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| » » » 20.05.05 |
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| O Exemplo Americano. |
20.05.05 |
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| As duas Fórmulas Indy (nas fotos, Tony Kanaan e Bruno Junqueira): divisão que prejudicou a todo mundo. |
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Era uma vez um campeonato automobilístico que contava com pilotos consagrados, realizava corridas disputadíssimas e atraía um público cada vez maior. Eis que então surge uma divisão política, movida pela distribuição dos lucros, entre os donos de equipes e o homem-forte da categoria. Cada um resolve tomar seu caminho e organizar sua própria competição. Dez anos se passam, e cada um dos braços se vê afundado num irremediável fracasso.
Os sinais de que o automobilismo de monopostos nos Estados Unidos entrou em estado de coma ocorreu no último domingo. Apenas 15 mil torcedores, menos de 10% da capacidade do circuito, foram às arquibancadas para assistir ao Pole Day das 500 Milhas de Indianápolis. No passado, o evento atraía facilmente 250 mil pessoas, enchendo a casa do senhor Tony George. Sinal dos tempos.
O povo norte-americano pode ter a fama de engolir qualquer porcaria que lhe ofereçam, mas não é tão burro a ponto de aceitar uma (ou outra) categoria que não tem uma identidade definida. A IRL começou em 1996 se orgulhando de correr apenas em circuitos ovais e contar com uma quase totalidade de pilotos americanos. Hoje, corre também em mistos e abriga uma penca de brasileiros e europeus. Pior ainda está a CART, cada vez mais parecida com o time de futebol da Portuguesa: todo fim de ano a gente acha que ela fecha, mas na hora H, consegue-se montar um timinho para jogar umas partidas, sem necessariamente fazer bonito.
Este cenário lamentável é o que está reservado para a Fórmula 1 se as coisas continuarem no ritmo em que estão. Os sinais estão por toda parte: nas arquibancadas de San Marino e de Mônaco, às moscas durante os treinos de (quinta-) sexta-feira e ocupadas pela metade no sábado; na punição estranha da FIA a BAR-Honda, passando por cima da decisão dos comissários italianos e eliminando as chances do réu de abrir um protesto; nas intermináveis diferenças entre o grupo de Bernie e Max e o das montadoras.
A única salvação no horizonte está num diálogo real, em que ambas as partes estejam dispostas a ceder um pouco para o bem de todos. Um bom exemplo de sucesso está na DTM, onde montadoras fazem parte da organização do campeonato, opinando tanto no pacote técnico quanto na parte comercial. Com uma forma simples (regras estáveis, boa promoção, preços acessíveis), o campeonato alemão de turismo já ultrapassou as fronteiras do continente europeu e é a categoria que mais cresce no mundo.
Mas o povo da Fórmula 1 continua cegado pela arrogância. A FIA admitiu o gol contra que marcou com o novo sistema de classificação e deve voltar, a partir de Nürburgring, a realizar apenas um treino classificatório no sábado, com os carros com combustível também para as primeiras voltas da corrida. Era assim no ano passado. Perguntar não ofende: se era pra voltar atrás, porque mudou então?
Os treinos desta quinta-feira em Monte Carlo mostraram que o presidente da Ferrari foi injusto ao esculhambar publicamente a Bridgestone, culpando-a pela crise da equipe. Por mais que os pneus japoneses estejam de fato tomando uma lavada dos Michelin, está cada vez mais claro que o F2005 não é a oitava maravilha do mundo. Rubens Barrichello ainda não se entendeu com o novo modelo e passou esta quinta-feira saindo ora de frente, ora de traseira. E Michael Schumacher trocou os pés pelas mãos umas três vezes na freada da chicane após o túnel. Antes de rezar por um milagre da borracha, os italianos têm é de melhorar o carro.
Sou um fã ardoroso da série Guerra nas Estrelas e, principalmente por isso, fiquei deslumbrado com a pintura dos carros da Red Bull e o motorhome da equipe. Há até alguns paralelos entre os pilotos e os personagens do filme: Christian Klien divide o visual andrógino com os homens da família Skywalker e Vitantonio Liuzzi tem o mesmo ar selvagem do Wookie Chewbacca. E meu lado iconoclasta identifica David Coulthard com os ursinhos Ewoks, de “O Retorno de Jedi”.
| Clique nas fotos para amplia-las |
| O Red Bull pintado especialmente para Mônaco e detalhe do stand da equipe. |
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| Danica Patrick vem mostrando seus atributos nas pistas. Fora delas, não precisa provar mais nada.
Clique para ampliar |
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Em outra Galáxia, mais precisamente no templo de Indianápolis, muita gente andou suspeitando dos tempos fabulosos que a ninfa Danica Patrick marcou nos treinos livres. A maioria acreditava que a mocinha usou motores sem limitador de giros a pedido dos organizadores, para gerar notícia e atrair (algum) interesse para a corrida. Mas foi o pole Tony Kanaan quem acabou com a suspeita chauvinista e arrumou uma explicação plausível.
“Ela tem uma vantagem no peso. Com 46 quilos, ela tem 20 a menos do que eu. Em quatro voltas rápidas, isto corresponde a cerca de 40 litros de combustível”, esclareceu Tony. Na IRL, ao contrário da CART e da F-1, o peso do piloto não é considerado para o limite mínimo do carro.
E, voltando ao chauvinismo: Danica posou para um site norte-americano em poses sugestivas e com pouco tecido. Meu lado politicamente correto acha isto o fim da picada, uma mulher não pode se sujeitar a aparecer como objeto e deve se estabelecer na profissão por sua competência, não pelo gênero. Mas meu lado politicamente incorreto (além da torcida do Flamengo) adorou as imagens. 46 quilos de pura travessura.
Um abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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