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| » » » 05.07.06 |
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| Piloto de computador |
05.07.06 |
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Existe uma certa perversidade em esportes de elite. O custo alto impede que um sujeito como eu passe horas a fio dando tacadas de golfe em um clube grã-fino, pulando obstáculos com meu cavalo em uma hípica, ou ainda que eu tivesse passado minha infância num kartódromo, afinando meus dotes de pilotagem. Não que, se tivesse os meios, teria me tornado um bom piloto. Há casos de sobra por aí provando isto. Mas pelo menos teria tido uma chance para tentar.
Confesso que sempre tive uma certa frustração em relação a isto, eventualmente abafada em animadas corridas com karts de aluguel. Mas sabia que pilotar não podia ser apenas aquilo, disputando freadas com amigos e acelerando tudo. Tinha que ser algo mais refinado. Eis que, com um investimento de cerca de 250 reais, meus problemas acabaram, e todo o dia agora eu piloto para valer. E sem sair de casa!
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| O garoto aí exagerou, mas o espírito é esse mesmo! |
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Foi o que eu gastei em um desses volantes para PC e em uma nova placa de vídeo, além de comprar os joguinhos certos. Claro, adoro games de corrida desde os tempos do Enduro, no Atari. Na época do 386, aqueles computadores com imagens bicolores e disquetes flexíveis, passava horas jogando um game que incluía o traçado de Jacarepaguá. Claro, na prática o carro ficava parado no meio da tela e eram as curvas que se mexiam, mas o que valia era a diversão.
Mesmo em anos mais recentes, gastei mais horas pilotando na telinha do que assistindo televisão, por exemplo. No topo da lista, claro, a série GP, GP2, GP3 e GP4, que me coloca na disputa com Schumacher e companhia. Mas também saciei minha vontade com jogos de outras linhas, como o Colin McRae 2.0, que me fez um campeão mundial de rali.
Tudo muito legal até, que caiu no meu colo o Grand Prix Legends. Ele não é um joguinho de corridas, mas um simulador de corridas. As reações do carro às menores mudanças na aceleração, na frenagem ou mesmo no acerto são imediatamente perceptíveis. Tanto que, ao contrário dos jogos acima citados, neste não dá para ser rápido correndo apenas no teclado, pois uma tecla não simula apenas meio curso de aceleração ou de freio.
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| Lotus, Ferrari e Honda no fantástico GPL |
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O GPL traz pro seu micro a temporada de 1967, a época dos "charutinhos", e o resultado é fascinante. Desde que tenho me ocupado com ele, refinei não apenas minha técnica de pilotagem, mas acabei estudando e aprendendo um montão de coisas sobre a engenharia de carros de corrida, os efeitos que uma mudança de regulagem no difusor, no amortecedor ou na pressão dos pneus causa no comportamento do carro.
Com o tempo, fui pesquisando e
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| Saindo dos boxes de SPA: a pilotagem vai começar no GTR |
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descobrindo outros ótimos simuladores. Absolutamente recomendável é o GTR, que traz os carros do mundial FIA GT, como a Ferrari 550 Maranello. Aqui também o comportamento dos carros é real e a arquitetura do jogo permite que você mexa bastante no carro e aprenda muito sobre eles. Além do mais, pude realizar o sonho de pilotar um Porsche 911 GT3 em Spa-Francorchamps. Só o tempo de volta foi fraquinho...
No momento, ando me concentrando no único simulador de rali realista que existe, o Richard Burns Rally. Lançado pouco após o saudoso piloto abandonar as competições,
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| O melhor simulador de rali traz o nome do saudoso Richard Burns |
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o jogo reforça ainda mais o talento que essa turma tem de andar num ritmo alucinante em estradas apertadas. A resposta que o motor turbo dá ao menor movimento do acelerador é de meter medo!
Claro, se você quer se dedicar a estes simuladores, tem de se armar com muita paciência. Como na vida real, você não conseguirá sentar no carro e sair vencendo corridas sem treinar e treinar e treinar por muito tempo. Mas vale a pena sentir o prazer de ver sua técnica melhorando a cada semana, de constatar que seus recordes pessoais em cada pista estão caindo constantemente.
Obviamente que o jogo não simula um aspecto importante do automobilismo de verdade, que é a ação da física. Fazer a Eau Rouge controlando aceleração, freio, virando o volante e eventualmente mudando marchas sentado no conforto de casa é fácil. Mas quando entram em ação a força G, o calor insuportável do cockpit, a adrenalina e a consciência de que um erro vai doer muito - no corpo e no bolso, a coisa complica um pouco mais.
Mas não duvide do poder dos simuladores. Um dos melhores jogadores do mundo de Grand Prix Legends é um brasileiro, Leandro Schmidt. Em 2004, ele foi convidado para disputar a etapa de abertura do Trofeo Maserati no Brasil, em dupla com Walter Derani. Ao ver o ritmo do garoto, Derani simplesmente desistiu de efetuar a troca e ficou torcendo dos boxes. Schmidt venceu a prova em Curitiba, ganhando inclusive do piloto que seria o campeão da temporada, Lico Kaesemodel. Sua experiência antes da corrida, fora os computadores? Duas corridinhas de kart...
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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