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| » » » 01.04.05 |
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| Una Vera Ferrari |
01.04.05 |
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| Aldo Costa, o pai da criança |
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É mera retórica, mas vale o registro. O F2005 é o primeiro Fórmula 1 da Ferrari de alma italiana em mais de 20 anos. Quem assina o modelo é Aldo Costa, o sucessor de Rory Byrne na prancheta principal de Maranello. A última Rossa nascida da mente de um italiano havia sido a 126 C4. O projeto de Mauro Forghieri iniciou em 1984 uma longa série sem títulos da equipe, que havia sido campeã dos construtores no ano anterior.
Ainda é muito cedo para afirmar se o novo carro vai reconduzir a Ferrari às vitórias. E esta é a pergunta que todos esperam ver respondida já no Grande Prêmio do Bahrain. A impressão inicial é positiva, o que Michael Schumacher confirma. “Nossas chances de ir bem aqui são melhores com o novo carro. Estou feliz com ele, não tive nenhum problema e estamos em um bom caminho”, comentou depois do treino livre.
Tomando a Renault como base de comparação, Schumacher ficou a meio segundo de Fernando Alonso no segundo treino livre, uma sessão disputada sob temperaturas similares às encontradas há duas semanas na Malásia. Na ocasião, a Ferrari andou cerca de um segundo atrás do time que lidera o campeonato.
É um bom salto, especialmente por se tratar de um carro ainda pouco testado e num estágio inicial de desenvolvimento. A dúvida paira sobre o comportamento dos pneus Bridgestone. Em Sepang, eles pioravam à medida em que a pista ganhava mais aderência pela borracha solta durante os treinos, o que culminou na corrida latrinária de seus pilotos. O mesmo pode ocorrer no Bahrein, mas vale lembrar que a fabricante japonesa desenvolveu na semana passada um novo composto após o vexame na Malásia.
Em termos de aerodinâmica, o novo carro é um avanço em todos os sentidos. As chaminés na lateral do carro, o difusor e até mesmo o motor foram desenhados para otimizar a circulação de ar na traseira do carro e garantir um trato mais refinado com os pneus. Isto garante mais tração e também mais velocidade final. Aldo Costa aprendeu direitinho todas as lições ensinadas pelo mestre Byrne.
Se o futuro do F2005 é cercado de especulação, seu antecessor já está oficialmente aposentado. E merece um lugar de honra em Maranello pela dominância surreal que impôs ano passado, em que pese as agruras sofridas em março deste ano. É a repetição de uma história com outro personagem ilustre, o Lotus 79, que após arrasar a concorrência em 1978, andou do meio para trás na temporada seguinte. O tempo encarregou de apagar este final decadente e o modelo é festejado até hoje como um dos melhores carros da história.
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| O alemão num circuito das arábias |
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Assisti os treinos livres na tevê européia e foi impressionante a quantidade de pneus fritados em freadas. Este circuitinho besta construído no meio do nada é o que mais proporciona freadas extremamente bruscas em toda a temporada, quatro por volta. E o fato de ser pouco ou nada utilizado deixa o asfalto com pouca aderência, sem falar nos grãos de areia que o vento leva à pista.
Assim, vale a pena prestar atenção no desempenho de quem fritar pneus durante a corrida. Na Malásia, Juan Pablo Montoya culpou sua atuação discreta exatamente aos efeitos disso. Pela quantidade de gente que queimou borracha hoje no Bahrein, pode ser que essa regra boba de um pneu por corrida realmente sirva para dar alguma graça nas disputas. A conferir.
E, falando no colombiano, parece mesmo que ele se estourou foi andando de motocross. Não o recrimino por isso. Os pilotos são jovens, ricos e pelo próprio princípio da profissão, gostam de esportes que envolvam fortes emoções. Nos anos 80, quando os contratos ainda não incluíam bobagens que restringisse as atividades extra-pista dos pilotos, grande parte deles se reunia no inverno para animados campeonatos de esqui, algo tão perigoso quanto pular de moto por aí.
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| Sobra talento neste sorriso |
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E, falando no colombiano, parece mesmo que ele se estourou foi andando de motocross. Não o recrimino por isso. Os pilotos são jovens, ricos e pelo próprio princípio da profissão, gostam de esportes que envolvam fortes emoções. Nos anos 80, quando os contratos ainda não incluíam bobagens que restringisse as atividades extra-pista dos pilotos, grande parte deles se reunia no inverno para animados campeonatos de esqui, algo tão perigoso quanto pular de moto por aí.
O curioso é lembrar que a McLaren andou recriminando Kimi Raikkönen por ele andar bêbado e mostrando suas partes pudicas em público. Molecagem, mas nada extremamente radical. Não entendi porque Montoya não tomou o mesmo sabão em público, mas me delicio ao imaginar o que deve ter ouvido de Ron Dennis em particular.
O azar do colombiano pode levá-lo a uma cirurgia e uma longa recuperação, jogando no lixo seu ano de estréia na McLaren. Cada vez mais, me fica a impressão de que Montoya é a versão atualizada de Jean Alesi, um piloto que sempre se vendeu e foi comprado por muito mais do que realmente valia.
A boa notícia da semana foi o bom desempenho dos dois brasileiros nos primeiros testes da Fórmula 3 Inglesa. De um lado, Bruno Senna, herdeiro de sangue do tricampeão e que, com apenas sete corridas nas costas, deixou prá trás muita gente mais experimentada. Ainda acho que ele está dando um passo maior que as pernas ao já optar por esta categoria, mas seu desempenho no teste mostra que eu posso estar errado.
Do outro lado, Danilo Dirani. Como o tio de Bruno, um dos maiores kartistas que o Brasil já teve e dono de um talento natural incrível. O azar de Dirani é o de não contar com o mesmo estofo financeiro que Ayrton teve no início da carreira. Mas este garoto é tão bom que pode até chegar à Fórmula 1 sem ter dinheiro para isso. Com a minha torcida ele pode contar.
Abraço e até a próxima,
Luis Fernando Ramos
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