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| » » » 31.07.05 |
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| Direto de Hungaroring |
31.07.05 |
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A grande pergunta é: Rubens Barrichello saiu ou foi saído da Ferrari? Porque, ao mesmo tempo em que seu descontentamento com o time aumentou visivelmente – em especial a partir de Mônaco –, seu desempenho nas últimas quatro corridas foi sofrível. Claro que os toques na primeira volta com Jarno Trulli, tanto na Alemanha como na Hungria, comprometeram seu desempenho. Mas as estratégias que o brasileiro vêm escolhendo com seu engenheiro se mostraram sempre equivocadas. Neste mês de julho com quatro corridas, Michael Schumacher somou 21 pontos, contra míseros dois do companheiro. Um desempenho abaixo do aceitável pela chefia de Maranello.
A verdade é que ocorreu uma separação amigável, com ambas as partes consentindo que o momento de seguirem caminhos distintos havia chegado. Para a Ferrari, havia o interesse em finalmente pôr as mãos sobre Felipe Massa, após o fim de sua fase de treinamento na Sauber. Isto coincidiu com uma temporada em que a Ferrari vive dificuldades extremas, o que motivou a um Rubens Barrichello consciente de que lhe restam poucas temporadas na categoria a procurar uma opção melhor.
E a BAR, acreditem, é uma excelente escolha. A equipe jamais cumpriu o objetivo de se tornar grande, o que ficou claro após a positiva temporada passada se traduzir neste ano de resultados desastrosos. Mas a Honda investe pesado lá dentro e foi a primeira fabricante a mandar os motores V8 para a pista, meses atrás em Mugello. Até os rivais reconhecem que eles terão uma vantagem importante nas primeiras corridas 2006.
Na iminência de perder Jenson Button para a Williams, um piloto experiente como Barrichello também é uma boa para a equipe anglo-nipônica. Se houver uma reviravolta Button conseguir ficar, melhor ainda. Até a cúpula da Honda já perdeu a paciência com a pilotagem tão espetacular como ineficiente de Takuma Sato. E a dupla Rubens e Jenson é considerada a ideal pelo diretor-esportivo Gil de Ferran.
Uma curiosidade: o anúncio oficial da movimentação seria feito nesta quarta-feira em uma coletiva em São Paulo, com a presença da assessoria de imprensa da Ferrari e dos dois brasileiros, o que sai e o que vem. Mas a boca grande de Nelson Piquet e a confirmação vinda diretamente da boca de Bernie Ecclestone estragaram a surpresa, e a idéia foi deixada de lado. Em Budapeste, enquanto Barrichello ainda conseguiu desmentir o fato de maneira mais ou menos convincente, Massa teve dificuldades para esconder a alegria. Elogiado por um jornalista pelo seu fluente italiano, o piloto respondeu, piscando: “agora eu tenho de melhorar ainda mais”.
Como é tradição, a F-1 entra em agosto com o mercado de pilotos praticamente definido para o ano que vem. Com duplas acertadas estão a Ferrari (Schumacher e Massa), Renault (Alonso e Fisichella), McLaren (Raikkönen e Montoya) e Toyota (Trulli e Ralf). A Red Bull vai de Coulthard e um dos dois moleques. No momento, Christian Klien está em vantagem sobre Vitantonio Liuzzi, mas o italiano (uma figura engraçadíssima pessoalmente) ainda terá oportunidades para mostrar serviço.
Considerando que os advogados de Jenson Button perderão a briga na justiça, o que parece certo, a BAR ficaria com Rubens e Sato, enquanto que o piloto inglês faria a dupla da Williams com Mark Webber. Apesar dos engenheiros da equipe já terem percebido que o australiano é uma enganação e entrado em desespero, seu contrato vai até o fim de 2006 e sua esperta empresária (e namorada) retirou dos termos quaisquer cláusulas relativas à performance.
Assim, fica claro que Nick Heidfeld será o piloto principal da equipe BMW (ex-Sauber). A segunda vaga é a única em aberto. Uma escolha lógica seria a de Nico Rosberg, que anda barbarizando na GP2, já testa os motores alemães na Williams, nasceu na tedescolândia e fala o idioma fluentemente. Mas há aqueles nomes que sempre são cotados, como os de Alexander Wurz e Antonio Pizzonia.
Na Midland (ex-Jordan) e na Minardi, claro, corre quem pagar mais. Há rumores que uma das vagas no time do russo Alex Shnaider ficaria com o promissor finlandês Heikki Kovalainen, que têm contrato com a Renault e faria um período de aprendizado andando no fim do grid.
No todo, parece um quadro lógico, mas a palavra final sempre fica com os advogados de equipes e pilotos, e nestes nunca se pode confiar. A conferir...
A partir do Grande Prêmio da França, a Red Bull resolveu inovar nos releases de apresentação das corridas. Ao invés de trazer as tradicionais e repetitivas frases de pilotos e engenheiros, o texto se resume a uma apreciação do evento e da cidade onde ele é realizado.
A peça jornalística da Hungria começa com uma piada, na qual um médico recomenda a um paciente com apenas mais uma semana de vida que vá à Budapeste assistir a corrida. “Isto me fará viver mais?” “Não, mas o GP da Hungria parece demorar anos para terminar!” Os parágrafos seguintes discorrem sobre as delícias de Budapeste, uma das capitais européias mais bonitas. “Este fim de se resume a um caso de amor pela cidade e de ódio pelo circuito”, é a frase que encerra o texto.
É sempre bom um pouquinho de verdade surgindo lá dentro do circo. Se dependesse dos pilotos, seria possível confundir Hungaroring com Spa-Francorchamps. “Gosto da pista, ela é muito desafiadora”, jura Giancarlo Fisichella. “Sempre é divertido pilotar aqui”, recita Jacques Villeneuve.
Já Nelson Piquet, também presente, foi sincero como sempre. “Não gostava de correr aqui. A pista era sempre muito suja e demorava muito para limpar. Além do mais, ela não era muito bacana tecnicamente”. O vencedor dos dois primeiros GPs da Hungria, aliás, disse que a famosa ultrapassagem sobre Ayrton Senna em 1986 não ficou marcada de forma especial em sua memória. “Têm coisas muito mais importantes na vida”, respondeu com um sorriso maroto, meio que para se certificar se eu entendi do que ele estava falando.
Acho que entendi. Na mesma medida que o Brasil produz craques de futebol às toneladas, a Hungria possui a maior concentração mundial de mulher bonita por metro quadrado. Tanto que o tema Fórmula 1 é quase deixado de lado nas conversas de paddock: elas são sempre o tema principal e fazem um espetáculo fascinante.
Isto explica em parte o fato da corrida, apesar de ser um fracasso de público e crítica, permanecer firme e forte no calendário. A F-1 é sobre glamour, e isto sobra nas moças magiares. Se os carros não andam muito rápido no apertado traçado de Hungaroring, os hormônios masculinos no paddock atingem a velocidade da luz.
Mas o principal motivo para o GP da Hungria permanece intocado no calendário da categoria é de ordem econômica. O evento é organizado por uma turma ligada a Bernie Ecclestone, o que significa maiores lucros no bolso do inglês. Na verdade, as únicas corridas que fogem de seu controle financeiro total são as de San Marino, Mônaco, França, Inglaterra, Alemanha e Itália. Não por acaso, as que vivem no bico para saírem fora sempre que um novo mercado abre seu cofre para receber o circo.
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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