Sessão Colunas
Escreva pra gente
Friends
17.08.2011
Fangio begins
Top Five para o Red Five II
Comente
10.05.11
Nossos leitores comentam o GP da Turquia
Nossos leitores comentam o GP da Austrália
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
16.08.11
Cartas - Segunda quinzena de Agosto
Cartas - Primeira quinzena de Agosto
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
29.07.11 - Carlos Chiesa
O Eclipse
E o toureiro não apareceu
21.09.09 - Ernesto Rodrigues
O parasita fanfarrão
Rubens, o relativo
mais
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Eduardo Correa » 09.04.10
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
Bandeira amarela 09.04.10


Vettel, a um passo de monopolizar o Mundial - Clique para ampliar
Creio que nem mesmo os mais entusiasmados com a diversidade de vitórias nos três primeiros GPs negam a possibilidade de o Mundial 2010 vir a repetir, com pequeno atraso, os rumos do campeonato do ano passado, Sebastian Vettel emendando meia dúzia ou mais de vitórias em sequência, hipotecando o título e derrubando o primado de Lewis Hamilton como o mais jovem campeão da categoria.

Nem quero imaginar o que um domínio acachapante do alemão significará para a categoria, tão pressionada em fornecer “emoções” às massas, mas tenho a certeza de que tal domínio está muito próximo. Basta os engenheiros da RBR acertarem detalhes do carro e Vettel não cometer erros. Nestas condições, nem Ferrari, nem McLaren, muito menos Mercedes parecem capazes de sequer chegar ao 2º lugar sem contar com a “ajuda” de Mané Webber.

Não duvido que, mais para o meio do campeonato, estas equipes sejam capazes de neutralizar a força da RBR. Se vão conseguir descontar a vantagem que Vettel pode abrir é outra história. Pessoalmente, aposto em Hamilton como principal adversário do alemão, seja pela gana com que tem pilotado, seja pela competência dos engenheiros da McLaren. Na Ferrari, apesar das atuações até aqui superlativas de Felipe Massa e Fernando Alonso, temo por problemas de motor e, talvez, por uma fraqueza geral do projeto italiano, a dobradinha no Bahrein sendo devida mais a um golpe de sorte. A tal inclinação do motor no Ferrari F10, para potencializar o efeito do extrator, repete uma opção sempre arriscada em termos de lubrificação e refrigeração. Não é uma boa área para se arriscar.





Foi assustador ver Sébastien Buemi segurar sem grande esforço Massa, Alonso e Jenson Button por várias voltas no começo do GP da Malásia. Não que já não tenhamos visto esta situação no passado mas foi chocante ver como qualquer carrinho de pipoca (desculpem por isso, fãs da Toro Rosso) é capaz de arruinar as chances de vitória da nata da categoria.

Como chegamos a este ponto? A discussão tende a ser inconclusiva mas não é este o ponto e sim como alguém, em sã consciência, pode sequer pensar em defender a ideia do grid invertido na largada? Pô-lo em prática seria instituir a suprema loteria, a descaracterização final da Fórmula 1, a morte do único fundamento que resta intocado, aquele que chamei de número 1 em minha coluna Fundamentos, o da premiação do máximo desempenho técnico e esportivo.

A desestabilização da Ferrari talvez ajude Massa
Digo isso porque temo que, diante de mais um campeonato “sem emoções” (e o próprio Bernie Ecclestone manifestou este temor semanas atrás, dizendo que o GP da Austrália teve seu resultado mascarado pela chuva, o mesmo podendo ser dito da corrida malaia), o tema do grid invertido volte com força total. E, sabem como é, o estoque de ideias idiotas está se esgotando de forma que colocar o pole pra largar em último pode ser considerado uma boa solução. Até um ou dois anos atrás não me preocupava veramente com esta possibilidade, acreditando que Bernie não desrespeitaria fundamento tão sólido mas a derrubada sem choro nem velas do sistema de pontuação que vigorou por 60 anos me colocou em alerta.





Dando voltas no tema “emoções”, me ocorreu uma dúvida que, agora, partilho com os amigos leitores: porque Bernie Ecclestone resiste em recorrer às bandeiras amarelas, a única forma comprovadamente eficiente de gerar finais disputados, que, suponho, seja o que ele e muito gente boa entende por emoção?

Vocês certamente já sacaram que tantas finais apertadas na Nascar e na Indy só são possíveis porque os comissários de pista usam a bandeira amarela de forma arbitrária para conter a disparada dos líderes, algo inevitável, absolutamente inevitável, mesmo em categorias monomarca. Foi assim no passado, é assim no presente, será assim enquanto existirem corridas de automóvel: os melhores sempre vão disparar na frente, seja pela competência ao pilotar, pela superioridade do meio ou pela combinação de ambos. E nem venham dizer que os americanos só acionam a bandeira amarela em situações de risco. Claro que aquele monte de pilotos toscos que em geral habitam as categorias americanas são plenamente capacitados a provocar situações que demandam bandeiras amarelas mas nos raros casos em que eles não as provocam, os comissários encontram um jeito de usá-las, como fizeram de forma descarada nas voltas finais da Indy 500 93, vencida por Emerson Fittipaldi, só para permitir a Nigel Mansell aproximar-se do brasileiro.



Mas voltemos à minha dúvida: por que Bernie não institui o uso das bandeiras amarelas sob qualquer pretexto apenas para impedir que os líderes disparem? Remoo a resposta há semanas sem chegar a uma conclusão melhor: o inglês tornou-se de tal forma altaneiro em relação ao resto do mundo que simplesmente se recusa a seguir qualquer ideia que não tenha saído da própria cabeça. Bernie só apoiaria a contenção artificial dos líderes se ele próprio tivesse inventado a bandeira amarela. Como não o fez, a repele de maneira peremptória, se recusando mesmo a discuti-la.

(Não pensem por um minuto que eu apoio esta ideia. Lembrem-se que sou agarrado aos fundamentos, tanto mais ao único que restou...)





A batalha que se desenha entre Massa e Alonso promete assumir tons épicos. O brasileiro superou-se nas três corridas até agora e vai lutar com mais do que as suas forças para superar o colega de equipe, tão fortemente dotado de talentos e velocidade, numa luta que me lembra um pouco Piquet x Mansell nos anos Williams.

Uma hipótese que Massa terá de considerar nas próximas semanas, por mais arriscado que seja, é a desestabilização da equipe, de forma a pressionar Alonso. Não sei se Massa é capaz de tal coisa, não sei se é seguramente vantajoso para ele, tampouco se Alonso e a Ferrari caem na esparrela. O fato é que ganhar de Alonso na pista não será fácil, ainda que não seja impossível.



Buemi segurou Massa, Alonso e Button - Clique para ampliar


Uma curiosidade para terminar: a força das frenagens num F1 pode ser medida em cavalos. A Brembo calculou que, na St Devote, em Mônaco, os carros demandam mais de 2100 – dois mil e cem - cavalos de potência para desacelerar de 270 km/h para 115 km/h num intervalo de poucos metros!

Bom final de semana a todos

Eduardo Correa

Eduardo Correa

 Leia mais colunas de Eduardo | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação