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Home » Colunas » Luis Fernando Ramos » 23.11.05
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Vovôs do Asfalto 23.11.05
Os bons tempos voltaram. Vamos gozar outra vez!
O sucesso estrondoso da corrida inaugural da GP Masters foi surpreendente. Para uma categoria montada meio às pressas e na qual quase não houve testes, os 14 pilotos do grid proporcionaram uma corrida emocionante. E emoção não faltou também após a bandeirada final, com as estrelas do espetáculo se abraçando, com lágrimas nos olhos, em um instante de pura celebração.
Para eles, nomes que brilharam na Fórmula 1 dos anos 70 ao início dos 90, foi como um daqueles encontros de turma do ginásio. Mas, ao contrário do que ocorre na ocasião citada, todos se esforçaram ao máximo para provar quem era o melhor da classe. "Achei que seria apenas uma reunião divertida de velhos amigos. Mas foi só entrar no cockpit que todo mundo deu o máximo de si. Não teve moleza", constatou o italiano Riccardo Patrese.

Não é difícil imaginar que o vírus da competição falaria mais alto no instante em que aqueles senhores acelerassem. Quem já disputou uma corridinha de kart indoor que seja - e aposto que pelo menos 90% dos nossos leitores já fizeram isso - sabe muito bem que é uma infecção irremediável. Tem até um nobre redator deste site que se abstém de experimentar a sensação, ciente de que ela lhe consumiria completamente.

Um pódio histórico. E inédito!
Que este tipo de disputa nas pistas iria ocorrer, era esperado. De estranhar mesmo foi a reação de muita gente, incluindo alguns jornalistas especializados, condenando a idéia de colocar esta turma de pilotos que vão dos 46 aos 62 anos de idade para correr a mais de 300 km/h. Bem, vale lembrar que Paul Newman disputou as 24 Horas de Daytona deste ano aos 79, em um protótipo que acelera muito. Os Estados Unidos também dão outros exemplos de carreiras longevas. A de A. J. Foyt, por exemplo, que aos 57 anos ficou em nono lugar em sua última participação nas 500 Milhas de Indianápolis, classificando-se para o grid de largada com uma média horária superior a 358 km/h.

Sim, o automobilismo é um esporte perigoso e Mario Andretti precisou de um anjo da guarda muito atento para sair ileso de uma pirueta em Indianapolis há poucos anos, já sexagenário. Mas não vejo relação em correr velho e dar sopa para o azar. O risco de morte é um fator que existe em qualquer corrida e não escolhe idades: o canadense Greg Moore, por exemplo, teve um acidente fatal aos 24 anos.

Vivos são estes seres humanos que encontraram, já em idade mais ou menos avançada, o prazer de fazer o que gostam. Mas não é este o grande mérito da categoria, o da satisfação pessoal dos pilotos. É o de fornecer a oportunidade única de toda uma geração de jovens fãs de automobilismo em ver algumas lendas vivas do esporte em ação. Quando eu era moleque, me lembro que a Bandeirantes bancava uma Seleção Brasileira de Masters, e lá estava eu no Pacaembu vendo Pelé e Rivelino fazerem tabelinha. Um pouco acima do peso e um tanto mais lentos, é verdade, mas a cena não deixou de encher os olhos.

Alegria juvenil de dois veteranos
É sobre isso que é a GP Masters. É sobre Nigel Mansell pilotando um carro com o "Red Five" no bico duelando curva a curva contra Emerson Fittipaldi, este ostentando seu número favorito, o sete (que, se minha memória não me trai, ele jamais utilizou tanto na F-1 como na Indy). Algo que eu vi na temporada de 1993 nos Estados Unidos, que me marcou e que me deixa muito alegre de rever. E algo que, quem não era nascido ou não se lembra, precisa ter o privilégio de assistir. Longa vida à GP Masters, em breve com Michael versus Mika (tomara!).

Um abraço e até a próxima semana,

Luis Fernando Ramos
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