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A Ponta do Iceberg 08.05.05
A dupla que paga o pato dos outros
Mais do que um vencedor diferente e uma corrida, para variar, chatíssima, o Grande Prêmio da Espanha jogou uma nova luz em toda a confusão envolvendo a equipe BAR Honda. A punição soou um pouco draconiana, ainda mais quando sabemos que os engenheiros da equipe apresentaram todas as informações sobre o tal tanque de combustível aos responsáveis da FIA para saber se a novidade não feria o regulamento. Dado o sinal verde, a equipe competiu assim na Malásia e no Bahrein, mas seus carros só puderam sofrer uma análise técnica mais detalhada em Imola, quando finalmente chegaram até o final da prova.

Na última sexta-feira, Max Mosley deu uma entrevista coletiva para uma sala relativamente vazia de jornalistas. Provavelmente, poucos se deram ao trabalho de tentar ouvi-lo explicando o inexplicável: a severa punição de uma equipe cujo crime foi, segundo o tribunal que proferiu a sentença, “ser lamentavelmente negligente e pouco transparente, embora não fossem encontradas evidências de uma fraude deliberada”. Juridicamente falando, é como prender alguém por achar que esta pessoa ainda vai cometer um crime.

Muitos interpretaram a ação da FIA como uma represália a Honda ter se juntado ao movimento da GPWC. Mas observadores atentos viram mecânicos da Ferrari e da Renault na quinta-feira à noite desempacotando na Catalunha novos tanques de combustível, enviados às pressas pelas respectivas sedes após o anúncio da punição à BAR.

Mosley, ao ser perguntado porque os carros de Alonso e Schumacher, primeiro e segundo colocados em Imola, também não foram pesados sem combustível após a corrida, se saiu com essa: “Porque tínhamos boas razões para achar que a BAR tinha algo de errado e nenhuma razão para achar que outras equipes estariam fazendo o mesmo”. 

Raikkönen parte para um passeio dominical
Não fosse a quebra que sofreu no início do GP de San Marino, Kimi Raikkönen provavelmente teria vencido lá também, mas sua superioridade sobre as equipes suspeitas hoje foi o fato maior da prova. Renault e Ferrari deram definitivamente um salto para trás em relação à última corrida. 

Vamos deixar uma coisa clara: nenhuma das três equipes citadas burlou o regulamento, até porque a FIA sabia da existência do reservatório extra de combustível e aprovou sua utilização, acreditando que eles não geravam um ganho de performance. Mas algum chefe de uma equipe rival (provavelmente o mesmo que esteve hoje sorrindo no pódio) conseguiu provar o contrário e avisou a entidade.

A verdade é que Button e Sato foram os bodes expiatórios para que as duas equipes mais importantes da Fórmula 1 na atualidade varressem a sujeira para debaixo do tapete antes que ela fosse descoberta pelo grande público. E avacalhasse a imagem da categoria.



Schumacher promete trabalho
O grande cerne da questão é a imprecisão do regulamento da Fórmula 1, que dá margem à mil interpretações e abre espaço para ações buscando a obtenção de vantagens em cima da incompetência de quem o redigiu. No fundo, é a FIA quem está pagando o preço de mudar as regras a cada temporada ao invés de apostar em regras claras e estáveis, com os pontos discutíveis podendo ser eliminados aos poucos. E a maior ironia do destino: o diretor-técnico da entidade (o homem que caça os infratores) é Charlie Whiting. No passado, o inglês era mecânico da Brabham e executou diversos truques que burlavam as regras da época, sob orientação do chefe da equipe, um tal de Bernie Ecclestone. 

A Fórmula 1 está parecendo o Brasil, fica impossível de saber quem é polícia e quem é bandido...



Sim, em meio a uma enorme crise política e de credibilidade, a categoria realizou uma corrida neste domingo. No plano esportivo, McLaren e Toyota saíram como as grandes vencedoras do fim-de-semana. Alonso conseguiu um resultado de sonho na briga pelo título, Raikkönen mostrou suas garras e Schumacher, pasmem, saiu do autódromo sorridente e jurando que está mais motivado do que nunca para trabalhar feito um louco e reverter a sua má situação no campeonato.
Toyota: uma equipe em ascensão

Destaques negativos para os habituais erros de Mark Webber, um Montoya claramente fora de forma e o vexame duplo das Minardi na largada, o que quase gerou um acidente feio com o cada vez mais desanimado Rubens Barrichello. Na média, temos uma temporada que ainda promete muita disputa pelos dois títulos em jogo. Apesar dos tribunais...
Um abraço e até a próxima,

Luis Fernando Ramos
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