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O João-Bobo 12.03.06
Os pilotos da temporada 2006.
Dizem que mais difícil do que chegar ao topo é se manter por lá. Na Fórmula 1, não faltam casos dos que falharam copiosamente nisso. James Hunt e Jacques Villeneuve, por exemplo, foram do Olimpo ao ostracismo em poucos meses. Mesmo os que se mantém por um tempo lá em cima, fatalmente perderão seu status uma hora ou outra. Mas sempre me fascinaram aqueles que caem em desgraça e conseguem voltar ao topo. Como um João-bobo, aquele velho brinquedo de plástico em que você dá um soco e, no segundo seguinte, ele está de pé novamente, pronto para outra briga.

Quem imaginaria que Nelson Piquet conseguiria tanto sucesso em 86 e 87 depois de um ano tão medíocre em 1985? Ou que Niki Lauda conseguiria um terceiro título mundial após passar dois anos sem se sentar em um carro de corrida? Ou que Michael Schumacher abriria a temporada 2006 brigando por pole e vitória, após o papelão que promovera na última corrida do ano passado, na China? Para quem não se lembra, foi em Xangai que ele bateu em Christijan Albers na volta de apresentação e rodou sozinho atrás do Safety-Car na corrida.

Claro que estes altos e baixos estão condicionados ao equipamento de que os pilotos dispõem. Mas é inevitável que um ano ruim afete o moral, o psicológico de cada um deles. Superar isto, acreditar sempre que é possível dar a volta por cima e manter a motivação intacta após um período ruim é para poucos. Por isso não dá para não admirar Schumacher. Como quase todo mundo, também achava que ele teria um ano difícil e abandonaria no final da temporada. Mas com uma estratégia inteligente – antiga especialidade da Ferrari –, ele largou na pole e quase ganhou no Bahrein.

Restou “apenas” o consolo de igualar o “inalcançável” recorde de poles de Ayrton Senna. Assim, o único dos grandes recordes absolutos que o alemão não possui é o de GPs disputados. Mas, vendo seu ânimo com a pole no sábado e sua competitividade apresentada na corrida, não duvido que ele continue correndo também em 2007, quando superaria a marca de 256 corridas de Riccardo Patrese.

Massa cumprimenta o recordista Schumacher.
Não acho que estes números significam muito e antes que nossos leitores entrem naquelas chatas discussões de que este é melhor aquele porque demorou menos corridas para fazer o mesmo número de poles, vamos lembrar que o líder de todas as estatísticas por média é Juan Manuel Fangio (foi pole em 55% das corridas de F1 que disputou, contra 46% de Jim Clark, 40% de Senna e 28% de Schumacher). O que interessa é o conjunto da obra e tentar diminuir os feitos de Schumacher, Senna, Piquet, Lauda, Clark ou Fangio, entre outros, é querer furar pedra com esguicho. Melhor aproveitar a chance e admirar.





O mais legal de tudo foi ver quatro equipes com potencial para brigar pela vitória, uma situação que deve permanecer pelo menos nas primeiras corridas do ano. Uma situação que a Fórmula 1 não vivia há pelo menos uns 15 anos.



O novo campeão é felicitado pelo velho, no show de ambos.
A corrida do Bahrein também serviu para comprovar algumas tendências e contrariar outras. O que foi confirmado: Alonso vai ter uma carreira gigantesca na categoria, porque é inteligente, determinado e sangue-frio; Montoya não tem um dedo do talento de Kimi Räikkönen; os pneus Michelins são melhores que os Bridgestone (mas não tanto quanto achávamos); o V10 da Toro Rosso é mais potente que o mais potente V8; a Toyota está perdidinha; a equipe Super Aguri é uma piada.

O que foi contrariado: a decadência da Williams; a Ferrari não vai brigar pelo título; Massa vai apanhar de Schumacher; o novo formato de classificação vai ser um desastre (foi confuso, mas emocionante).





Quem vai rir por último na Honda?
Sobre os brasileiros: impressionante a estréia de Massa na Ferrari, apesar do erro no começo da corrida. Seu desempenho na classificação foi excelente e seu ritmo após a primeira parada nos boxes também. Sua velocidade pura não aparecia tanto na Sauber, mas agora ela ficou explícita. Resta aliá-la com regularidade e eliminar os erros.

Quanto a Barrichello, coitado, teve problemas com o câmbio e andou lá atrás quase a corrida toda. Mas deu a impressão de que não conseguia acompanhar o ritmo de Button em todas as sessões do fim-de-semana. Resta saber se é porque ainda está se adaptando à nova casa ou se vai ser assim o ano inteiro.





Mais impressionante ainda foi a corrida de Nico Rosberg, que na sua corrida de estréia pilotou com a maturidade de um veterano. Posso até me enganar, mas o moleque tem toda a pinta de possuir um futuro colorido e brilhante pela frente.


Um abraço e até a próxima!

Luis Fernando Ramos
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