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| » » » 14.09.08 |
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| O poder ultrajovem |
14.09.08 |
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| Kovalainen, Vettel e Kubica |
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Abraçados no pódio de Monza, Sebastian Vettel, Robert Kubica e Heikki Kovalainen parecem o encontro feliz do filho, do pai e do avô, os 27 anos do piloto da McLaren sugerindo tantos mais do que os do polonês de 24 e os inacreditáveis 21 do alemão, que se tornou o mais jovem vencedor de um GP. Mesmo tendo espaço para um coroa nascido no ano do primeiro título de Nelson Piquet, o pódio de Monza foi um dos mais jovens da história do automobilismo profissional, que até uma ou duas décadas atrás, só poderia ser encontrado numa corrida de kart.
É o poder ultrajovem que assalta a F1, depois de se impor em tantas outras categorias esportivas, reflexo da profissionalização desvairada da atividade.
A vitória de Vettel envia duro recado à geração de Fernando Alonso, à qual pertencem Felipe Massa e Kimi Raikkonen: a hora de vocês já pode ter passado. O futuro será meu, de Hamilton e de Kubica!
Corrida notável a de Vettel, hoje, no GP da Itália, a qual chegou exclusivamente pelos próprios méritos (ao contrário de Kubica no Canadá), esbanjando personalidade ao ditar o ritmo da prova e fazê-lo sem erros, ciente da própria capacidade e como se estivesse em um carro de ponta, sendo de longe o piloto mais eficiente em todas as fases da corrida, não importa a quantidade de água que tinha de enfrentar. E sua pole não foi lotérica como a de Rubinho em Spa 94, mas produto de uma volta inspirada e muito, muito rápida.
Estivemos distantes apenas uns poucos metros de ver a liderança do campeonato ser disputada roda a roda entre Massa e Lewis Hamilton.
Foi uma corrida estranha a do brasileiro. Obviamente fora do seu ambiente, correndo em pista molhada e onde o Ferrari não é páreo para o McLaren, Massa foi mal na classificação, com um carro apenas um pouco mais pesado do que o de Vettel. Na prova, alternou comportamentos bem distintos. Na luta com Nico Rosberg, ele foi tipicamente Mansell: pouco preciso mas corajoso e agressivo, algo do tipo “posso errar mas vou tentar e que se dane”. No entanto, na fase final da corrida, Massa demonstrou uma frieza e contenção dignas de um Prost, não se intimidando com a proximidade de Hamilton.
Enquanto isso, o inglês, depois do fracasso nos treinos, fez mais uma corrida toda ataque, que só foi detida, certamente por sugestão dos boxes (incrível como a transmissão sempre perde estas conversas mais interessantes...), quando ele se aproximou de Massa. Uma vez, ao menos, a doença incurável do impulso pela vitória foi controlada.
O verão de Massa chega ao fim com uma corrida comparativamente modesta. Ele, no entanto, não pode se lamentar. Abriu vantagem sobre seu companheiro de equipe que só um meteoro pode reverter e ainda colou em Hamilton, tendo agora as quatro provas finais para reverter o favoritismo do inglês.
Massa vai demonstrando consistência, misturando força e cabeça, um Mansell que foi ao psicólogo e está seguindo à risca as suas recomendações.
Porém, já está mais do que na hora de ele mostrar a sua capacidade de reação e superação, como deveria ter feito nos treinos. Trata-se de uma virtude que pode fazer toda a diferença nas provas finais.
Pela velocidade e agressividade no começo da prova, ninguém poderia prever o quanto o McLaren de Hamilton estava pesado, só não traçando a corrida com uma única parada pelo desgaste dos pneus. Já o peso de Kimi era perfeitamente possível intuir, penando como penou atrás do Force India de Giancarlo Fisichella. Terá Kimi entrado em novo período de ressaca, depois da derrota em Spa?
Gostei da corrida de Timo Glock. Apesar de muito sujeito a erros, ele demonstra uma generosidade ao volante que me agrada.
O excesso de zelo das autoridades esportivas, tantas vezes observado nas últimas corridas, fez água em Monza.
Se há uma coisa para a qual serve o safety car é para neutralizar a corrida em condições como a que restou no meio da Parabólica, a duas voltas do final. Aqueles resíduos do Williams e do RBR num ponto cego da curva poderiam ter arruinado a corrida de muita gente, inclusive a de Massa.
Em tempo, não vi nenhuma responsabilidade de David Coulthard pelo ocorrido.
Chuva, para mim, é sempre sinal de corrida animada mas chuva demais pode significar largada neutralizada, como a que vimos hoje. Pelo menos, assim, Mark Webber pode manter a sua posição no grid, coisa rara de se ver...
Não estou reclamando da largada com safety car, ainda que possa lamentá-la. Em outros tempos, onde a preocupação com a segurança era menos ativa, os pilotos teriam sido entregues à própria sorte, como em Nurburgring 68, corrida mítica, mencionada aqui várias vezes por nossos colunistas, onde ainda por cima havia muita neblina. Mas naqueles tempos não havia a luz vermelha piscando na traseira dos carros, a luminosidade delas cuidadosamente calculada para sinalizar a posição de quem vai à frente mesmo nas condições de visibilidade mais severas.
A Síndrome da Chicane de Spa se espalhou rápido.
Muitas devoluções de posição em Monza decorreram de uma observação preciosa e exagerada da regra. Massa, por exemplo, ao ultrapassar Nick Heidfeld na fase final da corrida acabou colocando boa parte do carro – mas não todo ele - para fora da pista principalmente pelo fato de o alemão não ter lhe deixado espaço.
Pra mim, foi uma ultrapassagem limpa mas Massa e a Ferrari sentiram-se no dever de devolver a posição sem que as autoridades esportivas tenham se movido, posto que elas não reagem tão rápido assim. É a prática odiosa da autocensura na F1.
E, vejam só: por conta da devolução, Massa não saiu de Monza empatado com Hamilton no Mundial de Pilotos. Massa sentirá falta deste ponto no final do ano?
De dia, no seco ou no molhado, a McLaren demonstra ter um carro melhor que a Ferrari. Será assim de noite também?
Vettel, Kubica, Alonso, Massa, Hamilton e Kimi disputam no futuro as vagas na Ferrari e McLaren, as únicas equipes que garantem carros de primeira categoria. Dois deles, portanto, terão de penar em equipes com menos chances.
Indo além, como encontrar espaço nesta equação delicada para acomodar talentos anunciados como o de Nico Rosberg, 23 anos, e, ainda um pouco mais distante, o de Lucas di Grassi, 24? E nem vou complicar, envolvendo na conta jovens que, sem um talento natural mais óbvio, ainda estão em fase de aprendizado, como Nelsinho Piquet, 23 anos, e Bruno Senna, depois do seu honroso vice-campeonato na GP2?
O que sei é que talentos inegáveis como Jenson Button, aos 28 anos, tendem rapidamente ao ostracismo.
Monza com chuva, a vitória de Vettel, uma corrida noturna.
A história se faz diante dos nossos olhos, em altíssima velocidade.
Abraços
Eduardo Correa
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