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| » » » 30.08.06 |
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| O futuro de Felipe |
30.08.06 |
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Passada a festa e discutidas as circunstâncias da primeira vitória, resta refletir agora qual futuro está reservado para Felipe Massa. Daqui a pouco mais de uma semana, a Ferrari deve anunciar com quem correrá em 2007. Para o brasileiro, estão desenhados três possíveis cenários. Mas só um deles parece realmente positivo para que Massa realmente consiga se estabelecer como um dos pilotos de ponta da Fórmula 1. Vamos às possibilidades:
1) Michael Schumacher e Kimi Räikkönen na Ferrari; Felipe Massa na Toro Rosso
É talvez a possibilidade mais provável. Já faz algum tempo que Massa vêm afirmando que vai estar na Fórmula 1 como piloto titular em 2007. Além do mais, Nicolas Todt teve uma reunião no paddock em Istambul com Gerhard Berger. Ao que parece, a equipe italiana estaria disposta a ceder seus motores V8 para a Toro Rosso em troca de um cockpit para Massa.
Se isso se concretizar, acredito que o futuro de Massa como "escudeiro" na Ferrari esteja definitivamente selado. Ficando um ano fora, ele perderia qualquer possível vantagem em um duelo com Kimi Räikkönen em Maranello por estar a mais tempo na equipe. O finlandês passaria o ano de 2007 correndo ao lado de Schumacher e assumiria as regalias deste a partir do ano seguinte, com o provável retorno de Felipe.
2) Michael Schumacher e Kimi Räikkönen na Ferrari; Felipe Massa testando pela equipe
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| Em 2000, campeão inglês da F-Renault |
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Ao contrário de muitas vozes, pessoas próximas a Schumacher afirmam que o alemão vê um duelo direto com o rápido finlandês como o último grande desafio de sua carreira. Superá-lo com o mesmo equipamento e de quebra levando o título de 2007 - algo muito provável dada a familiaridade da Ferrari com os pneus Bridgestone, em detrimento a McLaren e Renault - seria o encerramento que Schumacher sonha antes de se aposentar. Um possível indício desta combinação pôde ser visto ao final do GP da Alemanha: Jean Todt foi ao parque fechado, abraçou o vencedor Schumacher e deu uns tapinhas no ombro de Räikkönen, o terceiro colocado. Massa foi ignorado.
Para o brasileiro, este cenário seria mais uma confirmação de que a equipe deposita todas suas fichas para o futuro no finlandês. Porém, a meu ver, seria uma solução um pouco melhor que a de ser emprestado para a Toro Rosso. Em que pese a falta de prática em corridas, Massa participaria diretamente do desenvolvimento do modelo de 2007 e, mais importante, do de 2008, quando reassumiria um lugar de titular na Ferrari.
3) Kimi Räikkönen e Felipe Massa na Ferrari; Michael Schumacher se aposenta
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| Em 2000, campeão europeu e italiano da F-Renault |
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Qualquer um que acompanha os bastidores da Fórmula 1 percebe que a motivação do piloto alemão permanece inalterada. Ao que parece, se ele decidir se aposentar no fim deste ano, o motivo será mesmo familiar: a mulher Corinna e os filhos Michael e Gina teriam pedido ao piloto que passasse mais tempo em casa, retribuindo todo o apoio que recebeu deles durante a carreira. O paddock de Istambul também deu uma pista de que esta solução é possível: Bernie Ecclestone afirmou à tevê alemã ter a informação de que Schumacher vai parar - e ele quase nunca erra.
Aqui reside a chance de Felipe Massa se tornar em pouco tempo um constante vencedor de corridas e possivelmente um campeão mundial. O brasileiro é tão rápido (ou quase tão rápido) quanto o finlandês. Mas teria a vantagem de já contar com a simpatia da equipe, de saber como se trabalha lá dentro e de ter uma personalidade muito mais fácil que a de Räikkönen. Se transformar estes fatores em resultados positivos, logo teria condições de brigar sempre pelas primeiras posições, com apoio total dos homens de Maranello.
Juro que esfrego as mãos de alegria ao imaginar uma briga direta entre Massa e Räikkönen. Os dois têm alguns pontos em comum interessantes, a começar que são naturalmente velozes. Ambos também precisaram de apenas um teste para fazer brilhar os olhos de raposa de Peter Sauber e conseguir um lugar na F-1 - são poucos os que conseguem andar assim logo de cara. Mas o ponto mais importante é que os dois chegaram em equipes de ponta na Fórmula 1 sem jamais disporem de muito dinheiro e/ou grande patrocinadores pessoais ao longo da carreira. No automobilismo atual, cada vez mais mercantilista, é preciso mesmo muito talento para passar por este apertado funil sem ter os bolsos cheios.
No ano 2000, ambos correram com o mesmo equipamento. Massa dominou os campeonatos Europeu e Italiano de Fórmula Renault, enquanto que Räikkönen foi campeão do certame inglês. Os dois se enfrentaram diretamente apenas em duas etapas do Europeu, com o finlandês vencendo em ambas ocasiões: uma em Donington Park, na "casa" de sua equipe, e outra em Spa-Francorchamps.
Ainda que Felipe Massa não seja titular da Ferrari no ano que vem, não me surpreenderei se ele trabalhar duro e ainda assim se tornar campeão mundial um dia - contrariando as previsões que fiz nas linhas anteriores. A maneira natural com que encarou a vitória na Turquia, já comentada aqui na coluna do Panda, é uma confirmação de sua personalidade, profissional e eficiente.
No contato pessoal que tive com ele, deu para depreender que Massa é um cara que sabe dominar muito bem as emoções, além de tratar a todos com imenso respeito. No GP da Hungria do ano passado, ainda no motorhome da Sauber, ele passou quase uma hora atendendo a jornalistas do mundo todo em meio ao frenesi causado pelo vazamento da informação de que iria para a Ferrari. Depois, sempre calmo e compenetrado, passou mais meia hora numa conversa comigo, explicando em detalhes e com uma linguagem clara diversas particularidades técnicas da Fórmula 1, coisas óbvias para ele mas não tão claras para um leigo como eu e você.
Desde então, eu não duvido mais das capacidades de Felipe Massa em ir longe na categoria. Nem Jean Todt, pelo que falou no último domingo. "Hoje eu tenho um sentimento de que ele é um novo campeão. Para mim é bom ver um amigo quando ele está na merda e é bom julgar um piloto quando ele não está vencendo. Julgar alguém quando se tem problemas é mais difícil, mas é também mais recompensador. Eu confirmo que sempre achei Felipe um piloto muito talentoso. É por isso que o contratamos há muitos anos atrás e estamos muito felizes de tê-lo conosco". Só para lembrar, a Ferrari assinou com ele em 2001, quando ele ainda estava na F-3000 Européia. Isso já diz muito.
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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