Sessão Colunas
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
18.12.08
Cartas - Segunda quinzena de Dezembro
Cartas - Primeira quinzena de Dezembro
Friends
05.12.2008
Ouro, prata, bronze
Biografia de uma ultrapassagem
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
17.12.08 - Ricardo Divila
Ingo, grande Ingo
Grande respeito!
01.12.08 - Ernesto Rodrigues
Lastro ou nitro?
Bate neles, Rubinho!
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 12.05.06
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
A maior corrida de Ayrton Senna 12.05.06


Estoril-85? Donington-93? Nada disso. A maior corrida de Fórmula 1 de Ayrton Senna foi vivida no sofá de sua casa, na Inglaterra. "Nem antes, nem depois houve um Grande Prêmio com a mesma qualidade deste. Só de assistir deu para ficar com as mãos suadas. Meus cumprimentos a todos os pilotos que participaram desta incrível corrida", relembrou o brasileiro no início de 1994, poucos meses antes de seu acidente fatal em Ímola.

O espanhol Villota pronto para correr: FISA não deixou
Senna se referia ao Grande Prêmio da Espanha de 1981. Por mais idolatria ou crítica que se tenha em relação ao tricampeão brasileiro, é inegável seu fascínio quase psicopata por uma boa corrida, seja qual for a importância ou a modalidade. E a prova em Jarama, a mais famosa das seis vitórias de Gilles Villeneuve na Fórmula 1, foi um baita corridaço.

O fim-de-semana começou com os velhos problemas de organização dos espanhóis. A primeira sessão de treinos teve um atraso de 75 minutos pois não havia um helicóptero à disposição e os pneus de proteção nos pontos perigosos estavam soltos - e não presos uns aos outros. Para complicar, ainda tentaram dar um golpe na equipe ATS, impedindo-a de correr sob a alegação de que os papéis de inscrição foram enviados com atraso - tudo para tirar o sueco Slim Borgudd da disputa e abrir vaga para o herói local Emilio de Villota. A FISA entrou em ação ordenou: Villota, fora; Borgudd, de volta, ameaçando tirar o status de corrida válida pelo mundial. Funcionou.

"Eles não conseguem nem organizar uma corrida de paróquia", resmungou Bernie Ecclestone, então presidente da FOCA, a associação dos construtores. "No ano que vem a gente não volta pra cá", continuou, ilustrando uma rara ocasião em que FISA e FOCA concordaram naquele início dos anos 80. E promessa é divida: apenas em 1986, em Jerez de la Frontera, que os espanhóis voltara a ver a Fórmula 1 em seu país.

Apenas 1s24 separando o vencedor do 5° colocado!
Os treinos foram dominados pela Ligier de Jacques Laffite, um especialista em Jarama. "Na primeira curva eu conheço uma linha diferente. Quando é preciso, posso frear 40 metros depois que os outros pilotos", gabou-se. Era sua terceira pole-position consecutiva no circuito, incluindo aí a corrida de 1980 que acabou não valendo para o mundial. Mas vitória que é bom, o francês ainda não tinha conseguido. "Dessa vez, vai", jurou. Não foi.

Com os carros alinhados para a largada, o diretor de prova inexplicavelmente demorou tempo demais para acionar a luz verde, tempo o suficiente para a embreagem da Ligier de Laffite cozinhar. "O carro então começou a se mexer sozinho e eu tive de pisar no freio para não queimar a largada. Bem nessa hora, a luz acendeu", explicou depois. Uma nuvem de carros passou voando e o piloto da Ligier cruzou a primeira volta apenas na 11ª posição.

A liderança foi assumida pela dupla da Williams, com Alan Jones à frente de Carlos Reutemann. Quem fez uma largada espetacular foi Gilles Villeneuve. Bem a seu estilo, com duas rodas no asfalto e as outras duas na terra, saltou do sétimo para o terceiro lugar. Na volta seguinte, deixou Reutemann para trás com uma linda ultrapassagem na entrada de uma curva, por fora. Enfim, Gilles em sua essência.

Gilles comemora aquela que seria sua última vitória na F-1
Jones disparou na frente com o ótimo carro da Williams. Mas o que se prenunciava uma corrida chata ganhou novo significado graças a um erro do australiano na 19ª volta, que freou tarde demais numa curva e foi parar na brita. Empurrado pelos fiscais de pista, Jones voltou à prova apenas na 16ª posição, sem qualquer chance de lutar pela vitória.

Villeneuve assumiu a ponta, perseguido de perto por Reutemann. Os acontecimentos foram se sucedendo: Prost ficou atolado na brita, Andretti e Piquet se tocaram antes do brasileiro ir parar nas cercas de proteção após um erro e Laffite foi deixando todos os adversários para trás usando a sua "linha especial". Faltando 30 das 80 voltas previstas, formou-se um grupo de cinco pilotos lutando pela vitória: Villeneuve, Reutemann, Watson, Laffite e De Angelis.

O argentino caiu da segunda para a quarta posição quando o grupo foi colocar uma volta sobre o chileno Eliseo Salazar. Logo em seguida, Laffite ultrapassou Watson e parecia disposto a tudo para bater Villeneuve e ganhar pela primeira vez em Jarama. O canadense, porém, fez mágica: na entrada das curvas, freava tarde e domava sua Ferrari como um peão de rodeio faz com um touro bravio. Na saída delas, aproveitava a maior potência do turbo que tem para manter a diferença. Foi assim até o final, com cinco carros, todos de equipes diferentes, andando colados uns aos outros em ritmo alucinante. Como se fossem um só Fórmula 1, de 20 rodas.

Um piloto que não precisou de títulos para virar mito
Nas voltas finais, o motor da Ferrari começou a engasgar, denunciando que o combustível estava chegando ao fim. Villeneuve concentrou-se ao máximo para manter a ponta, tanto que nem percebeu quando recebeu a bandeira quadriculada. No meio da volta seguinte, a gasolina acabou de vez e o piloto ficou no meio do circuito. Quando desceu decepcionado do carro e olhou para o público, Gilles finalmente percebeu o que havia acontecido. "Era muito aplauso para alguém que tinha perdido a corrida".

Perguntado depois do espetáculo que tinha protagonizado, o canadense foi fiel ao seu jeito de ser: ultra-sincero. "Supershow? Só se foi para quem estava de fora. Para mim, foi um inferno. O calor era insuportável e eu tinha a pressão ininterrupta de Reutemann, Watson e Laffite para acabar de me esgotar. Tive de fazer o diabo para não errar nenhuma vez".

Da sua casa, Ayrton Senna sorria de contentamento. "Corridão", pensou.

Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos

 Leia mais colunas de LuisFernando | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação