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| » » » 19.04.06 |
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| Hit the road Jack |
19.04.06 |
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| Empurrando o Cooper para seu primeiro título |
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A mídia automobilística deu pouco ou nenhum destaque para o 80º aniversário do mais antigo dos campeões mundiais ainda vivos, ocorrido no início do mês. O esquecimento só pode ser explicado por causa de sua maneira de ser, quieto, tranqüilo, de poucas palavras. Porque no panteão dos heróis da Fórmula 1, Jack Brabham ocupa um lugar no alto, bem no alto.
Sempre lembrado como único piloto a ser campeão em seu próprio carro, os feitos do australiano vão muito além disso: foi o responsável pelo desenvolvimento do Cooper com motor traseiro, o carro que mudaria para sempre a cara da F-1; foi a Indianápolis em 1961, iniciando o que ficou conhecido naquela década como a “Invasão Européia” no principal evento do automobilismo norte-americano; construiu os melhores Fórmula 2 da história, permitindo que um punhado de jovens talentos saíssem do anonimato; e se manteve competitivo até sua aposentadoria: aos 44 anos, em 1970, após passar mais ou menos ileso por 15 temporadas completas em um dos períodos mais mortíferos da Fórmula 1.
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| Andando na frente no GP de Mônaco de 1964 |
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Filho de um agricultor, Jack se apaixonou por máquinas ainda na infância, estudando engenharia e trabalhando como mecânico na Força Aérea Australiana durante a II Guerra Mundial. Em 1947, começou a disputar diversos campeonatos em seu país, sendo tricampeão com um midget (autocross, em pistas ovais de terra) e vencendo diversas provas de subidas de montanha e em circuitos de rua. Em 1955, mudou-se para a Inglaterra com a esposa Betty, o filho Geoffrey, uma mão na frente, a outra atrás.
O imigrante arrumou emprego na pequena fábrica da Cooper graças a uma indicação do amigo australiano Ron Tauranac. O ofício lhe permitia participar de corridas em categorias menores, mas Brabham queria mais. Em maio de 1957, se inscreveu para disputar o GP de Mônaco com um F-2, mas destruiu o carro nos treinos. De pena, Rob Walker lhe emprestou um chassi Cooper de F-1. Brabham montou o motor Climax na traseira e assombrou o planeta, andando rápido o tempo todo. Ficou sem gasolina a três voltas do final (eram 105 no total, mais de três horas de prova), quando estava com um pé no pódio. A frustração foi compensada com um convite para ser piloto da equipe de fábrica da Cooper.
Trabalhador metódico e incansável, o australiano transformou o mirrado monoposto com motor traseiro em uma máquina confiável e quase imbatível. Enquanto as outras equipes se adaptavam à novidade, Brabham sagrava-se bicampeão em 1959/60. O primeiro triunfo veio com uma boa dose de lirismo. Na corrida final, em Sebring, seu carro ficou sem gasolina a 800 metros da linha de chegada. O piloto faturou o título empurrando seu carro, à beira da exaustão.
No final de 1961, o velho amigo Ron Tauranac veio da Austrália para a criação da Brabham Racing Organisation. A idéia inicial era a construção de alguns modelos para a Fórmula Júnior, mas em agosto de 1962 o BT3 estreou no GP da Alemanha de F-1, em Nürburgring. Os carros de Jack Brabham primavam pela leveza e durabilidade, mais que a potência. Com o motor Repco, a equipe viveu temporadas fantásticas em 1966, quando o australiano se sagrou tricampeão após uma série de quatro vitórias consecutivas no início do ano, e em 1967, quando o título ficou com o neo-zelandês Denny Hulme. Aliás, Brabham era famoso também pelo excelente tratamento que dava a quem pilotasse seus carros, muitas vezes em detrimento de sua própria competitividade.
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| Uma vitória na despedida das pistas, em 1970 |
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Em 1970, o piloto obteve sua última vitória em Kyalami e bateu na trave duas vezes: em Mônaco, errou e bateu na última curva quando era pressionado por Jochen Rindt; e em Brands Hatch, ficou sem gasolina na última volta por um erro de cálculo de um de seus mecânicos, um tal de Ron Dennis. Após as mortes de Bruce McLaren, Piers Courage e Jocehn Rindt em apenas três meses, Brabham cedeu à pressão da esposa Betty e se aposentou. “Ainda me sinto absolutamente competitivo, esta foi uma decisão extremamente difícil para mim”, declarou.
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| No ano passado, bem de saúde e bem-acompanhado |
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O sonho de ver um de seus três filhos seguirem seus passos jamais se realizou. Geoffrey, Gary e David se tornaram pilotos, mas jamais chegaram perto do sucesso do pai. O nome Brabham ainda ganhou peso na Fórmula 1 no início dos anos 80, com o bicampeonato de Nelson Piquet. Um piloto conhecido pela habilidade em desenvolver carros e que começou a carreira trabalhando de mecânico para poder correr. E ganhou três títulos mundiais na carreira. A vida é repleta de sintomáticas coincidências.
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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