor é o do caçula. Greg foi que se saiu melhor na Fórmula BMW Inglesa e já deixou claro que herdou o estilo amalucado do pai. No início do ano, quando a equipe Mansell foi apresentada aos jornalistas, os três (Nigel e os filhos) foram à pista de Silverstone para umas voltas. Na freada da Copse, a mais de 200 km/h, Greg simplesmente jogou o pai para fora da pista. Ao ver o pai chocado, nos boxes, o moleque não teve dúvidas: “o nome disso é ‘fechada’, pai”. Em 2007, os irmãos Mansell vão correr na F-3 Inglesa.

Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos

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