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| » » » 10.08.05 |
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| Alemanha 2001: lua-de-mel absoluta entre BMW e Williams. |
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A BMW ainda vai acabar saindo manchada da história. Frank Williams e Patrick Head perderam a paciência com Mario Theissen e abriram fogo pesado contra o diretor-esportivo alemão. Desde o início do ano que a fabricante de motores flerta abertamente com a Sauber, estudando inclusive a compra completa da equipe. Não pegou bem, tendo em vista que eles têm contrato de parceria com a Williams até 2009. Se eu fizesse juras de amor a uma moçoila insinuante na frente da minha esposa, ela também armaria um barraco.
Na verdade, até me surpreende que a parceria entre a afrescalhada turma de Munique e dupla de ingleses turrona tenha durado tanto tempo. Historicamente, Frank e Patrick jamais suportaram estrelismos por parte de seus pilotos. E não deve ter sido fácil agüentar os desmandos de Mario Theissen. Na época de renovação de contrato, no meio de 2003, a BMW fez o mesmo teatro de falar mal dos carros que abrigavam seus motores, para depois assinar por mais seis anos. Uma vez deu para engolir, na segunda...
Pessoalmente, não vejo motivos para tantas críticas por parte dos alemães. As dez vitórias conquistadas durante a parceria se devem muito mais ao bom desempenho dos pneus Michelin em condições específicas do que à força do motor. Se a Williams não fez nenhum carro de outro planeta, também jamais teve uma cavalaria endiabrada à disposição.
No fim, pode ser que a irremediável separação faça um bem tremendo às duas partes. Por questões culturais, Peter Sauber e BMW têm a mesma mentalidade e é bom lembrar que o suíço teve uma parceria afinada com a Mercedes-Benz por muitos anos, que acabou levando ambos à Fórmula 1 (no caso da Mercedes, um retorno após as duas temporadas de sucesso nos anos 50).
E a Williams estará livre para encontrar uma parceira fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. E vai ser uma gueixa japonesa, só resta saber se é a nova ou a veterana...
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| O radiador de Gordon Murray no bico do carro. |
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Curiosamente, há 21 anos atrás, a BMW também chegou ao Canadá sob enorme pressão. Nas primeiras seis corridas de 1984, Nelson Piquet havia abandonado com problemas relacionados ao motor, uma maneira horrorosa de iniciar a defesa de um título mundial. Mas o projetista Gordon Murray tinha um trunfo na manga para estrear no circuito Gilles Villeneuve: um radiador de óleo situado no bico do carro. A previsão para a chamada “temporada norte-americana” (depois a F-1 correria ainda em Detroit e em Dallas) era a de um calor dos diabos.
Para a sorte da Brabham, a BMW resolveu os problemas de confiabilidade do motor ao dar uma pressionada nos seus próprios fornecedores. Com os motores turbo chegando a 1.400 cavalos em regime de classificação, pequenas peças da unidade não estavam agüentando o esforço. Um novo lote, com novas especificações, provou ser tudo o que era preciso para o motor alemão durar uma corrida inteira.
O resumo da ópera: Piquet fez a pole-position (sua terceira na temporada), perdeu a liderança na largada para Prost, a retomou ainda na primeira volta e ganhou de ponta-a-ponta, fazendo a melhor volta da corrida no caminho.
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| Lauda e Prost conferem o estado do pé de um alegre Nelson Piquet. |
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Moleza? Que nada! Piquet precisou superar um verdadeiro martírio para subir ao pódio depois de nove meses de ausência. Culpa da novidade empregada por Gordon Murray. “O radiador esquentou tanto que foi cozinhando o meu pé aos pouquinhos. Prossegui na corrida, mas pensei: ‘vou dar mais cinco voltas e parar’. Passaram as cinco voltas e pensei: ‘bem, vou andar mais cinco’. Aí foram mais cinco... e mais cinco, quando percebi faltavam apenas quinze voltas para acabar a corrida. Seria idiotice parar depois de ter andado tudo isso. Me concentrei ao máximo e, com muita força de vontade, fui seguindo. Acabou a corrida e eu venci. Fui matar a saudade do pódio, descalço, com o pé queimado. Mas feliz da vida”.
A saudade, pelo visto era enorme, já que Piquet venceu novamente na semana seguinte, em Detroit. E foi novamente pé-quente: após se envolver num acidente na largada com Nigel Mansell, o piloto da Brabham pegou o carro reserva e fez mais um passeio de ponta-a-ponta. Pena que, naquele ano, sua dose de sorte se esgotaria ali. Quando a F-1 voltou à Europa, a dupla da McLaren venceu todas as corridas que restavam.
Um abraço e até a próxima semana,
Luis Fernando Ramos
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