Sessão Colunas
Escreva pra gente
Friends
17.08.2011
Fangio begins
Top Five para o Red Five II
Comente
10.05.11
Nossos leitores comentam o GP da Turquia
Nossos leitores comentam o GP da Austrália
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
16.08.11
Cartas - Segunda quinzena de Agosto
Cartas - Primeira quinzena de Agosto
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
29.07.11 - Carlos Chiesa
O Eclipse
E o toureiro não apareceu
21.09.09 - Ernesto Rodrigues
O parasita fanfarrão
Rubens, o relativo
mais
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Eduardo Correa » 04.02.09
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
Os cinco títulos de Senna 04.02.09


Cinco?

Sim. O quarto título de Ayrton Senna, seria, claro, o de 1989, um título que lhe foi tirado na mais truculenta manobra jamais urdida por um dirigente na história da Fórmula 1. Jean Marie Balestre, antecessor de Max Mosley, era o nome da fera. A sua decisão, de desclassificar Senna equivale, pedindo desculpas por algum exagero, a tirar o título de Lewis Hamilton por ele ter subido em uma zebra em Interlagos. Balestre misturou grandes doses de vaidade, chauvinismo (notem o ar nazista de Balestre no vídeo a seguir) e também um sentido de vingança contra Senna e Ron Dennis, por ter se sentido desrespeitado por ambos em episódios anteriores.



Importante lembrar: a desclassificação deu o título a Alain Prost mas, se ela não tivesse existido, Senna ainda teria outro osso duro pela frente: vencer o GP da Austrália. Sob um temporal de fim de tarde paulistano, ele estava na frente quando bateu contra a traseira do carro de um adversário...





E o quinto título?

Não poderia ter vindo em 85 e 86, anos em que Senna foi coadjuvante importante do Mundial, ao volante de carros do Lotus equipado com motor Renault, mas sem chances reais contra os McLaren Porsche e os Williams Honda. Também não seriam prováveis títulos em 92 e 93, quando ele lutou contras os Williams Renault (oh! Ironia do destino...) de outro planeta, Senna sendo empurrado primeiro por um artrítico motor Honda e depois por um Ford de segunda linha, cuja a versão “marvada” era reservada por contrato férreo para o Benetton de Michael Schumacher que, verdade seja dito, sabia tirar proveito dele.

Senna com o Lotus 99T
Assim, nossa especulação nos leva a 1987, quando Senna conseguiu trazer para a Lotus os motores Honda, largamente dominantes na temporada anterior, ainda que tenham perdido o título pelo conflito aberto na Williams entre Nigel Mansell e Nelson Piquet.

Na entrevista que fiz com Senna para redação do meu livro, Fórmula 1, Pela Glória e Pela Pátria, ele lembrou em minúcias seu namoro com a Honda. Você pode ler ou mesmo tentar ouvir a gravação clicando aqui mas já aviso que a gravação está ruim pacas. Tudo começou, me explicou Senna, enquanto ele perseguia o Williams de Keke Rosberg no Canadá 85.

A partir daí, ele começou a tecer laços de confiança com os japoneses que resultaram numa parceria indissolúvel, que credenciou Senna a levar os motores Honda para onde ele achasse melhor.

Sem outras opções, ele escolheu a Lotus visando a temporada 87. Não que fosse um mal negócio para a equipe mas ao aceitar a proposta de Senna a equipe virou sua refém. Peter Warr, naquela altura o executivo que tocava a Lotus em nome da família de Colin Chapman, não gostou da idéia mas acabou aceitando-a. “Uma da maiores merdas que tive de engolir em minha carreira foi romper nosso contrato com a Renault”, disse Warr em entrevista recente a Motorsport.

Ele conta que, depois de aceitar todas as exigências de Senna e conseguir um novo patrocinador para a equipe, a Camel – que concordou em pagar à Lotus 7 milhões de libras por ano, ante 2,5 milhões da John Player -, ouviu ultimato de Senna. Aproveitando-se de uma cláusula rescisória menor do seu contrato, ele avisou a Lotus em dezembro que não pilotaria para ela a menos que recebesse um substancial aumento de salário.

A Lotus teve de ajoelhar em 5 milhões de libras por dois anos, ficando Senna com liberdade de romper depois do primeiro ano. Na minha entrevista com Senna, ele dá a sua versão sobre o episódio. Warr disse a Motorsport que o dinheiro dado ao brasileiro fez muita falta à equipe em seu programa de desenvolvimento para a temporada de 87, que incluía as pesquisa e testes da suspensão eletrônica.



A proximidade de Senna com a Lotus era antiga. Warr chegou a acertar um contrato com ele, quando ainda estava na Fórmula 3, pagando-lhe a ninharia de 50 mil libras pela temporada de 84. Senna havia topado. Mas quando Warr comunicou a contratação do brasileiro à John Player, seu patrocinador na época, disse que não abria mão de ter um inglês na equipe. Como seu outro piloto era o italiano Elio de Angelis, a Lotus não teve alternativa senão deixar Senna livre para assinar com a Toleman. Uma ano mais tarde, o contrataria por 585 mil libras.





Será que a grana que Senna colocou no bolso, deixada na mão da equipe melhoraria o carro, a ponto de poder encarar os Williams de Piquet&Mansell?

É uma especulação tentadora e não demasiado sonhadora. Senna terminou o campeonato em 3º, 16 pontos atrás de Piquet. Senna poderia ter lutado pela vitória na Bélgica, onde envolveu-se num acidente com Mansell e, talvez, vencido em Monza, o que lhe renderia mais doze pontos. Os demais pontos para chegar ao título, ele poderia ter ganho no Brasil (motor quebrado), Portugal (problemas elétricos), México (rodou) e Austrália, onde terminou em 2º depois de uma corrida épica mas foi desclassificado por irregularidades no sistema de refrigeração dos freios dianteiros do seu Lotus (!).

Um tico mais de sorte – ou de investimentos da equipe no Lotus – e Senna tinha uma chance real de vencer o seu primeiro título já em 87.







E o sexto e sétimo títulos?

Bem. Para isso, não poderia ter havido Imola 94. Mas gosto de pensar que se Damon Hill chegou tão perto de bater Schumacher naquelas temporadas, Senna certamente o faria.

Abraços

Eduardo Correa
 Leia mais colunas de Eduardo | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação