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| » » » 16.01.06 |
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| Primeiras impressões de 2006 |
16.01.06 |
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Ainda faltam 54 dias para o Grande Prêmio do Bahrein, prova que abre a temporada 2006 da Fórmula 1. Mas o ano já começou, tanto nos testes que vêm sendo realizados em pistas espanholas como no lançamento das equipes. Nesta terça-feira, a nova BMW Sauber mostrará sua máquina. Na última sexta-feira, pude acompanhar de perto a cerimônia de lançamento do TF106 da Toyota.
Foi a primeira vez em que estive no lançamento de um carro de F-1 e deu para perceber a verdadeira operação de guerra que existe por trás disso. Algumas centenas de convidados, entre jornalistas, patrocinadores e parceiros, voaram de diversos pontos da Europa - e também do Japão - rumo a Valenciennes, onde a Toyota possui uma fábrica. Conciliar incontáveis horários e transporte do aeroporto de Bruxelas até a bucólica localidade no norte da França é algo que soa inimaginável, mas tudo ocorreu perfeitamente.
O evento foi muito legal, principalmente pela visita à linha de montagem do carro Yaris. São 1200 unidades produzidas diariamente, consumindo 200 toneladas de aço e espalhadas em uma área gigante. O processo é recheado de máquinas de última geração, incluindo uma série de robôs que fazem a solda de 3500 partes diferentes de cada carro. Parece até filme de ficção científica. Muito bom poder ver isto de perto.
O palco para a apresentação do novo carro de F-1 foi montado ao final da linha de produção. Foi interessante ver o clima aumentando aos poucos, com dirigentes, engenheiros e patrocinadores se cumprimentando efusivamente e não escondendo a ansiedade com o momento que estava por vir.
Mas bastou a cerimônia começar para assistirmos àquele mesmo espetáculo sonolento que foi mostrado milhões de vezes na televisão. O presidente fala umas palavrinhas, o chefe-de-equipe outras, depois vem o engenheiro e, por fim, os pilotos. Nada de muito relevante, a não ser o fato que um TF106B será lançado já no GP de Mônaco, a sétima etapa do ano. A Toyota tem dinheiro, está investindo pesado para buscar a primeira vitória e tudo leva a crer que mais a meias versões surgirão até o encerramento do campeonato. No final do lançamento, a dupla de volantes titulares levanta o pano vermelho, estouram os flashes e lá está o carro novo. Parado. Sem emitir nenhum ruído.
Sempre achei uma bobagem os museus de automóveis. Como o próprio nome diz, se tratam de objetos construídos para se moverem. Ali, naquele galpão francês, jazia o TF106, mais morto que o Zé Pequeno no final de Cidade de Deus, e aquilo não tinha a menor graça. Sim, tem gente que se interessa por coisas técnicas, como o desenho das asinhas situadas ao lado da saída do escapamento. Mas não adiante nem perguntar sobre isso com o engenheiro, só se recebe respostas efusivas, há a velha paranóia de dar detalhes aos inimigos. Legal mesmo é ver o carro voando nas pistas, com o motor apitando forte.
No final, ainda há o privilégio dado aos colegas de televisão, que ganham exclusivas com os pilotos principais. A intenção é a de expor mais os logotipos dos patrocinadores, mas Ralf Schumacher, acreditem, resolveu aparecer para falar com a maior televisão de seu país (e de outros também) vestindo apenas uma singela camisa branca, causando um certo mal-estar no esforçado pessoal de relações-públicas da equipe. "Primadonna" é elogio para ele...
Para mim, sobrou a oportunidade de bater um papo com Ricardo Zonta. Foi ótimo, porque comigo ele sempre foi simpático e atencioso, ao contrário dos outros dois pilotos da equipe. Foi ótimo, porque deu para depreciar uma série de coisas sobre a nova temporada. Depois da entrevista, ainda tentei filar um cigarro (vício maldito, estou parando, juro) com jornalistas e/ou patrocinadores, mas todos deram uma de joão-sem-braço. Foi ótimo, porque acabei dando minhas baforadas com um grupo de jovens belgas que cuidava do transporte dos convidados. Gente muito boa, tinha até uma menina que estava de mudança para a Bahia, os pais iriam abrir por lá um haras ou coisa parecida. É bom saber que tem gente de verdade, além e acima da grande maioria de narizes empinados que vivem de e para a Fórmula 1.
Bom, para os tais que gostam de detalhes técnicos: as principais mudanças dos modelos 2006 são decorrentes da introdução dos motores V8. As entradas de ar, acima do cockpit e nas laterais, ficaram menores. A parte de trás também ficou mais fina, já que as unidades ocupam menos espaço e consomem menos combustível, diminuindo também o tamanho dos tanques. Tirando as asas e as rodas, o carro fica com o formato da clássica garrafa de coca-cola. Com uma diminuição na potência de cerca de 20% e sem alterações nas regras dos chassis, a eficiência aerodinâmica ganhou uma eficiência ainda maior.
Os testes da semana passada em Jerez mostraram algumas coisas. Se a abertura da temporada fosse hoje, a Renault estaria com boas chances de sair na frente, pois o R26 nasceu rápido e sem grandes problemas. A Toyota também parece ter um carro confiável, embora possa ganhar em velocidade, pois ainda está aprendendo a como extrair mais dos pneus Bridgestone. A Ferrari é uma verdadeira incógnita: fez tempos fabulosos com Michael Schumacher, mas usando o pacote aerodinâmico do carro de 2004 (!). Resta torcer para que o projetista Aldo Costa tenha acertado a mão desta vez. Em 2005, ele errou.
O mais curioso é ver o que ocorre na McLaren. A Mercedes-Benz está se debatendo com problemas em seu motor V8, por isso ele nem foi à pista ainda. Provavelmente, porque os alemães resolveram arriscar demais. Pode ser um tiro no pé, pode ser também que eles voem baixo quando soluções forem encontradas. A Red Bull, que já conta com Adrian Newey, liberado antes da hora pela McLaren, também tem sérios problemas com o carro novo. Mas terá tempo para resolvê-los.
Como eu disse, o ano já começou!
A BBC elegeu no fim do ano passado, em um programa de história, a pior figura britânica do Século XX: Sir Oswald Mosley. O fundador da União Britânica dos Fascistas é também o pai de Max Mosley.
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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