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Nigel Massa & Ronaldinho Barrichello 11.03.09


Nigel Massa chegará lá na temporada 2009?

Massa testando em Jerez, segunda feira passada
Pode ser que sim, pode ser que não. As muitas novidades técnicas mais as condições erráticas – chuvas, ventos, tempestades de areia – das pistas onde se treinou até agora estão longe de permitir quaisquer conclusões sobre duas questões fundamentais para se antever o futuro imediato de Massa:

- o novo Ferrari é superior à oposição?

- Massa vai se adaptar bem ao novo carro?

Como já vimos em colunas passadas, por força dos pneus slick e das mega asas dianteiras, os carros 2009 têm suas frentes mais grudadas ao chão, um acerto do qual Massa não gosta, ao contrário de Kimi Raikkonen, que prefere pilotar carros com uma inserção em curvas mais precisa. Já Massa, como seu modelo Nigel Mansell, gosta do desafio de frear violentamente o mais próximo possível da curva, confiando a trajetória do carro à sensibilidade que Deus lhe deu para equilibrar potência e aderência com o manuseio fino do volante, freio e acelerador.

Rubinho acelera o BGP ontem, em Barcelona A seguir mais fotos do teste
Como já disse antes, Massa não é refém indefeso deste estilo de pilotagem e tem competência de sobra para superar as dificuldades impostas por um carro que escapa pouco ou nada de frente. Aliás, nas duas temporadas que disputou ao lado de Kimi, ele demonstrou capacidade de adaptação ligeiramente maior do que a do finlandês, ainda que ninguém me tire da cabeça que Massa distanciou-se da luta pelo título de 2007 quando a Ferrari reviu o projeto do seu carro, afinando-o mais ao estilo de Kimi.

Por isso, a trajetória de Massa rumo ao título de 2009 começa em casa: ele precisa se impor a Kimi que, na teoria, larga em vantagem.

Será um grande teste para o talento e o propalado amadurecimento de Nigel Massa.





Enquanto isso, Ronaldinho Barrichello parte para nova aventura.

Kovalainen
Sempre mascando os seus ressentimentos, os maiores deles contra si próprio, Rubinho começou ontem nova retomada na carreira, a quarta, se não me atrapalhei nas contas. Seu acordo in extremis com a BrawnGP, uma equipe embalada até agora por pouco mais do que o entusiasmo dos seus proprietários, lembra o acordo que ligou Ronaldinho ao Corinthians: na falta de opção melhor, imagina-se que possa ser bom para ambos, ainda que não se saiba exatamente como.

No domingo, Ronaldinho começou a desmanchar as dúvidas que cercavam o seu retorno. Apesar do peso em excesso, da falta de condicionamento e dos joelhos moídos, ele subiu de cabeça para empatar o jogo contra o Palmeiras, mostrando mais uma vez que o seu amor ao esporte é forte o bastante para superar todas as dificuldades.

Alonso
Rubinho pode repetir o caminho trilhado até aqui por Ronaldinho, principalmente se se apegar à força do esporte. Ajuda também ele abandonar a encarnação do anjo vingador e adotar a imagem pública de Ronaldinho, a candura em pessoa - ainda que seja fácil imaginar que, na vida real, o atacante não seja bem assim.

Desta forma, Rubinho pode superar mais facilmente os problemas de uma equipe que obviamente não teve nos últimos meses paz de espírito, tempo e recursos suficientes para refinar o projeto do novo carro, não importa quando ele tenha sido concebido. Mesmo contando com motores Mercedes, a equipe terá de lutar, primeiro, para escapar da disputa pelas últimas posições no grid com a Force India, sem contar que a falta total de patrocínios reduz a BrawnGP a viver da caridade alheia, como a Prost em seus últimos momentos.

Milagres existem mas não são comuns.





Heidfeld
Há algo estranho nas idéias da Fota para a nova Fórmula 1 e penso que o documento divulgado ao público na semana passada seja apenas uma versão aguada das reais propostas das equipes, onde acabaram ganhando destaque iniciativas nascarianas, como sessões de autógrafos obrigatórias para os pilotos (imaginem quanto isso vai custar a quem entrar na fila...) e chefes de equipe disponíveis para atender à TV durante as provas.

Ok. Há uma proposta concreta contendo as pesquisas aerodinâmicas, um dos maiores sorvedouros de dinheiro das equipes, e a uniformização e limitação de desenvolvimento de alguns elementos construtivos, como células de sobrevivência, transmissões e motores. O quanto isso representará de economia para as equipes, ninguém sabe, muito menos se haverá nivelamento da competitividade entre as equipes.

Nakajima
Contudo, a questão central – grana -, pelo que vi na imprensa especializada, sequer foi tocada. Talvez os advogados das equipes tenham chegado à conclusão de que os contratos que as ligam a Bernie Ecclestone são blindados de tal forma que não possam ser alterados. Bernie também pode ter contraposto com o argumento de que está apoiando as equipes BrawnGP e Williams com dinheiro do próprio bolso o que, em última instância, garante a sobrevivência da Fórmula 1 pois a categoria depende de um número mínimo de carros no grid.

Enfim, me parece evidente que ficamos sabendo de apenas uma parte da história, restando aguardar pelos próximos capítulos.





Webber
Desde logo, me arrepia a proposta do encolhimento da distância dos GPs. A mim, basta a asnice contida no argumento em prol da redução exposto por Felipe Massa: “ninguém presta atenção nas últimas 15 voltas da corrida”. É um argumento para Flavio Briatore nenhum botar defeito.

Resta, porém, a esperança de que a massa dos torcedores se imponha. Na pesquisa promovida pela Fota em 17 países para tentar entender o que os torcedores querem da Fórmula 1, idéias exóticas como largada com grid invertido, GPs em duas baterias etc. foram descartadas. Os torcedores preferiram defender a primazia do piloto, da tecnologia e das ultrapassagens. Ou seja, o que transformou a Fórmula 1 na Fórmula 1.

Abraços

Eduardo Correa
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