Tive o privilégio de estar em Monza no último fim-de-semana e viver de perto o histórico anuncio da aposentadoria de Michael Schumacher. Foi impressionante constatar sua capacidade de dividir opiniões dentro do paddock. De um lado, ouvi Felipe Massa chamando-o de um "amigo, que com seus gestos mostra o grande caráter que tem". Niki Lauda disse que o alemão é "inigualável, o maior de todos os tempos e a Fórmula 1 nunca mais vai encontrar alguém assim".
Do outro lado, porém, estavam os comentários de um monte de desafetos que o alemão somou na carreira. Rubens Barrichello: "o pessoal vai sempre lembrar das besteiras que ele fez". O irmão Ralf Schumacher: "É um piloto rápido a menos". David Coulthard: "Sempre se pode questionar sua ética nas pistas, mas é preciso reconhecer que ele é um grande campeão e que vivemos o fim de uma era". Fernando Alonso: "É o piloto mais anti-desportivo da história, o que não significa que não era o melhor".
Se deixarmos de lado nossas próprias opiniões, podemos perceber um certo padrão entre as pessoas que estão lá dentro: ainda que se tenha reservas quanto à sua pessoa, ninguém questiona o excepcional piloto que o alemão é. E o que vai ficar na história é exatamente isto: sua pilotagem superior e eficiente. Afinal, desde Juan Manuel Fangio que um piloto não dominava uma era com tanta facilidade. E em uma era em que tantas facilidades são oferecidas aos pilotos, como controle de tração e largadas automáticas - nivelando-os por baixo -, Schumacher conseguiu se manter no topo por muito tempo. Gênio, no mínimo.
O vídeo abaixo é meio antigo, mas traz um interessante estudo sobre o estilo do alemão. Confiram:
Schumacher pode estar de saída, mas seu trono já tem dono. A era Fernando Alonso já está em curso e, enquanto paddock comentava o anúncio do alemão, Alexander Wurz me confessava seu espanto. "A pilotagem que Alonso fez hoje foi heróica, foi campeã. Ele é um grande lutador". Concordei e lembrei que, depois do que já tinha mostrado na Hungria, o espanhol bem que está merecendo este título.
Sai do topo um pilotaço pouco acessível e nada carismático, entra outro com as mesmíssimas características. Preparem-se...
Sobre a punição dada ao espanhol, Wurz foi diplomático. "Olhando pela tevê, me deu a impressão de que Massa na verdade foi ajudado ao ganhar vácuo na reta, o que sabemos ser importante em Monza. Mas a Ferrari dispõe dos dados de telemetria. Se os engenheiros viram alguma coisa de errada através deles, têm todo o direito de protestar".
Aos jornalistas brasileiros, Massa disse que foi mesmo prejudicado e que o incidente lhe custou a pole-position - de fato, as duas primeiras parciais do brasileiro lhe dariam a pole, mas na Parabólica ele perdeu tempo.
A volta de Massa pode ser conferida aqui:
O desabafo de Alonso, aqui:
A explicação de Max Mosley, aqui:
A decisão da FIA foi dúbia, mas uma coisa é certa: a decisão deste Mundial vai ferver, aguardem!