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As provas de estradas no Brasil <%=strData%>

Uma pergunta feita pelo leitor Luciano Balarotti, de Curitiba, remeteu a um período interessante do automobilismo nacional, os anos 60, quando as últimas provas de estrada foram disputadas no Brasil. Vale lembrar que até o final desta década, o único autódromo existente no País era o de Interlagos. Só depois foram surgindo outros, como os de Curitiba (1967), Tarumã (1970) e Brasília (1974). Antes, fora de Interlagos, as disputas ocorriam em circuitos de rua – como os da Gávea, Barra da Tijuca, Quinta da Boa Vista e Ilha do Governador, no Rio de Janeiro; da Pedra Redonda, em Porto Alegre; os de Petrópolis, Araraquara e Piracicaba, etc. – e em estradas.

Sílvio Penteado, no Circuito de Itapecerica.
A primeira corrida realizada no Brasil, em 26 de julho de 1908, ocorreu no chamado “Circuito de Itapecerica”, um trajeto em forma de laço que saía do Parque Antártica, na Zona Oeste de São Paulo, e utilizava a estrada que ligava a capital às cidades do Embu e de Itapecerica da Serra, antes de retornar ao ponto de partida. O formato se assemelhava ao de um rali, com cada competidor largando individualmente, com cinco minutos de intervalo entre eles. O melhor tempo – portanto, a vitória – ficou com o Conde Sílvio Álvares Penteado, membro da aristocracia rural paulistana, pilotando um Fiat.

Mas o automobilismo brasileiro só floresceria mesmo nos anos 30. Antes, faltavam tanto estradas como carros preparados para competição. Foi nesta época que as corridas no Circuito da Gávea, no Rio de Janeiro, despertaram o interesse da mídia e do público para o esporte. A vedete do calendário das provas de estrada era a “Subida de Montanha”, empreendida entre o Rio e a cidade de Petrópolis. A primeira edição foi realizada em 28 de fevereiro de 1932 e teve como vencedor o barão Hans Von Stuck (pai do piloto de Fórmula 1 dos anos 70, Hans Stuck). O evento foi disputado de forma não-contínua até 1949. Grandes nomes do automobilismo nacional figuram na sua lista de vencedores, como Manoel de Teffé, Chico Landi, Catharino Andreatta e Gino Bianco.

Jayme Silva, vencedor na Rodovia do Café.
Ao mesmo tempo, o Rio Grande do Sul se desenvolvia também como um importante centro automobilístico. Utilizando as famosas carreteiras (carros híbridos, que usavam a carcaça de carros antigos com motores modernos e potentes), seus pilotos se destacavam em competições regionais e também faziam intercâmbio com os vizinhos do Uruguai e da Argentina. Um dos eventos mais importantes da época foi o Raid Montevidéu-Porto Alegre-Montevidéu, mais de 2000 quilômetros de disputada em estradas empoeiradas.

Às vezes, pilotos do Sul e Sudeste realizavam provas em conjunto, com vantagem para os primeiros. Em 1937, o Raid Montevidéu-Rio de Janeiro foi vencido pelo gaúcho Norberto Jung, fundador da lendária escuderia “Galgo Branco”. Quatro anos depois, a prova disputada entre Rio de Janeiro e Porto Alegre ficou nas mãos do catarinense Clemente Rovere.

Em novembro de 1951, por iniciativa do “Barão” Wilson Fittipaldi e da Rádio Panamericana, foi disputada a “Grande Prova Getúlio Vargas”, que saía de São Paulo e passava por Uberaba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, antes de retornar à capital paulista. Comprovando a superioridade das carreteiras sulistas nas provas de estrada, os gaúchos ocuparam os três primeiros lugares, com Júlio Andreatta como vencedor.

Breno Fornari e Catharino Andreatta, com uma carreteira.
Por questões de segurança, as provas de estrada rarearam a partir dos anos 50, com a disputa concentrada em Interlagos e nos circuitos de rua. Apenas o Rio Grande de Sul manteve a tradição com uma série de provas na região do Alto Taquari. Mesmo na década de 60, com o crescimento da indústria automobilística nacional e o surgimento das equipes oficiais de fábrica, o quadro pouco mudou. O ponto alto ficou por conta das duas provas “Rodovia do Café” (sobre a qual o Luciano havia perguntado). A prova, em uma estrada recém-inaugurada, foi disputada em um percurso de ida e volta entre Curitiba e Apucarana. A vitória em 1965 ficou com Jayme Silva, da equipe oficial da Simca. No ano seguinte, triunfou Ettore Beppe, com um Willys Interlagos. Ambos eventos contaram com a nata do esporte nacional, tanto em termos de pilotos (Ciro Cayres, Marinho César Camargo, Chiquinho Lameirão, Emílio Zambello, etc.) como de carros (Abarth, Tempestade, Alfa Giulia, FNM e DKW, entre outros). Até mesmo veteranos gaúchos, como Catharino Andreatta e Breno Fornari compareceram com suas carreteiras.

Maslowski e Balder, na chegada em Chuí.
O último grande evento estradeiro no Brasil foi o “Rally da Integração Nacional”, disputado em julho de 1971 entre Fortaleza e Chuí, totalizando incríveis 5.200 quilômetros. A prova, vencida pela dupla Jan Balder/Alfredo Maslowski com um Puma, foi marcada pelo acidente fatal do gaúcho Danilo Zafari e por inúmeros problemas decorrentes do tráfego de caminhões pesados. Com autódromos se proliferando pelo País e com Emerson Fittipaldi brilhando na Fórmula 1, o automobilismo curvou-se à segurança e abandonou as estradas do Brasil. Hoje, o único evento que se compara aos pioneiros em termos de grandeza e de distância percorrida é o excelente Rally dos Sertões, disputado desde o início dos anos 90.


Um abraço e até a próxima,

Luis Fernando Ramos
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