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BBB 2006 – Barrichello e Button na BAR 21.09.05
O pirulão
Há pouco mais de um ano, escrevi aqui no GP Total uma coluna desdenhando da briga entre BAR e Williams para reter os serviços de Jenson Button. O título “Muito barulho por nada” resumiu bem o conteúdo: o inglês nem era um talento tão especial assim para virar objeto do desejo de duas equipes de ponta (eram na época, pelo menos), escrevi. Quatro estações depois e o pirulão continua em meio a um cabo-de-guerra entre estes dois times, embora agora os movimentos sejam um tanto diferentes.

Ora, se tanta gente quer contar com Button em um mercado tão afunilado e com tantos nomes disponíveis, é porque o menino deve ser algo mesmo especial. “Ele tem o estilo de pilotagem mais bonito que eu já vi”, é o que diz Gil de Ferran. Isto me levou a pensar nesta mania que diversos colunistas (como eu) e torcedores (como eu, de novo) têm de criticar o menor erro dos pilotos. Talvez, se nos colocássemos na pele deles, pensaríamos diferente.

De uma certa forma, Button se “vingou” de mim na última segunda-feira. Em um evento promocional no kartódromo da Aldeia da Serra, ele e Enrique Bernoldi deram aulas de pilotagem para uma dúzia de jornalistas especializados.
De Ferran, Rubinho, Bernoldi - e Ico?
E racharam o bico com entusiasmo infantil assistindo de fora aos erros e barbeiragens dos profissionais da escrita ao volante. Ainda que em inofensivos karts de aluguel, pudemos sentir todos os efeitos que um asfalto extremamente aderente causa em nosso corpo. Um treino livre de 50 minutos me deixou muito mais cansado que uma partida inteira de futebol de campo, bem jogada. Depois dizem que automobilismo não é esporte.

Curioso foi saber que todo meu conhecimento de pilotagem adquirido em horas e horas no GP4 (um simulador de corridas para PC) revelou-se pouco eficaz diante das valiosas dicas dadas pelos pilotos profissionais. Poderia até discorrer sobre elas aqui, mas não quero entregar o ouro ao Panda, que será em breve meu adversário na FIAK, a liga não-oficial de kart dos jornalistas de automobilismo. É como reza a lenda: meu companheiro de equipe é o meu primeiro inimigo!





Ico, vestindo a pele de piloto
Falando nisso, Button, que já parece ser um cara afável no trato com a imprensa, estava especialmente radiante neste dia. É que já estava acertada sua permanência na BAR em 2006. Embora tomasse cuidado em colocar suas afirmações no condicional (a novidade só foi divulgada hoje), ele acabou entregando o ouro quando lhe perguntei o que achava sobre Rubens Barrrichello.

“Nunca o tive como companheiro de equipe, então é difícil fazer um julgamento acurado. Ele parece ser muito consistente, o que é importante na Fórmula 1 atual. Fez boas ultrapassagens ao longo dos anos e é um piloto experiente, que será muito útil para a equipe. Estou animado para trabalhar com ele”. 

Já o brasileiro comentou sobre seu parceiro em uma coletiva há poucas horas (por isso o atraso desta coluna para ir ao ar, no que peço a compreensão dos caros leitores). “Fui contratado para trazer à BAR minha experiência, minha velocidade e minha vontade de ser campeão. Fiquei contente com a contratação do Button, pois a equipe contará com dois pilotos de gabarito, com desejo de vencer e possui condições para que ambos atinjam estes objetivos”.





Em 2006, em dupla com Button
Acho mesmo que o brasileiro foi sincero em seu comentário. Quando sua contratação foi anunciada, havia a expectativa de que Button fosse parar na Williams, deixando a BAR com a dupla Barrichello-Sato, na qual o brasileiro obviamente seria o líder. Mas, ao invés de temer um concorrente forte como o inglês, Barrichello sabe que ambos só tem a ganhar. Claro que haverá disputa interna, mas a dureza dela garante uma elevação da performance de ambos. E, para os que temem um favorecimento a Button por estar em uma equipe inglesa, é bom não esquecer que Barrichello tem uma enorme garantia em seu amigo Gil de Ferran.

Em resumo: ao lado de Montoya e Räikkönen, a BAR contará com a dupla mais explosiva do grid em 2006. E, vendo o crescimento da McLaren após o colombiano se adaptar ao esquema de trabalho do time, dá para imaginar que a BAR caminhará a passos firmes para andar na frente. Aí, quem sabe os últimos anos de Rubinho na Fórmula 1 não acabem sendo os mais memoráveis?

Um abraço e até a próxima,

Luis Fernando Ramos
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