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O desafio de Alonso 12.06.06


"Louquinho" voador no kart
Lembro como se fosse ontem a primeira vez em que Fernando Alonso me chamou a atenção como dono um futuro brilhante na Fórmula 1. Era 12 de agosto de 2000, no fim da tarde de um sábado quente pra danar em Hungaroring, e eu conversava com Ricardo Maurício no motorhome da Red Bull Junior Team, sua equipe na finada Fórmula 3000 Internacional. O brasileiro segurava com orgulho o troféu que recebera pela terceira posição na corrida (e, acredite, um 3° lugar numa categoria competitiva como aquela valia o mesmo que uma pequena vitória), mas um lance me chamou a atenção na corrida. Na relargarda após um período de Safety Car, Maurício abdicara claramente de pressionar Alonso, que estava à sua frente, se concentrando apenas em se defender de um possível ataque do piloto que vinha atrás, o francês Nicolas Minassian. Quando eu perguntei o motivo disso, o brasileiro respondeu como quem foge do assunto. "Não valia a pena, o Alonso é meio... louquinho".

"Louquinho" vencedor na F-3000
Já era a segunda temporada da categoria que eu acompanhava de perto. Conhecia muito bem Ricardo Maurício para saber que ele não era (e não é) piloto que foge de uma disputa para ganhar uma posição, ainda mais ali, na grande vitrine diante do nariz dos chefões da Fórmula 1. E conhecia muito bem aquela turma de jovens selvagens para saber que os pilotos ali mal tinham respeito pela própria mãe, quanto menos por um adversário nas pistas (uma atitude correta, aliás, para quem está ali, no gargarejo da F-1).

Aquele grid tinha pilotos de comprovada qualidade. Mark Webber e Christijan Albers correm hoje na F-1. Sébastien Bourdais não para de ganhar nos Estados Unidos. Mas foi algo na voz ou no olhar de Ricardo Maurício que me chamou a atenção. No fundo, ele estava demostrando um certo respeito por Fernando Alonso. Quem, como ele, entendia do assunto sabia que o espanholzinho, o mais jovem daquele grid, tinha mesmo algo de especial, de fora-de-série.

"Louquinho" testando um Jaguar
Já não há qualquer dúvida que todo aquele potencial previsto no olhar de Maurício, naquela tarde, se confirmou com sobras. Vejamos a atual temporada: 74 pontos em oitenta possíveis. E isto com um conjunto nem tão superior assim ao dos adversários, é só olhar o que o Fisichella, o "Rubinho do Alonso", fez até agora. Em 2004, quando a Ferrari deitava e rolava em cima dos rivais, Schumacher somou 70 pontos em 8 corridas (seriam 76 ou 78 não fosse uma barbeiragem do Montoya pra cima do alemão em Mônaco, mas o que conta é resultado).

O ano começou com uma vitória aguerrida no Bahrein em uma disputa apertada com Schumacher. E teve como capítulo mais recente um passeio dominical em Silverstone. Se nevar no Brasil ou o Togo ganhar esta Copa, pode até ser que Alonso não seja campeão este ano. Não basta a conhecida capacidade do chassi da Renault se adaptar bem a circuitos de características distintas e da durabilidade de seu equipamento, a guerra dos pneus parece que não sairá do atual empate técnico. Com tudo a seu favor, a FIA já deve até estar gravando o nome do espanhol no troféu que será oferecido em uma cerimônia de gala no fim do ano.

"Louquinho" vencendo o GP da Inglaterra
Claro que Alonso não vai perder de vista o alvo até a matemática lhe garantir a contenda, mas eu fico imaginando se, antes de dormir, ele não fica olhando pro teto tentando entender que diabos passou pela sua cabeça ao assinar com a McLaren. Desde que o acordo foi anunciado, a equipe perdeu seus principais nomes na parte técnica e, apesar de alguns brilhos esporádicos, não é nem sombra do que foi no ano passado.

Apesar de ser grande admirador Ayrton Senna, Alonso acabará tendo que emular Michael Schumacher em 2007: um jovem bicampeão do mundo que sai de uma equipe dirigida por Flavio Briatore e vai para uma decadente potência. Claro, na McLaren não há uma enorme pressão da mídia, nem muitos anos sem títulos, muito menos uma tradição histórica a zelar. Mas sua primeira tarefa será a mesma de Schumacher em 1996: botar ordem na casa e motivar a equipe em torno de si. Só então será possível pensar em título. Que ele vai conseguí-los, eu não tenho a menor dúvida, só não sei dizer quanto tempo vai demorar. Acho que não muito, diria 2008. Duvida?

Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos

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