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| » » » 28.09.05 |
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| "Champignon do Mundo": parte da mídia espanhola não poupa críticas a Alonso. |
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Interlagos viveu um momento histórico no último domingo, quando o espanhol Fernando Alonso se tornou o piloto mais jovem a se sagrar campeão mundial de Fórmula 1.
É mesmo? Pois não pareceu, pelo menos para quem estava no meio das estrelas do espetáculo. Está certo que Juan Pablo Montoya tem um eterno ar de tédio, mas fiquei com a forte impressão que o circo da F-1 recebeu o título do espanhol com absoluto desdém. Mesmo os mecânicos da equipe Renault: gritaram na hora do pódio, posaram para a foto oficial e correram para desmontar toda a estrutura, loucos para irem embora de Interlagos o mais rápido possível.
Resta saber se as declarações de Alonso após a corrida são decorrentes deste descaso ou se o descaso vem do eterno ar blasé do piloto espanhol. Seja como for, a atitude do campeão soou arrogante para muita gente. “Vim de um país sem tradição na Fórmula 1 e lutei sozinho. Este título é o máximo que posso alcançar na minha carreira e veio graças aos esforços de 3 ou 4 pessoas, não mais do que isso”.
Àqueles poucos que ainda se horrorizam com pessoas que criticam Ayrton Senna no Brasil, vale registrar que o homem responsável pela maior conquista esportiva na história da Espanha tantos detratores como fãs em sua terra natal. Se divide com o falecido tricampeão uma autoconfiança fora do comum, Alonso jamais afirmou vencer por seu país e nunca escondeu estar pouco se lixando para o que as pessoas pensam dele. “Não me importo com as pessoas que não gostam de mim. Sempre tentei fazer o meu trabalho e dizer a verdade, o que é meio difícil na F-1 porque não dizemos a verdade em pelo menos 50% das vezes. Mas eu digo e às vezes as pessoas não gostam do que eu digo”. Parece um outro tricampeão falando.
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| Festa da Renault em Interlagos. Uma euforia rápida. |
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Mas dos três grandes nomes brasileiros, é com Emerson Fittipaldi que Alonso possui as maiores semelhanças. Dentre elas estão a precocidade em tudo e a facilidade em virar rápido após pouquíssimas voltas. Não é à toa que ambos foram os campeões do mundo mais jovem de todos os tempos. Não é à toa que os dois foram “adotados” e construídos por chefes-de-equipe famosos quando ainda não eram mais do que pirralhos com potencial. “É curioso este paralelo”, comentou Emerson com um amigo meu. “Porque o Colin (Chapman) e o Flavio (Briatore) são os dois caras mais loucos que eu conheci neste meio. Só eles mesmo para apostarem com tanta certeza em dois pilotos tão jovens”.
Assim é o novo campeão, misturando elementos de Senna, Piquet e Emerson para dar um resultado curioso. E tem um lado dele mesmo. Fora do carro, Alonso é um cara extremamente calmo e quieto, mal abrindo a boca mesmo quando está apenas com o pessoal de sua equipe em um jantar, longe dos holofotes. Mas que se transforma antes de entrar no cockpit: xinga seu equipamento, maldiz o circuito, arrasta os pés no chão e esfrega as mãos com raiva antes de sentar no banco. Esta agressividade de pitbull ele leva para a pista e, pelo jeito, tem dado resultados. O curioso é que, mesmo “pilhado”, o espanhol mostrou uma excelente qualidade de pilotar com a cabeça e de cometer apenas um erro o ano do todo, no GP do Canadá. Mas a raiva acabou canalizada em um só grito, desferido quando desceu do carro em Interlagos: “Campeóóóóóóóón!”, bradou, possesso. Who let the dogs out?
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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