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Pára ou continua? 30.07.06
Ainda que a briga pelo título da temporada esteja ficando cada vez mais interessante, o paddock da Fórmula 1 parece estar interessado apenas no futuro de Michael Schumacher. Jornalistas, técnicos e VIPs passaram a maior parte do tempo tentando decifrar os sinais recém-surgidos em torno do assunto.

Em Hockenheim, o alemão afirmou que a decisão sobre seu futuro só será anunciada em Monza. Pessoalmente, acredito que o alemão celebrará uma versão moderna do "Dia do Fico" no autódromo italiano. Vamos aos indícios:

1) Se fosse parar, o alemão não correria seu último GP da Alemanha sem que sua torcida soubesse e preparasse uma devida homenagem a ele.
2) Jean Todt anunciou na última semana que continuará na Ferrari no ano que vem, Ross Brawn também está garantido. Família unida permanece trabalhando unida.
3) Ao longo do fim-de-semana, Felipe Massa tentou desconversar sobre seu futuro, mas soltou um enfático 'na Fórmula 1 eu continuo com certeza'. Soou como se ele já soubesse onde correrá em 2007. Não será na Ferrari, mas em uma equipe que utilizará os propulsores italianos: a Toro Rosso. Quando o alemão efetivamente pendurar as sapatilhas, as portas da matriz estariam abertas ao seu retorno.
4) Schumacher jura não se importar com recordes, mas quem o conheceu bem de perto, como seu ex-companheiro na Benetton, Johnny Herbert, afirma que isto não é verdade e que o alemão almeja ainda superar duas marcas: a de 256 GPs disputados de Riccardo Patrese (ele tem 243) e de 100 vitórias (com a de hoje, 89).

Há porém quem acredite que, se vencer seu oitavo título, Schumacher não desperdiçará a chance de sair por cima - ainda mais diante da perspectiva de correr ao lado do veloz Kimi Räikkönen em 2007. Acho difícil. Vendo sua determinação e a empolgação demonstrada após cada triunfo, não dá para imaginá-lo vivendo uma vida pacata na Suíça, brincando com os filhos ou acompanhando o futebol alemão de pantufas em frente da tevê.

O certo é que a decisão de Schumacher derrubará o castelo de cartas do mercado de pilotos. Se ele continuar, o mais provável arranjo seria o seguinte, com os nomes oficialmente confirmados em negrito:

RENAULT: Giancarlo Fisichella e Heikki Kovalainen
McLAREN: Fernando Alonso e Lewis Hamilton
FERRARI: Michael Schumacher e Kimi Räikkönen
TOYOTA: Ralf Schumacher e Jarno Trulli
WILLIAMS: Mark Webber e Nico Rosberg
HONDA: Rubens Barrichello e Jenson Button
RED BULL: David Coulthard e Vitantonio Liuzzi
BMW: Nick Heidfeld e Robert Kubica
MIDLAND: Tiago Monteiro e Christijan Albers
TORO ROSSO: Felipe Massa e Scott Speed
SUPER AGURI: Takuma Sato e Anthony Davidson

Do grid do último domingo, portanto, sairiam de cena Pedro de la Rosa, Jacques Villeneuve, Christian Klien e Sakon Yamamoto. Ninguém vai sentir falta.





É possível que alguns partidários da teoria da conspiração liguem o desempenho abaixo do esperado da Renault em Hockenheim à proibição imposta pela FIA do contrapeso com amortecedor que havia no nariz do R26 - já que, na prática, o resultado da prova foi muito bom para a Ferrari. Não é verdade. O problema estava nos pneus: a equipe utilizou um composto com construções diferentes ao usado pela Honda e pela McLaren. E pagou caro por isso. Bolhas apareceram nos pneus traseiros e comprometeram o ritmo de Alonso e Fisichella. "Talvez fomos agressivos demais com o produto que trouxemos aqui", admitiu o diretor da Michelin, Nick Shorrock.





A participação de Cacá Bueno na Porsche Supercup, corrida preliminar da Fórmula 1, confirma o rumo que o automobilismo brasileiro tomou, concentrado em categorias de turismo. O sucesso do pacote Stock Car-Globo, aliado a alguns outros fatores, tiraram os investidores e deixaram as categorias de base de monoposto no Brasil à míngua: a Fórmula Renault deve fazer sua última temporada neste ano e a F-3 Sul-Americana continua com um grid menor do que qualquer corrida de kart indoor.

Assim, sem um trabalho bem feito de formação, vai se aproximando o dia em que teremos de mostrar para nossos filhos antigos vídeos de uma época em que brasileiros corriam na Fórmula 1. Depois de Barrichello e Massa, os únicos (sobre-) nomes com chances realistas de chegarem lá são os de Nelsinho Piquet e Bruno Senna. Atrás deles, reina um árido deserto. É triste.

Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos

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