Sessão Colunas
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
18.12.08
Cartas - Segunda quinzena de Dezembro
Cartas - Primeira quinzena de Dezembro
Friends
05.12.2008
Ouro, prata, bronze
Biografia de uma ultrapassagem
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
17.12.08 - Ricardo Divila
Ingo, grande Ingo
Grande respeito!
01.12.08 - Ernesto Rodrigues
Lastro ou nitro?
Bate neles, Rubinho!
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 27.09.06
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
O povo fala 27.09.06
A pesquisa divulgada ontem pela FIA traz uma série de dados interessantes. Mais de 90 mil fãs de Fórmula 1 no mundo todo responderam a um enorme questionário tangendo diversos assuntos relativos à categoria. Não é, digamos, um número que dê um caráter científico ao documento, tendo em vista que apenas no GP da Austrália, por exemplo, havia mais de 100 mil torcedores na arquibancada. Mas é possível depreender uma idéia geral do perfil e dos anseios de quem gosta e acompanha a F-1.

A idéia de que o automobilismo é um esporte predominantemente masculino se confirma: 91% dos que enviaram a resposta são homens. Mas a distribuição planetária desta massa surpreende: enquanto Europa e América do Norte continuam predominando, com 63% e 16% respectivamente, houve um crescimento no número de fãs que responderam ao questionário na Ásia (8% - e sem contar a China, que respondeu um questionário a parte) e no Oriente Médio (5% - empatados com a Oceania). Nós, sul-americanos, detentores de 13 títulos mundiais, terminamos com pífios 2% de participação, empatados com a África.

Kimi vai se tornando o queridinho da torcida
Somando a isto, Ásia e Oriente Médio foram as regiões com maior participação do público jovem, entre 16 e 24 anos - um sinal inequívoco do potencial que estas regiões oferecem à Fórmula 1. Ao que parece, a categoria cada vez mais dominada pelas montadoras já está colhendo os frutos de mirar seus esforços nestes emergentes mercados. Uma corrida na Coréia do Sul está a caminho e não será surpreendente se outras provas nestas regiões (Catar, Índia) aparecerem em calendários próximos. Nós, brasileiros, temos de abençoar os altos lucros que o GP em Interlagos rende aos bolsos de Bernie Ecclestone. Não fosse isso, só poderíamos ver os bólidos pela telinha.

O público também expressou sua preferência por pilotos e equipes. Michael Schumacher, como esperado, é o que possui maior torcida, com 28%. Supreendente é ver Kimi Räikkönen em segundo lugar com 17%, enquanto o atual campeão Fernando Alonso possui apenas 7% (quarto lugar, atrás ainda de Jenson Button, com 8%). Para mim, fica difícil entender tamanho abismo entre os dois. Acho que o principal apelo do finlandês está menos no seu estilo de pilotagem - mais arrojado que o de Alonso - e mais no seu lado humano. O torcedor acaba se identificando mais com o jovem que adora sair à noite e tomar umas a mais do que com o ranzinza espanhol, que vive reclamando da imprensa e tem o mesmo carisma de uma taturana.

Os fãs anseiam por entrevistas mais profundas
A FIA também se vê diante de um enorme desafio ao constatar que 80% dos fãs querem ver entrevistas mais profundas com os pilotos. Mesmo para os repórteres com acesso ao paddock, os pilotos só falam com hora marcada e com o assessor da equipe do lado controlando tudo o que é dito - uma chatice absoluta. E o fenômeno é sempre o mesmo: no começo do ano, se via um Nico Rosberg atencioso e falante. Bastaram poucas corridas para que ele se fechasse e sua fala se tornasse engessada. Vencer o medo que os patrocinadores têm de danos à sua imagem é o passo necessário - e quase impossível - para que os pilotos se abram mais. Com exceção, é claro, do Kimi, monossilábico e de pronúncia incompreensível em qualquer idioma - um caso perdido, enfim.

Ferrari e Schumacher, campeões de popularidade
Em relação às equipes, outra surpresa: a favorita Ferrari tem 30%, mas está apenas 9% à frente da McLaren. Em que pese a popularidade de Räikkönen e o amor de boa parte do público alemão pela Mercedes, não consigo ver outra explicação que não o legado de sucesso de Ayrton Senna na equipe de Ron Dennis. Ao que parece, o apelo do brasileiro continua enorme em todo o planeta, mesmo 12 anos após sua morte. Principalmente no Brasil, claro, tendo em vista em que a única região em que a McLaren superou a Ferrari em preferência foi na América do Sul - ainda que a presença de Montoya na equipe na época da pesquisa possa ter contribuído minimamente para este resultado.

Curioso ver a total falta de brilho na Toyota também fora das pistas. A equipe ficou em um distante nono lugar na preferência, com apenas 1%, perdendo até para as novatas Red Bull e Super Aguri. Mesmo na Ásia, ela levou um banho: 20% para a Super Aguri (que tem Sato, lembrem-se), 10% para a Honda e apenas 5% para a Toyota. Pelo jeito, os japoneses simpatizam demais com o projeto quase nacionalista de Aguri Suzuki e torcem o nariz para o conceito globalizado do time nipo-germânico.

O público quer ver mais cenas como esta
No mais, há o clamor geral por mais ultrapassagens, considerada muito importante para o espetáculo por 86% dos participantes. 89% dos mesmos acham que é preciso fazer modificações nos carros para que as ultrapassagens voltem à F-1, o que explica a eterna queda-de-braço entre a FIA e os engenheiros das equipes. E, embora a FIA destacasse o fato do público reconhecer que as paradas nos boxes trazem emoção às corridas, ela não pode ignorar um número importante: para 64% dos fãs, há muita ênfase nas estratégias de pit-stops e pouca nas habilidades dos pilotos. Cabe à entidade encontrar um formato tecnológico e esportivo que os obrigue a brigar mais por posições na pista e menos nos boxes.

Para encerrar, 37% concordaram com a afirmação proposta de que a F-1 é bem gerenciada, enquanto 30% discordaram. Para mim, este é o dado mais relevante de toda a pesquisa. Desconsiderando os 33% que não responderam à pergunta, quase metade se mostra insatisfeita com a maneira ora indecisa ora autoritária com que a categoria têm sido conduzida. Certamente, se a pesquisa tivesse sido feita após os episódios do amortecedor de massa da Renault ou da punição feito ao espanhol por "bloquear" Felipe Massa em Monza, os números teriam pendido mais para os que discordam. Reflita bem sobre isto, caro Max...

Para ver a pesquisa completa, acesse: http://www.fia.com/mediacentre/Press_Releases/FIA_Sport/2006/September/260906-03.html

Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
 Leia mais colunas de LuisFernando | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação