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| » » » 04.11.09 |
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| Rescaldos do baile funk |
04.11.09 |
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Começou como uma festinha familiar e virou um baile funk, com todas a emoções baratas inclusas no preço do ingresso.
Poucas vezes se viu uma temporada com fases tão bem definidas como a de 2009, Jenson Button garantindo o Mundial nas sete primeiras corridas, quando teve um aproveitamento de quase 95% dos pontos.
Ele conseguiu tal feito graças a uma série de fatores:
1) o milagre da Brawn, sobre o qual já falamos aqui e aqui, e a própria competência em tirar proveito dele.
2) A incapacidade de Rubinho de reagir como se esperava quando teve nas mãos um bom carro, pouca concorrência externa, nenhuma limitação ditada pela equipe e um ser humano como companheiro.
3) A incompetência das demais equipes, perdidas em projetos mal concebidos e aturdidas pela proibição dos testes em pista. Não fosse esta regra absurda, resultado provável de uma distração nas discussões do regulamento 2009, e tudo teria sido diferente, McLaren e Ferrari provavelmente acertando os seus carros e dando possibilidades reais a Lewis Hamilton, Kimi Raikkonen e Felipe Massa de disputarem o Mundial.
A partir do GP da Inglaterra, tudo mudou para Button. Seu carro perdeu a superioridade e Rubinho passou a ter ligeira vantagem – apenas ligeira: nos resultados de corrida, a partir de Silverstone, ficou 5 a 5, Rubinho marcando 42 pontos, Button 34.
No entanto, o inglês foi ajudado pela oposição. Além de Rubinho nunca ter representado uma ameaça real, as equipes rivais se dividiram e a principal entre elas, a RBR, errou algumas vezes e teve azar em outras tantas. Parece decisivo, olhando em retrospecto, o fato de não ter privilegiado Sebastian Vettel no confronto com Mark Webber. Além disso, o jovem alemão combinou erros decorrentes de uma preocupante inexperiência a azares, como no treino para o GP do Brasil, uma corrida que ele poderia ter vencido, e em Cingapura, onde Vettel acabou sendo vítima de uma punição que agora se sabe equivocada por parte da Fia, e que lhe tirou um provável 2º lugar.
Isso e mais as vitórias da McLaren e da Ferrari, que só serviram para embaralhar mais as coisas, tornou possível a Button manter a cabeça no lugar e colher os frutos que plantou nas primeiras corridas do ano.
Depois de Silverstone, muito se falou que a evolução de Rubinho deveu-se a uma modificação nos freios do Brawn, uma história já manjada, de que o material usado pela Brawn a partir de Silverstone favorecia o estilo de pilotagem de Rubinho, mais afeito a patadas no freio, em oposição ao estilo mais suave e progressivo de Button.
Mas por que a equipe mudou os freios de seu carro se isso não favoreceu ao piloto que liderava o Mundial com grande folga? Não cheguei a uma reposta cabal. A troca dos freios não foi feita para atender apenas ao estilo que Rubinho sempre foi incapaz de alterar. Ela foi feita para tentar consertar um problema crônico do carro, que cedia muita altura na frenagem, o que levava a um desequilíbrio aerodinâmico. Constatada a irrelevância da alteração, talvez tenha faltado dinheiro para a equipe voltar atrás...
E agora se descobre que os Brawn tinham um grave defeito de projeto: o carro era pesado e tinha o centro de gravidade excessivamente alto, uma decorrência do pouco tempo – seis semanas – que a equipe teve para ligar chassi, projetado a partir da metade da temporada 2008, ao motor Mercedes. A informação vem direto de Ross Brawn e sublinha a incompetência das demais equipes.
Jarno Trulli é uma espécie de Rubinho italiano – e costuma entregar ainda menos do que o brasileirinho. Tomara que ele vá correr na Nascar!
Robert Kubica encerra a temporada 2009 como forte candidato a ser o Jarno Trulli dos próximos anos.
No final das contas, ele ficou atrás de Nick Heidfeld, apesar do inexplicável 2º lugar em Interlagos. Sua ida para a Renault não prenuncia coisas boas. A equipe está evidentemente desestruturada, ainda que possa contar com um motor que, no final das contas, terminou o mundial em 2º lugar.
Igualmente grave para Kubica é ele ter perdido as vagas em duas equipes indiscutivelmente melhores do que a Renault, McLaren e Brawn, e sequer ter sido considerado seriamente para a vaga de Kimi.
Ah! O tom sempre novelesco de Rubinho.
Na segunda-feira, ao anunciar o seu novo empregador para 2010, caminhando de forma algo dramática entre os velhos Williams, carros carregados de tradição e vitórias que parecem bem enterradas no passado, ele se derramava: “é um sonho de infância que se realiza...”
Entendo que não era o caso de lascar um “olha gente: foi o que me sobrou” mas seria prudente contingenciar as possibilidades de Rubinho. A equipe, aferrada a sua eterna teimosia, nada pode prometer em termos de desempenho e me parece muito temerário confiar nos motores Cosworth. Eles são declaradamente rescaldo dos usados até 2006, concebidos para serem baratos e funcionarem bem acima do limite de 18 mil giros imposto pela Foca. Contidos neste regime, não se sabe se os Cosworth terão bom desempenho, muito menos qual será a vantagem no consumo de combustível.
Não se sabe sequer se a Williams terá um orçamento médio para 2010, podendo muito bem se autoenquadrar no limite das equipes anãs por falta de patrocinador – e não colher nenhum benefício por isso.
Repito: acho que Felipe Massa tem boas chances no confronto direto com Fernando Alonso. Ele se saiu muito bem na convivência com Kimi, inclusive do ponto de vista político. A Ferrari tem, sem dúvida, vários motivos técnicos para mantê-lo como piloto mas não posso deixar de observar que importante motivo para preservar a vaga de Massa na Ferrari é exatamente o fato de ele ser um piloto muito mais barato que Kimi...
Ao final da temporada, registro todas as minhas simpatias por Lewis Hamilton, Timo Glock e Kamui Kobayashi, pilotos que, de diferentes maneiras, se superaram e surpreenderam em 2009. Também me agradou ver Massa nas pistas, sovando impiedosamente o companheiro de equipe até o GP da Alemanha. Envio minhas condolências à Toyota, um caso crônica de incapacidade para as corridas em pista (ela já havia fracassado em Le Mans) e recomendo que se fixe naquilo em que é insuperável: fabricar bons carros.
Adianto que acho difícil que a Brawn consiga repetir em 2010 a boa temporada deste ano. Batendo na tecla da competência dos engenheiros, imagino que Ferrari e McLaren devam ser consideradas favoritas, restando ver se a RBR conseguirá se manter onde chegou talvez sem saber bem porque.
Abraços
Eduardo Correa
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