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| » » » 26.10.05 |
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| Vitória do Marketing |
26.10.05 |
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| Aqui a Fórmula 1 faz festa |
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Foram 34 pontos nas 19 etapas disputadas. Nenhum pódio e um discreto sétimo lugar entre as equipes. Mesmo assim, a equipe Red Bull foi apontada como o melhor fato do ano de 2005 pelos jornalistas consultados na matéria publicada na última edição da revista RACING. Claro que não pelo desempenho que tiveram nas pistas – ainda que este tenha ficado bem acima do esperado –, mas pela maneira de encarar e interagir com o ambiente do paddock. “O conceito deles virou a cabeça da Fórmula 1”, afirmou o colega Reginaldo Leme.
Como compilador da pesquisa, que obviamente contou com a presença indispensável do Edu e do Panda, confesso que fiquei surpreendido com o resultado. Em um ano com campeão novo e com uma prova histórica como a do Japão, não esperava ver as diversas ações de marketing da novata da categoria sendo lembradas pela totalidade dos entrevistados. Vitória por unanimidade.
Mas, em um segundo momento de reflexão, os motivos da votação maciça ficam um pouco mais claros. Antes de gostarmos de Fórmula 1, nós trabalhamos com Fórmula 1 e odiamos o ambiente hermético, cheio de gente metida a besta só porque eles possuem uma conta bancária recheada de (muitos e muitos) dígitos. Pois o grande mérito da Red Bull foi o de relaxar este ambiente carregado, foi o de convidar cada integrante do circo, do ajudante de mecânico mais novato ao heptacampeão mundial, a se divertir um pouco, a rir um pouco de si mesmos e também da própria categoria.
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| Klien, bem acompanhado, joga entre um treino e outro |
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O curioso é que 90% das idéias postas em prática saíram da mente privilegiada do dono da bagaça, o austríaco Dietrich Mateschitz, um Hugh Hefner do século XXI. Partiu de “Didi” a ordem para que o motorhome da equipe se tornasse uma espécie de Disneilândia dentro do paddock, um ponto de encontro para jornalistas e membros de todas as equipes. Com design arrojado, o lugar oferece na quinta-feira à noite uma discoteca recheada de modelos, coquetéis e petiscos de primeira linha. Nos outros dias, as refeições também são abertas à todos e uma mesa de pebolim em uma das duas varandas do lugar garante momentos de diversão e relaxamento em meio ao ritmo estressante do trabalho lá dentro.
A cereja do bolo foi outra idéia do chefão. O “Red Bulletin” é um tablóide distribuído dentro do paddock e virou item concorridíssimo. Empregando um humor sarcástico, a publicação não se furta a fazer chacota de ninguém e é um sucesso absoluto por trazer uma perspectiva da categoria que muito pouca gente partilhava antes da chegada da equipe. Um exemplo disso, publicado na edição de apresentação do GP do Brasil, falando sobre o acerto de Jenson Button com a Williams, para permanecer na BAR em 2006: “Jense (sic) resumiu em uma palavra o que sentiu a escrever um cheque de 12 mil libras para Sir Frank. ‘Doeu’, disse. Doeu? Isto teria deixado tipos pobretões como nós do Bulletin hospitalizados e dependentes de um monitor de freqüência cardíaca. Mesmo planeta, mundos diferentes é o que pensamos”.
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| As "Formula Unas" brasileiras |
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O marketing da Red Bull também apareceu nos detalhes. Além de renascer nas pistas com algumas ótimas atuações, David Coulthard andou “se esquecendo” de fazer a barba e trocou o kilt escocês por um visual mais despojado. Aliás, a equipe aposentou aquelas ridículas roupas recheadas de logotipos dos patrocinadores. David, Klien e Liuzzi circulam no paddock com roupas de grife em que a única referência é a palavra “Energy” bordada nas costas.
Outras ações interessantes ocorreram com a eleição das “Formulas Unas”, um concurso em que as 20 finalistas empataram e cada uma delas ganhou de prêmio uma viagem de volta ao mundo; e com a promoção do filme “Guerra nas Estrelas” em Mônaco, um tipo de iniciativa que surgiu com a Jaguar, mas que pela própria envergadura do filme, gerou um retorno publicitário imensurável.
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| Hollywood vai às corridas |
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E retorno publicitário é tudo o que eles almejam. Após a compra da Minardi, especulou-se que Gerhard Berger poderia assumir o comando esportivo da equipe. Mas ele foi categórico. “Mateschitz é um velho amigo meu, mas minha idéia em uma equipe é a de ser bem sucedido, enquanto que a grande motivação da Red Bull é fazer marketing. Não tenho problemas com isso, mas não quero me envolver sendo este o esquema de trabalho”.
Muita gente pode se espantar com uma equipe em que a prioridade não é vencer, mas aparecer. Só que o objetivo estabelecido por eles é bem mais fácil de alcançar. Gastar rios de dinheiro como a Toyota para ser malhado a cada vexame ou gastar menos dinheiro, mas empregá-lo em idéias inovadoras, para aparecer bastante? Eles fizeram uma escolha. E esta coluna não é sobre a Toyota.
Para encerrar, um registro que nos enche de orgulho. Nosso amigo e colunista Ricardo Divila gritou “é campeão” com gosto no último fim-de-semana. Após vencer a oitava etapa da temporada da Fórmula Nippon em Motegi, Satoshi Motoyama garantiu o título da categoria pela quarta vez. Motoyama e o segundo colocado no campeonato, Yuji Ide, correm na equipe em que Divila é diretor-técnico, que conta também com o francês Benoit Treluyer. Foram seis vitórias em oito corridas e a conquista do título chegando com uma rodada de antecipação. Em breve, nas suas colunas aqui no GP Total, Divila vai falar deste triunfo. Parabéns, colega!
Abraços e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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