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| » » » 03.05.06 |
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“É um monstro de dificuldade”. Foi assim que Rudolf Caracciola classificou Nürburgring após vencer na inauguração do traçado, em 19 de junho de 1927. Dá para dizer que ele foi até generoso. Em sua variação mais famosa – a “Nordschleife” –, o circuito possui 22,8 quilômetros e uma sucessão interminável de curvas de todos os tipos: 176 ao todo, em subidas e descidas, de alta e de baixa, cegas e abertas.
Não é à toa que Nürburgring é conhecido na Alemanha apenas como “Der Ring”, O circuito, com o artigo em maiúsculo. Ao longo de sua história, a Nordschleife consagrou pilotos de altíssimo calibre. Em 1935, os mais de 300 mil torcedores que foram assistir ao duelo de quatro Auto-Unions contra cinco Mercedes-Benz tiveram de se render ao italiano Tazio Nuvolari que, conduzindo uma mirrada Alfa Romeo da equipe de Enzo Ferrari, aproveitou as exigências do terreno para que seu talento se impusesse diante de maquinaria bem mais potente.
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| Em 64, John Surtess lidera Dan Gurney na saída da curva Karussell |
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Juan Manuel Fangio também viveu seu grande momento por lá, no seu tão cantado triunfo de 1957, quando baixou seu recorde da pista em mais de 20 segundos enquanto caçava impiedosamente as Ferraris de Peter Collins e Mike Hawthorn. Em 1968, foi a vez de Jackie Stewart brilhar em uma vitória de ponta-a-ponta sob condições terríveis de chuva ininterrupta e muita névoa. E alguns ousam dizer que o escocês era covarde, por sua incessante luta pela melhoria nas condições de segurança das pistas. O brasileiro José Carlos Pace era outro talento natural que se sobressaiu na pista: em 1973, fez a melhor volta da corrida e ficou em quarto lugar com um ultra-modesto Surtees.
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| De novo Surtees, voando com seu Honda no Flugplatz em 67 |
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A falta de segurança de um traçado tão longo, apertado e perigoso ficou evidente nos anos 60, quando os carros deram um grande salto em termos de performance. Em 1969, Gerhard Mitter morreu nos treinos do GP de Fórmula 1 com um carro de F-2, cuja participação era permitida para preencher o grid. No ano seguinte, os pilotos pressionaram e o GP da Alemanha foi realizado pela primeira vez em Hockenheim.
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| Jackie Stewart à vontade em "O circuito" |
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Nürburgring passou por reformas, teve algumas áreas de escapes aumentadas e guard-rails foram instalados nos lugares mais críticos, o suficiente para voltar a receber a F-1 a partir de 1971. Mesmo assim, as reclamações dos pilotos continuaram e ficou decidido que a corrida de 1976 seria a última por lá. Ao contrário do que muita gente pensa, o acidente de Lauda não foi determinante para que Hockenheim passasse a receber definitivamente o GP. A mudança já estava acertada antes mesmo que aquela prova fosse realizada.
O traçado atual, que receberá o GP da Europa no próximo domingo, foi inaugurado em 1984 e sofreu pequenas reformas desde então. Já era sem graça, ficou ainda mais. O verdadeiro “Der Ring” só mostra mesmo sua cara uma vez por ano, quando é realizada a prova de 24 Horas no Nordschleife. Dos modernos carros da DTM a artesanais Youngtimers, todos medem forças no mítico traçado e o evento é tão especial que recebe extensa cobertura de um canal esportivo alemão.
Para nós, pobre mortais, é possível dar uma volta em Nordschleife com o próprio carro, pela quantia nem tão módica de 14 Euros. O risco, claro, fica por conta do cliente, que assina um termo de responsabilidade antes de se aventurar pelo “Inferno Verde”. Para os fãs de games, vale indicar o eterno “Grand Prix Legends”, um simulador de corridas que simula a temporada de 1967 da Fórmula 1 e possui uma bonita e fiel reprodução de Nürburgring. Eu sempre me arrisco a dar umas voltinhas virtuais por lá, mas costumo apanhar bonito do circuito. Como eu disse, é lá que se consagram os grandes pilotos. Definitivamente eu não sou um deles.
Ficou todo mundo gastando saliva na última semana sobre a quebra do recorde de poles de Ayrton Senna por Michael Schumacher. Esqueceram que um piloto brasileiro ainda detém uma importante marca na Fórmula 1: Rubens Barrichello possui o maior número de terceiros lugares na história da categoria, ficando 26 vezes no degrau mais baixo do pódio.
O comentário eu deixo a cargo da letra de uma música da banda paulista Ultraje a Rigor:
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| GP da Europa do ano passado: Rubens em seu lugar cativo |
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"Todo equipado, preparado na linha de partida
Daqui a pouco vai ser dada a saida
Todo mundo nervoso e eu não tô nem aí
O importante é competir
Então tá, vamo lá, nem vou me preocupar
Já tá tudo armado pr'eu me conformar
Eu vou tentar só pra não falar que eu nem sou atleta
Ia ser legal chegar junto na frente
Mas iam falar que quero ser diferente
Tá bom demais, pelo menos eu não saio da reta
Por isso eu sempre sou
Terceiro! Ôba-Ôba!
Terceiro!
Pra mim tá louco de bom! "
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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