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| » » » 12.05.06 |
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| A maior corrida de Ayrton Senna |
12.05.06 |
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Estoril-85? Donington-93? Nada disso. A maior corrida de Fórmula 1 de Ayrton Senna foi vivida no sofá de sua casa, na Inglaterra. "Nem antes, nem depois houve um Grande Prêmio com a mesma qualidade deste. Só de assistir deu para ficar com as mãos suadas. Meus cumprimentos a todos os pilotos que participaram desta incrível corrida", relembrou o brasileiro no início de 1994, poucos meses antes de seu acidente fatal em Ímola.
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| O espanhol Villota pronto para correr: FISA não deixou |
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Senna se referia ao Grande Prêmio da Espanha de 1981. Por mais idolatria ou crítica que se tenha em relação ao tricampeão brasileiro, é inegável seu fascínio quase psicopata por uma boa corrida, seja qual for a importância ou a modalidade. E a prova em Jarama, a mais famosa das seis vitórias de Gilles Villeneuve na Fórmula 1, foi um baita corridaço.
O fim-de-semana começou com os velhos problemas de organização dos espanhóis. A primeira sessão de treinos teve um atraso de 75 minutos pois não havia um helicóptero à disposição e os pneus de proteção nos pontos perigosos estavam soltos - e não presos uns aos outros. Para complicar, ainda tentaram dar um golpe na equipe ATS, impedindo-a de correr sob a alegação de que os papéis de inscrição foram enviados com atraso - tudo para tirar o sueco Slim Borgudd da disputa e abrir vaga para o herói local Emilio de Villota. A FISA entrou em ação ordenou: Villota, fora; Borgudd, de volta, ameaçando tirar o status de corrida válida pelo mundial. Funcionou.
"Eles não conseguem nem organizar uma corrida de paróquia", resmungou Bernie Ecclestone, então presidente da FOCA, a associação dos construtores. "No ano que vem a gente não volta pra cá", continuou, ilustrando uma rara ocasião em que FISA e FOCA concordaram naquele início dos anos 80. E promessa é divida: apenas em 1986, em Jerez de la Frontera, que os espanhóis voltara a ver a Fórmula 1 em seu país.
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| Apenas 1s24 separando o vencedor do 5° colocado! |
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Os treinos foram dominados pela Ligier de Jacques Laffite, um especialista em Jarama. "Na primeira curva eu conheço uma linha diferente. Quando é preciso, posso frear 40 metros depois que os outros pilotos", gabou-se. Era sua terceira pole-position consecutiva no circuito, incluindo aí a corrida de 1980 que acabou não valendo para o mundial. Mas vitória que é bom, o francês ainda não tinha conseguido. "Dessa vez, vai", jurou. Não foi.
Com os carros alinhados para a largada, o diretor de prova inexplicavelmente demorou tempo demais para acionar a luz verde, tempo o suficiente para a embreagem da Ligier de Laffite cozinhar. "O carro então começou a se mexer sozinho e eu tive de pisar no freio para não queimar a largada. Bem nessa hora, a luz acendeu", explicou depois. Uma nuvem de carros passou voando e o piloto da Ligier cruzou a primeira volta apenas na 11ª posição.
A liderança foi assumida pela dupla da Williams, com Alan Jones à frente de Carlos Reutemann. Quem fez uma largada espetacular foi Gilles Villeneuve. Bem a seu estilo, com duas rodas no asfalto e as outras duas na terra, saltou do sétimo para o terceiro lugar. Na volta seguinte, deixou Reutemann para trás com uma linda ultrapassagem na entrada de uma curva, por fora. Enfim, Gilles em sua essência.
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| Gilles comemora aquela que seria sua última vitória na F-1 |
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Jones disparou na frente com o ótimo carro da Williams. Mas o que se prenunciava uma corrida chata ganhou novo significado graças a um erro do australiano na 19ª volta, que freou tarde demais numa curva e foi parar na brita. Empurrado pelos fiscais de pista, Jones voltou à prova apenas na 16ª posição, sem qualquer chance de lutar pela vitória.
Villeneuve assumiu a ponta, perseguido de perto por Reutemann. Os acontecimentos foram se sucedendo: Prost ficou atolado na brita, Andretti e Piquet se tocaram antes do brasileiro ir parar nas cercas de proteção após um erro e Laffite foi deixando todos os adversários para trás usando a sua "linha especial". Faltando 30 das 80 voltas previstas, formou-se um grupo de cinco pilotos lutando pela vitória: Villeneuve, Reutemann, Watson, Laffite e De Angelis.
O argentino caiu da segunda para a quarta posição quando o grupo foi colocar uma volta sobre o chileno Eliseo Salazar. Logo em seguida, Laffite ultrapassou Watson e parecia disposto a tudo para bater Villeneuve e ganhar pela primeira vez em Jarama. O canadense, porém, fez mágica: na entrada das curvas, freava tarde e domava sua Ferrari como um peão de rodeio faz com um touro bravio. Na saída delas, aproveitava a maior potência do turbo que tem para manter a diferença. Foi assim até o final, com cinco carros, todos de equipes diferentes, andando colados uns aos outros em ritmo alucinante. Como se fossem um só Fórmula 1, de 20 rodas.
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| Um piloto que não precisou de títulos para virar mito |
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Nas voltas finais, o motor da Ferrari começou a engasgar, denunciando que o combustível estava chegando ao fim. Villeneuve concentrou-se ao máximo para manter a ponta, tanto que nem percebeu quando recebeu a bandeira quadriculada. No meio da volta seguinte, a gasolina acabou de vez e o piloto ficou no meio do circuito. Quando desceu decepcionado do carro e olhou para o público, Gilles finalmente percebeu o que havia acontecido. "Era muito aplauso para alguém que tinha perdido a corrida".
Perguntado depois do espetáculo que tinha protagonizado, o canadense foi fiel ao seu jeito de ser: ultra-sincero. "Supershow? Só se foi para quem estava de fora. Para mim, foi um inferno. O calor era insuportável e eu tinha a pressão ininterrupta de Reutemann, Watson e Laffite para acabar de me esgotar. Tive de fazer o diabo para não errar nenhuma vez".
Da sua casa, Ayrton Senna sorria de contentamento. "Corridão", pensou.
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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