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| » » » 06.03.05 |
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Já era a expectativa de ver um novo campeão na Fórmula 1. Apesar da corrida latrinária que fez na Austrália, culminando num acidente estúpido com Nick Heidfeld, Michael Schumacher tem a faca e o queijo na mão para - oh não, de novo! - ser campeão do mundo. Há vários indícios disso. O principal é a competitividade demonstrada pelo F2004M, ainda que ela tenha aparecido pelas mãos de Rubens Barrichello.
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| Caras alegres de quem fez bonito |
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Em voltas rápidas, o carro híbrido está um pouco atrás dos Renault, em ritmo de corrida estão no mesmo nível. Vale lembrar que o F2005 deve estrear em Barcelona e vai garantir a seus pilotos um ganho de performance gigante por dois motivos: seu chassi possui uma aerodinâmica otimizada para as asas novas, melhorando a velocidade final em relação ao carro de Melbourne; e sua distribuição de peso e as suspensões foram desenhadas para pneus que durem uma corrida inteira, enquanto que o F2004M gera um gasto de borracha além da conta. Pronto, de sopetão a vantagem da Renault foi embora.
Outro fator importante. O primeiro treino livre de sábado, o único do fim-de-semana realizada sobre pista inteiramente molhada, mostrou que a Ferrari vai deixar os rivais a ver navios literalmente. Sem o menor esforço, Schumacher colocou três segundos no terceiro colocado, Kimi Raikkonen. Obviamente, Rubinho foi o segundo naquela sessão. Quando chover pra valer, não vai ter pra ninguém.
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| Cara tranqüila de quem não fez nada |
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Para completar, a dupla da Ferrari possui engenheiros competentes que sacaram logo de cara o jogo de estratégia desta nova Fórmula 1. Eles tiveram grande parcela de responsabilidade na ascensão de Rubinho do 11º lugar no grid ao segundo na corrida. E de Schumacher do 19º ao 6º lugar, posição que o alemão ocuparia ao final não fosse a desastrada defesa de posição que executou sobre o valente Nick Heidfeld.
O fato de Barrichello ter ido muito melhor que Schumacher na Austrália não deve gerar preocupação em demasia no alemão. Ele sabe que pode (e vai) treinar muito para descontar essa diferença. Sabe que seu status de número 1 na equipe lhe garante uma quilometragem muito maior com o equipamento em relação ao brasileiro e vai usufruir disso. Assim, misturando poder político e superioridade técnica, mina o maior adversário que terá em 2005, aquele com o melhor carro do grid, um carro igual ao seu.
Já era a dúvida se Giancarlo Fisichella era ou não tudo o que falavam. Pode ter dado sorte no treino, mas fez uma corrida em que o adjetivo perfeito é pouco. Ele é tudo o que falavam!
Já era a BAR-Honda. Mais lenta que Toyotas e Saubers. Um desastre total. Ao que parece, o 007 nasceu errado e vai ser difícil consertá-lo. A única licença para matar deste agente secreto é em relação aos pneus. Pobre Button, pobre Sato.
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| Um cara que não faz muita coisa |
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Já era Mark Webber. Em sua primeira corrida por uma equipe de grande porte, o australiano provou que não importa o carro: ele é um piloto rápido em classificações, mas fraco e passivo em corridas. Foi dose para leão passar 57 voltas entalado atrás do apenas corajoso carro da Red Bull de David Coulthard. Ele só esboçou uma ultrapassagem quando o escocês se enroscou com uma das lamentáveis Minardi, sem sucesso. Heidfeld, ao menos, partiu com tudo para cima de Schumacher. Webber deve ter levado um sabão homérico de Patrick Head após a corrida.
Já era o torcedor brasileiro, cada vez mais refém da Rede Globo. Perde metade do primeiro treino classificatório por causa de uma tal de Mad Maria, que alguém como eu que mora no Exterior imagina se tratar de uma versão tupiniquim e feminina de Mad Max. E não vê o segundo treino por causa da novela, o que era esperado. Ora, o que custa ao caprichoso império de comunicação colocar a transmissão destes eventos ao vivo em um dos dois canais esportivos a cabo de que é proprietária? Quem é mais trouxa, o telespectador ou as marcas que pagam milhões para anunciar no pacote de F-1 deles?
Já era a Fórmula 1. A idéia de apenas uma volta lançada por piloto na classificação já era estapafúrdia. Fazer isso em duas sessões, com tempos agregados, ficou mais ridículo ainda. As nuvens australianas logo mostraram que a excelência desportiva dos competidores ficará sujeito aos caprichos de São Pedro, o que em si só é ridículo. O que dizer então do pole-position com um tempo acima de 3 minutos. Não parece corrida de bicicletas?
Outra coisa. Nós acompanhamos a Fórmula 1, estamos inteirados com alguma profundidade nas regras, pilotos e equipes novas. Minha esposa e outros milhões de terráqueos apenas assistem à categoria. A cara de desespero dela tentando ver algum sentido naquela sopa de números que pipocou na tela após o treino classificatório foi histórica. É assim que os dirigentes esperam ganhar novos torcedores?
Para completar, a tal regra dos motores prevê a possibilidade de troca das unidades para quem não terminar as corridas. A BAR aproveitou bem essa baboseira e mandou seus dois pilotos encostarem nos boxes na última volta, para correr de fôlego renovado na Malásia. Espertos eles, trouxas somos nós. Quero meu dinheiro de volta.
Já era a Fórmula 1, de novo. Se a categoria está cada vez mais americanizada no regulamento desportivo, segue o mesmo caminho no campo político. O teatrinho promovido por Paul Stoddart nada mais foi que uma sonora e travestida patada da turma do GPWC na tríade FIA/Bernie/Ferrari. Pelo andar da carruagem, uma cisão em 2007 parece certa. Restarão duas categorias como a CART e a IRL, duas metades que sozinhas não têm valor algum. Preparem-se para o pior...
Um abraço e até a próxima,
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