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Home » Colunas » Eduardo Correa » 06.05.09
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Edu em crise 06.05.09


Vettel, 2o colocado no Bahrein
Edu – eu próprio, no caso - está em crise e o sumiço das suas colunas não é casual: ele está, de fato, sem saber o que dizer da “nova Fórmula 1” e o noticiário sobre a “novíssima Fórmula 1”, a de 2010, só piora as coisas.

Ele está com cada vez menos paciência pras corridas, tem achado os GPs tediosos e só viu os treinos da China por insônia pura e simples. Também está besta com a superioridade acachapante da Brawn, o mesmo para a RBR que, junto com Sebastian Vettel, ameaça se tornar o melhor conjunto da temporada já nas próximas corridas, desandando a ganhar GPs. Edu está igualmente estupefato com a incapacidade de reação da McLaren e da Ferrari. A boa corrida de Lewis Hamilton no Bahrein? Ora! Desde quando um 4º lugar é boa corrida, argumenta o velho comentarista?

Edu entende que, sem os testes entre os GPs, as equipes passaram a depender inteiramente dos seus túneis de vento e dos sistemas de simulação em computadores para testar novidades e aprimoramentos. A calibragem e afinação de uns e outros passou a ser fundamental e, como se viu até agora, não têm produzido resultados minimamente eficientes, principalmente para a Ferrari.

Como já expressou tempos atrás, Edu não é chegado nestas bagunças de regulamento. Pode até achar graça em um ou outro GP maluco mas, no geral, gosta das coisas bem certinhas, apreciando a premiação da lógica a partir de regulamentos estáveis e respeitadores das tradições.

O que mais ela vai aprontar?
Ele até que tentou mas não conseguiu deixar de torcer o nariz pra tanta mudança inútil, a mais visível delas o kers, que ruma celeremente para a lata de lixo da história. Edu também quer que alguém lhe prove com estatísticas que as mudanças no regulamento estimularam as ultrapassagens. Ele acha que elas seguem sendo raras e é assim que devem ser pois ultrapassagens sempre foram raras na Fórmula 1. Ele diz afirmar isso não por azedume, pirraça ou chatice mas porque Fórmula 1 sempre foi assim, bastando olhar pra sua história.

As notícias dando conta da fixação de um teto de gastos, a indicação do campeão pelo número de vitórias e outra mumunhas mais só agravaram a crise do Edu. Ele tem sido visto vagando pelas ruas do bairro onde mora, em São Paulo, repetindo a frase de Jarno Trulli: “A Fórmula 1 quer morrer”.





Sabe qual é o verdadeiro problema do Ferrari F60?

Mike Hawthorn com o Ferrari Dino 246, na Inglaterra 58
É que ele é um carro feio, aquela pança bojuda me lembrando o mortífero modelo Dino 246, que matou três pilotos em 58.

Li em AutoSprint que os problemas do F60 vão muito além do projeto do extrator. Os engenheiros da equipe simplesmente subestimaram a necessidade de geração de pressão aerodinâmica pelo carro como um todo, e não só pelo seu extrator.

Ao projetar o F60, os engenheiros definiram como meta obter uma pressão aerodinâmica de x, achando que isso seria suficiente para superar a concorrência. Acontece que a Brawn e outras equipes conseguiram x + y de pressão, conseguindo assim mais velocidade em curva e melhor aproveitamento dos pneus, deixando o Ferrari muito para trás. O desenvolvimento do carro – oh destino perverso! - foi feito a contento: os engenheiros conseguiram tirar do F60 tudo o que queriam em termos de pressão aerodinâmica durante a fase de testes, só para descobrir que isso era insuficiente para acompanhar a maior parte do pelotão, condenando o carro a atuações ridículas.

E também se atrapalharam nas semanas seguintes. O kers da Ferrari revelou-se uma faca afiada, as baterias soltando uma substância corrosiva no habitáculo, o que levou a equipe a tirar o segundo motor dos seus carros na Malásia. A equipe lutou para construir uma carroçaria mais leve para o carro, de forma a poder usar melhor os lastros, mas o raio da carroçaria não passou nos crash-tests...





Especialistas avisam: a maior novidade técnica da temporada não é o extrator traseiro ou mesmo o desenho de todo o fundo do Brawn mas a suspensão traseira da RBR.





Muito interessante os bastidores do desenvolvimento do Brawn, que vão surgindo aos poucos.

Kimi no Bahrein
Há quem atribua o sucesso do modelo à determinação de Ross Brawn em dinamitar, no começo do ano passado, a Super Aguri. Assim, ele pode trazer para a extinta Honda não só mais dinheiro e alguns técnicos capacitados – foram dois ex Super Aguri, Ben Wood e Mark Preston, quem, no começo de 2008, começaram a desenhar o modelo vencedor deste ano –, como também usar mais dois túneis de vento que serviam à finada co-irmã. Desta forma, o Brawn foi embalado em nada menos do que quatro túneis de vento funcionando simultaneamente (não, não sei como se faz isso...)

Dinheiro? Não se esqueçam de que, até o fim do ano passado, o orçamento era o da Honda, que disputava com a Toyota o título de maior queimadora de dinheiro da categoria. O sapato de Brawn só apertou de verdade este ano, quando o grosso do trabalho já estava feito. Pensando bem, distinguir a Brawn como a equipe estreante mais vencedora da Fórmula 1 é uma meia-verdade...





Button pode bater o recorde de Rubinho - Clique para ampliar
O recorde de participações de Rubinho em GPs vai durar pra sempre? Dificilmente.

E querem saber de uma coisa irônica? Dos pilotos em atividade, aquele com mais condições reais de engolir o recorde de Rubinho – se não errei nas contas - é... Jenson Button.

Se ele correr até os 37 anos, idade presente de Rubinho, considerando 17 GPs por ano, chega aos 291 GPs, contra 288 de Rubinho, considerando que ele pendure a chuteira ao final desta temporada. Nico Rosberg, Fernando Alonso, Robert Kubica, Felipe Massa e Lewis Hamilton não conseguem igualar a marca de Rubinho mas Vettel pode igualá-la. Mas aposto que pelo menos um deles vai esticar a carreira até dos 37 anos, o próprio Rubinho tendo chances reais de correr mais um ou dois anos, inclusive pelo ingresso de novas equipes na categoria.





Voltando à crise do Edu, ela tem pelo menos uma coisa de bom: abrir mais espaço para os jovens comentaristas no GPTotal. Marcio Madeira, Lucas Giavoni, ambos do www.ultimavolta.com, e Marcel Pilatti estão no Gepeto pra ficar.

Abraços

Eduardo Correa

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