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| » » » 21.10.09 |
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| Saco cheio de Rubinho |
21.10.09 |
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Estou de saco cheio do Rubinho. Gostaria de nunca mais vê-lo pilotando, muito menos ouvir, falar ou escrever sobre ele. Gostaria de ter encerrado minhas considerações a respeito da carreira dele com a coluna Viva Rubinho! mas ele insiste em continuar nos acenando com vãs esperanças de redenção, como na magnífica volta que o levou à pole no GP do Brasil para depois mergulhar no mix de mediocridade e azar que pontuam a sua infindável carreira.
Quanto tempo mais teremos de agüentar falhas, urucubacas, lamurias, choros, sambadinhas, fantasias adolescentes, participações no Casseta&Planeta, entrevistas destemperadas seguidas de retratações humilhantes e pedidos de desculpas? Por quantas temporadas mais teremos de ver a exposição pública do pai, da mulher, dos filhos e até da avó dando receita de bolo de cenoura, misturadas com a sabujice abjeta dos elogios descabidos de associados ao seu “amadurecimento”, como se ele fosse um menininho recém-saído do kart? Quanto mais teremos de agüentar sua suposta esportividade, participando da festa da BrawnGP quando, certamente, preferia mandar uma banana pra todos. Quantas vezes mais teremos de usar de psicologia e não de esporte para analisar os passos do brasileirinho e nos desdobrar em explicações que possam justificar seu comportamento e resultados?
Eu queria que Rubinho fosse tão mudo e discreto quanto Kimi Raikkonen, de quem não sabemos onde mora, com quem vive, para que time torce. Queria que ele não estivesse nem aí para a Globo (como Guga fez ao longo da carreira), que tratasse a imprensa com polidez e distância e que exigisse ser tratado da mesma forma e que recebesse os humoristas do Pânico com uma belíssima e certeira cabeçada bem no meio da cara, de forma que nunca mais um fdp daqueles se aventurasse a sequer pensar em qualquer sacanagem que envolvesse o seu nome.
Eu queria que Rubinho tivesse sido um piloto do qual não precisássemos nunca, nunca, nunca, dizer que “amadureceu”, como se isso fosse um privilégio de quase quarentões, muito menos elogiar o fato do elemento avisar, depois de marcar a pole, que “ainda não ganhamos nada”.
Digo isso mais pelo conjunto da obra e menos pelo desempenho de Rubinho em Interlagos, onde ele verdadeiramente fez a diferença ao conquistar a pole naquelas condições infernais e correu sem erros, ao menos visíveis – só pra naufragar de novo e de novo e de novo.
Estou de saco cheio também de Bernie Ecclestone. No sábado, em Interlagos, em entrevista gravada ao repórter Fábio Seixas, ele disse que a morte de Ayrton Senna foi boa para a Fórmula 1 pois atraiu mais público para a categoria.
Não posso criticar mais o provecto dirigente do que já o fiz na minha coluna Bernie tem que morrer. Quem sabe esta nova declaração idiota, capaz de rivalizar com seu elogio a Hitler e que torna passável a defesa de Flavio Briatore, o leve não ao cemitério mas à aposentadoria. Martin Sorrell, membro do conselho da CVC, a dona dos direitos comerciais e organizativos da Fórmula 1 e pretensa empregadora de Bernie, deu-lhe, dias antes do GP de Singapura, depois de ouvir de Bernie que a punição a Briatore foi pesada demais, a segunda bronca pública. A primeira foi pela declaração pró-Hitler.
Como os cirurgiões, pilotos têm de ser resolutos e ter autocontrole. São duas qualidade essenciais para lidar com o imprevisto normal à profissão. Jenson Button, campeão da Fórmula 1 2010, deu um show – verdadeiramente um show - de autocontrole na segunda metade da temporada, quando os BrawnGP perderam a sua acachapante superioridade. E ele não foi de todo mal no quesito resolução.
Fora isso, há pouco o que dizer do seu título, um milagre em todos os sentidos, produto de um carro inspirado e da fraqueza geral do grid. Verdade que ele sempre exibiu uma condução sem erros mas como teria sido o seu desempenho se tivesse, como companheiro de equipe, alguém que não se atrapalhasse tão amiúde com a embreagem, com a estratégia, com as declarações, com as próprias pernas? E como ele teria se saído se, como principal oposição, tivesse na RBR um piloto menos mané e outro, mais experiente, pilotando um carro mais consistente?
Não tenho aqui os mapas das corridas vencidas por Button este ano mas não lembro que ele tenha feito uma única ultrapassagem sequer nas pistas para garantir uma vitória. Sintomático, não? Se bem que, no domingo, ele fez todas as ultrapassagens que ficou devendo no começo do ano...
Nunca ninguém se tornou campeão do mundo por acaso, ainda que vários tenham chegado lá por um golpe de sorte. Não se pode dizer isso de Button. Ele teve o melhor carro nas mãos em várias corridas da temporada e não desperdiçou nenhuma chance de ganhar ou obter a melhor colocação possível. Mas, tudo somado, seu título entra para a categoria dos milagres da Fórmula 1.
Bem-vindo Kamui Kobayashi!
Saiba que você foi, provavelmente, o piloto cuja corrida mais acompanhei no domingo. Gostei do seu arrojo, do seu desprendimento, da sua coragem. Imagino que você incorporou o espírito do Timo Glock, piloto de quem cada vez gosto mais. Não sei se você fez algum teste na Fórmula 1 antes da sexta-feira em Suzuka mas encarar Interlagos inundado pela chuva na sexta-feira e sábado foi coisa de gente grande.
Sei que não são raros os casos de pilotos que estréiam na Fórmula 1 com grandes exibições e depois somem na poeira do tempo. Espero, sinceramente, que isso não aconteça com você.
Grande abraço
Eduardo Correa
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