Sessão Colunas
Escreva pra gente
Comente
13.11.08
Nossos leitores comentam o GP do Brasil
Nossos leitores comentam o GP da China
Opiniões e Dúvidas dos Leitores
18.12.08
Cartas - Segunda quinzena de Dezembro
Cartas - Primeira quinzena de Dezembro
Friends
05.12.2008
Ouro, prata, bronze
Biografia de uma ultrapassagem
Pergunte ao GPTotal
Julho
Um maluco, dois tristes
Sobre tamanhos e ultrapassagens
mais
17.12.08 - Ricardo Divila
Ingo, grande Ingo
Grande respeito!
01.12.08 - Ernesto Rodrigues
Lastro ou nitro?
Bate neles, Rubinho!
mais
 
12.03.06
Confira a classificação
12.03.06
Pilotos e Equipes
mais
Home » Colunas » Eduardo Correa » 05.11.08
Aumente o tamanho das letras:
12 | 16 | 20
Os deuses galhofeiros 05.11.08


Massa seguido por um Toyota
Por volta das 16h40 do domingo, o céu sobre Interlagos tornou-se incrivelmente escuro e ameaçador, prenunciando uma tormenta bíblica que, afinal, não se confirmou.

Era a provação final urdida pelos deuses do esporte contra Lewis Hamilton e Felipe Massa diante dos olhos de milhões de pessoas. Os deuses galhofeiros, entre desídias e orgias, iam jogar a sua cartada final, tão imaginativa e debochada como nas voltas finais do GP do México de 64, brincando impiedosos com os desígnios humanos. Como as nuvens do céu, os rumos da corrida e do campeonato foram deixados ao sabor do vento. Toda a tecnologia, todos os computadores, toda a vaidade e soberba da Fórmula 1 reduzidas ao seu devido lugar.

Foram os deuses que traçaram os caminhos da chuva, caída três minutos antes da largada, apenas para atrasar o término do GP e fazê-lo coincidir com nova pancada, esta decisiva para os rumos da corrida. Foram os deuses – só podem ter sido eles – que fizeram com que os BMW submergissem em Interlagos, depois de um campeonato onde pontuaram em todas as provas e que tinham a obrigação, pelo que mostraram ao longo do ano, de ajudar a separar Massa de Hamilton. Não ouso cobrar o mesmo papel de pilotos como Mané Webber e Nico Rosberg mas bem que poderia em relação a Nelsinho Piquet, dado o desempenho do seu companheiro de equipe – mas ele rodou tolamente nas primeiras curvas da corrida. Tivesse um ou dois destes pilotos corrido em Interlagos como correu no resto do ano e o título mudaria de mãos.

Nelsinho ficou na largada
Toque especialmente cruel dos deuses: insinuar Jarno Trulli na primeira fila do grid, como possível aliado de Massa, só para condená-lo a mais uma corrida risível. E passaram da ironia ao escárnio ao eleger o humilde Timo Glock como pivô do desenlace da prova, depois se ser protagonista de algum destaque na 1a e 2a baterias dos treinos e com bons momentos na corrida, como de resto foi toda a sua temporada, onde combinou momentos excelentes a desempenhos pífios, que lembram Massa em seu primeiro ano na categoria.

Diante de tantas e tão evidentes intervenções dos deuses do esporte, comentar, buscar nexos, traçar paralelos, fazer ligações e ilações sobre o GP Brasil de 2008 beira a tolice. É melhor se enredar na poltrona, cravar os olhos na TV e deixar o filme, que dizer, a corrida fluir. Mas comentar é o meu trabalho. Espero que vocês compreendam...





Qualquer crítica que se possa fazer à temporada recém encerrada de Massa se torna injusta e até mesquinha depois do irretocável desempenho do brasileiro dentro e fora da pista em Interlagos. Foi o Massa dos sonhos: infalível na pista, esportista refinado e elegante nas entrevistas. Mesmo sendo ultrademandado pelos repórteres e salvo por repetidas menções à cueca da sorte, não deixou escapar uma palavra reprovável, algo que há muito não se via num piloto brasileiro.

Bourdais e Glock
Os erros que cometeu por conta própria ficaram para trás, bem para trás, em relação aos que a Ferrari impingiu a ele. O mangueiraço em Cingapura e a quebra do motor na Hungria assomam em relação às corridas algo apáticas de Massa em Spa, Monza, China e Japão, onde a imprensa italiana o flagrou nervoso no dia do GP. Ganhou ao menos oito pontos de presente na França, Spa e China mas é bem menos do que perdeu na Hungria e Cingapura.

No entanto, há algo de estranho na temporada de Massa. As vitórias na Turquia e no Bahrein não combinam com a vitória em Valência e a boa corrida em Mônaco. Toda a combatividade na Hungria destoa da embaraçante incapacidade de segurar seu Ferrari em linha reta em Silverstone.

Coisas de Nigel Massa, parece-me a única explicação possível. Como Nigel Mansell, Massa é brilhante e estabanado, veloz mas sujeito a erros infantis, sofrido e exuberante, dramático e inesperado. Como o Leão, Massa parece ter uma dificuldade natural a amadurecer. Na falta disso, está aprendendo a conviver com as pressões inerentes a um protagonista da Fórmula 1 e não se nega que seus progressos tenham sido notáveis em 2008. Massa sugere um aluno aplicado e submisso sob rígido controle dos seus professores, que acreditam e investem no seu evidente talento. Massa não é maduro; está maduro e isso talvez explique as flutuações em seu desempenho GP a GP.





Hamilton, campeao, sob o céu escuro de Interlagos - Clique para ampliar
Como explicar as falhas da Ferrari? É fácil fazê-lo em relação a Kimi Raikkonen.

No verão europeu, creio que entre França e Inglaterra, a equipe alterou a geometria da suspensão dianteira de seus carros, tentando remediar o problema de aquecimento deficiente dos pneus. Foi uma má idéia. Kimi reclamou de forma discreta numa entrevista a AutoSprint. Daquele jeito songa-monga dele, disse sem precisar datas que “abbiamo cambiato um po´la macchina” mas a coisa não rolou bem. Aí a Ferrari deu um passo atrás - Kimi acha que foi em Spa – e as coisas melhoraram. A impressão confere com a tabela do campeonato. A equipe somou 96 pontos na primeira metade da temporada e cinco vitórias; na segunda metade, foram 76 pontos e três vitórias. Os pontos faltaram a Kimi já que Massa marcou praticamente a mesma quantidade de pontos na primeira e segunda metades da temporada.

Quanto aos erros cometidos pela Ferrari com Massa, para esses não tenho explicações.





Hamilton e Glock
O GP Brasil só alterou a classificação dos Mundiais naquilo que realmente importava: Kimi retomou o 3o lugar de Kubica e Alonso o 5o de Heidfeld, sublinhando o naufrágio da BMW.

Mais embaixo na classificação, viu-se Kovalainen condenado ao 7o lugar e resolvida a disputa Vettel x Trulli merecidamente em favor do alemão. Também ficaram iguais as paradas envolvendo Glock, Webber, Nelsinho e Nico e, ainda mais pra baixo, Rubinho, Nakajima e Coulthard, numa espécie de Fluminense e Vasco da Fórmula 1. No Mundial de Construtores, a BMW não conseguiu retomar o 2o lugar da McLaren, tampouco Williams e Red Bull conseguiram subir na classificação, desbancando a surpreende Toro Rosso.





Uma impressão final: Hamilton sai um pouco menor desta disputa. Algumas corridas atrás, provocado por um leitor, titubiei em apontar quem era o melhor, se ele ou Fernando Alonso. Hoje, não tenho dúvidas: Alonso na cabeça!

Abraços

Eduardo Correa
 Leia mais colunas de Eduardo | Envie a coluna para um amigo | Voltar
anuncie | quem somos Apoio: Interactive Fan  |  Red Cube Tecnologia e Comunicação