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Verão de decisões 16.07.06
Deu até pena dos franceses: depois de verem o Pelé deles perder a cabeça numa provocação barata do Chicão italiano em plena final de Copa do Mundo, tiveram de agüentar uma semana depois outra festa de San Gennaro. E no próprio quintal. Porque a Renault transformou a edição de 2006 do GP da França em um mega-evento: botaram em um estande um Fórmula 1 cujo motor estava programado para acelerar no ritmo da "Marselleise" - num canto tão impressionante quanto bizarro - e ainda bancaram um show do Pink Floyd nas cercanias de Magny-Cours. Tudo para comemorar os 100 anos do triunfo deles no primeiro GP de todos os tempos.

Provavelmente eles, como eu, esperavam um passeio dominical de Fernando Alonso na corrida. Foi assim no ano passado e estava sendo assim nesta temporada, com a esperada exceção de Indianápolis. Pois não é que a Bridgestone finalmente acertou a mão e preparou um pneu superior aos da marca rival? Impressionou não apenas a superioridade da Ferrari e de Schumacher, mas também o bom ritmo dos carros da Toyota, normalmente condenados a posições intermediárias.

O negócio é preparar um café bem forte para os próximos domingos, porque o título de 2006 vai ser decidido neste verão europeu. O fato é que os pneus japoneses mostraram na França que são superiores em temperaturas muito altas, condições que devem se repetir na Hungria e na Turquia e, muito provavelmente, já em duas semanas na Alemanha.

Se Alonso mantiver esse ritmo de perder dois pontos por corrida para Schumacher, chegará em Monza com 11 pontos de vantagem. E o GP da Itália, última prova veraneia do ano, deverá ocorrer num clima mais primaveril - onde a Michelin se saiu melhor na primeira metade do Mundial. Abrindo mais vantagem ali, o espanhol dá o golpe psicológico para o título. Mas se a contenda estiver praticamente empatada depois da bandeirada em Monza, ficará difícil reverter o momento de Schumacher.

Enfim, são meras suposições de um escriba que, há três semanas, garantiu que Alonso já era campeão. Certo mesmo é que este campeonato traz um interessante paradoxo: uma sucessão de corridas insuportáveis, com uma emocionante briga de gato-e-rato pelo troféu de campeão.





E o verão será também decisivo no mercado de pilotos. Acredito que as novidades já comecem a aparecer em Hockenheim, embora o efeito dominó seja esperado mesmo para Monza, quando Michael Schumacher deve anunciar seu futuro. Os rumores surgidos hoje de que Alonso trabalha para que a Renault o compre de volta da McLaren não devem ser levados a sério: Ron Dennis é espertalhão demais para não ter redigido um contrato à prova de arrependimentos. Mas acho também há mais por trás da saída repentina de Montoya do que relatam as fontes oficiais - e é aí que residem os temores de Alonso em relação à sua nova equipe.

Assim, a dança das cadeiras é um triste retrato da F-1 atual: apenas três pilotos de ponta, sendo que um espera ser campeão para se aposentar; outro vai correr em uma equipe que - pelo menos no momento - não é mais de ponta; e um terceiro que só aceita correr no carro vermelho e espera a aposentadoria do primeiro. Se este quadro se realizar, com Schumacher em casa, Alonso na McLaren e Kimi na Ferrari, vamos terminar 2007 sabendo cantar o hino da Finlândia de cor e salteado.





Muito legal a repercussão da minha última coluna sobre pilotos virtuais. Bom saber que não sou o único maluco que se deleita a valer com um volante na frente de uma tela luminosa. Para quem quiser se arriscar no delicioso Grand Prix Legends, uma dica: na comunidade deste jogo no Orkut tem a orientação para baixá-lo gratuitamente da Internet. Vale a pena!

Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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