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| » » » 19.03.06 |
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| Tudo Azul para Alonso |
19.03.06 |
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| A melhor equipe da atualidade
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Há um ano, Fernando Alonso saiu do GP da Malásia, segunda etapa do Mundial, com seis pontos de vantagem para o segundo colocado. Hoje, sua vantagem é de sete pontos. Uma bela base para se construir um bicampeonato. Claro que basta um acidente ou uma quebra para que esta vantagem evapore, mas as duas primeiras corridas do ano deixaram claro que a Renault é a melhor equipe da atualidade. A concorrência vai ter que trabalhar muito para virar o jogo antes que a vantagem do espanhol seja grande demais.
Há dois diferenciais do R26 em relação aos carros das outras equipes. Em primeiro lugar, a confiabilidade: nasceu sem problemas e veloz, causando poucas quebras na pré-temporada. Apenas o conjunto da Honda parece ter um nível parecido em termos de resistência. O outro fator é a capacidade de se adaptar bem a diferentes tipos de circuito. O da Toyota andou melhor em Sepang que no Bahrein. Na Ferrari e, ao que parece, na McLaren, o caso foi o contrário. Já o R26 foi competitivo em todos os treinos em ambas as pistas – uma característica positiva que existia também no carro do ano passado e denota um chassi equilibrado, marca registrada da equipe francesa nos últimos anos.
Com mais uma vitória em Melbourne, em duas semanas, Alonso terá a faca, o queijo, a baguete, a tortilla e o vinho para dar a si e a Renault mais um título mundial.
Fisichella? Sim, fez um fim-de-semana perfeito e mereceu a vitória, mas não acredito que seja capaz de brigar pelo título com o companheiro: sua carreira inteira foi marcada por brilhos ocasionais. Como Coulthard, como Barrichello, cometas que iluminam os céus a cada sete ou oito corridas.
Foram minutos de tensão com as câmeras da televisão focando Felipe Massa e Michael Schumacher nas últimas voltas. Virá a famigerada ordem de equipe? Não, não veio, para alegria dos ideais olímpicos do esporte e para espanto dos partidários da teoria do “apenas-um-brasileirinho-contra-esse-mundo-todo”.
Muito bom para Massa, que foi premiado após fazer uma excelente corrida, acompanhando a tocada do pelotão do meio mesmo tendo um carro muito mais pesado. Será que seu status na equipe é tão bom assim? Será que a Ferrari ficou inibida com a proibição das ordens de equipe e nem combinou algum código para esta situação (do tipo: “Felipe, seu motor vai estourar, baixar as rotações para a posição 1”)?
Não sei a resposta, mas se eu fosse chefe-de-equipe, mandava o Alonso passar o Fisichella, assim como daria ordem para o Schumacher chegar à frente do Massa. Em um campeonato tão equilibrado como este vem se desenhando, é sempre bom apostar todas as fichas em um piloto só. A história da Fórmula 1 é pródiga em exemplos que corroboram isto. O nome do jogo é vencer, pro diabo com os ideais olímpicos e deixem os que acreditam em teoria de conspiração espernearem.
Se por um lado o novo formato do treino classificatório garantiu grids mais alternativos até agora, há um perigoso efeito colateral. Com tantas trocas de motores, ficou impossível saber o grid de largada definitivo logo após o término da sessão. A confusão foi tanta que a dupla da Toro Rosso, eliminada após os primeiros 15 minutos, largou à frente de Michael Schumacher, quarto colocado ao final do treino.
Essa série de interferências do acaso na disputa faz parte do processo de nascarização da Fórmula 1, há muito discutido aqui no GP Total. Tem gente que gosta, tem gente que odeia e a vida é feita deste tipo de polarização. Mas seja qual o caminho que a FIA optar, o importante é que as regras sejam claras, para que o espectador leigo entenda o que está acontecendo. Amigos meus que assistem, mas não acompanham, a Fórmula 1, fizeram comentários bastante negativos sobre a confusão do novo formato. Ele pode trazer mais equilíbrio, mas vai afastar o interesse do grande público. Dizem que críquete é muito legal e que bridge é o melhor jogo de cartas que existe. Mas você conhece as regras destes dois jogos? Eu só sei que são muito complicadas e que não vale o esforço de aprendê-las...
Este foi o oitavo GP da Malásia, tempo suficiente para incutir em seus habitantes a paixão irrefreável pelo automobilismo que contamina a Europa ocidental, a América, a Oceania e o Japão. Mas parece que não há mesmo jeito de lotar o autódromo de Sepang, da mesma forma que as arquibancadas no Bahrein ficaram vazias, apesar de ingressos serem distribuídos de graça na universidade ali do lado.
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| Barrichello assistindo à temporada 2006. |
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Também acho perigoso este movimento da Fórmula 1 se afastar dos seus centros tradicionais em troca de um montão de dinheiro nas mãos de seus dirigentes. De que adianta montar um belo espetáculo para apresentá-lo em teatros vazios? Ainda que a audiência televisiva seja boa, dá a impressão de se tratar de um engodo.
Logo, logo, o amor à categoria do torcedor brasileiro – que paga uma quantia fora da realidade do País pelo ingresso e dorme de madrugada na fila para lotar uma cambaleante arquibancada de madeira e usar fétidos banheiros químicos –, será trocado pelos petrodólares da Rússia ou de algum outro califado do Oriente Médio. Estes construirão um autódromo luxuoso, de primeira linha. Que não vai encher nunca. Não é triste?
Um abraço e até a próxima!
Luis Fernando Ramos
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