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Home » Colunas » Eduardo Correa » 27.06.07
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Encrenca é com ele mesmo! 27.06.07
A corrida é cheia de encrencas? Chame Lewis Hamilton que ele resolve, na boa!

Não é culpa minha se tenho de repetir isso com certa frequência, os erros e eventuais excessos do inglês sendo largamente compensados pela sua suavidade, elegância e precisão ao volante, num estilo que só pode ser comparado ao de Jim Clark.

A largada de Hamilton em Silverstone só não iguala a de Ayrton Senna em Donington 93 porque Mark Webber e Kimi Raikonenn, que o antecediam no grid, arrancaram mal e porque Heikki Kovalainen conseguiu conservar a liderança, depois de uma disputa crua e ousada, num dos momentos mais bonitos do campeonato.





Nick Heidfeld e Rubens Barrichello também brilharam entre as poças d´água que pareciam correr de um lado para outro, como marmotas, sobre o velho asfalto de Silverstone.

As retas ficaram, de fato, mais curtas com a chuva e Nick e Rubinho compensaram a relativa fraqueza dos seus carros com a condução segura, a coragem - a ultrapassagem dupla de Nick sobre Kovalainen e Kimi na volta 27, abrindo oito segundos de vantagem sobre eles nas duas voltas seguintes! - e ousadia - como Rubinho informou, foi ele e não Ross Brawn quem decidiu parar para a sua decisiva segunda troca de pneus.

E assim duas panelas velhas da Fórmula 1, que corriam o sério risco de seguir David Coulthard na aposentadoria ao final da temporada, ganharam importante sobrevida.





Nigel Massa - ou Felipe Mansell, se preferirem - voltou com a corda toda hoje.

Difícil perdoar tantas rodadas, principalmente aquelas logo no começo da prova, onde ele acusou claramente a falta do controle de tração. Não creio, porém, que seja o caso de criticar Massa acima de um certo nível pela terrível corrida de hoje. Afinal, fora Hamilton, Nick e Rubinho, todo mundo errou muito hoje.





Campeonato embolado é isso aí!

Não me refiro apenas ao tríplice empate na liderança, empate que poderia muito bem ser quádruplo, mas sim ao fato de termos atingido a metade do campeonato sem uma definição de forças entre equipes e pilotos minimamente clara.

Nesta altura, parece apenas retórica afirmar que a Ferrari tem o melhor carro. Como, se seus pilotos não conseguem se destacar na classificação? Verdade que tantos e tão graves erros da equipe atrapalham mas a supremacia do Ferrari parece mais dependente de pistas com asfalto perfeito do que de um conjunto técnico superior. E não é possível mais negar que a equipe já não tem a mesma coesão de antes.

Tantos erros não podem ser apenas azar e é claro também que estes erros contaminam a dupla de pilotos. Massa segue alternando corridas superiores - Bahrein e Turquia - a outras, onde erra sozinho (Austrália e Malásia) ou com ajuda da equipe (Mônaco e Canadá), sem contar aquelas, como a de hoje, onde os talentos se somam e resultam numa monumental …

Bom: deixa pra lá.





Por mais que se torça por Massa, não se pode negar que sua posição de liderança deve-se menos aos próprios resultados e mais a incapacidade de Kimi de acumular pontos. O finlandês poderia ter vencido no Canadá e certamente venceria na França, resultados combinados que lhe dariam 60 pontos no campeonato ante 45 de Massa.

O brasileiro e seu talento adquirido - em oposição ao talento natural dos seus três opositores na luta pelo título - tem sido posto à dura prova e não tem se saído mal mas ele ainda é o mais frágil dos candidatos ao Mundial, mesmo considerando a fraqueza do BMW de Kubica.





Quanto à McLaren, creio que os resultados de Canadá e França mascararam a força real da equipe. Hamilton, afinal, poderia ter vencido no Canadá e Kovalainen, apesar de ter largado em 10º, lutava pelo 3º lugar em Magny-Cours. A equipe tem mais cartas na manga do que somos levados a acreditar, ainda que conserve uma tendência crônica a travar as rodas dianteiras, tantas vezes vista em Magny-Cours.

Quanto à BMW, parece carecer de desenvolvimento, exibindo uma fraqueza assustadora na França. Sua dupla de pilotos, no entanto, está inspirada, Kubica sendo o segundo piloto mais veloz da temporada em treinos, atrás apenas de Massa, e mantendo-se implacavelmente eficiente nas corridas. Espera-se que, neste sentido, Silverstone tenha sido apenas exceção.





Fernando Alonso chora pela McLaren perdida mas não tenho certeza se a McLaren chora por ele.

Os desdobramentos do campeonato confirmam a máxima de que um piloto tem de lutar sempre para ter o melhor carro possível. Se Alonso não podia ter um Ferrari nas mãos neste ano, devia engolir o orgulho e aguentar a concorrência de Hamilton.

Quanto à McLaren, difícil dizer se Alonso está fazendo falta no desenvolvimento do carro, hoje em grande parte a cargo dos engenheiros e dos simuladores.

O que é evidente é que, na McLaren, Alonso seria um protagonista destacado na luta pelo título, coisa que Kovalainen ainda está muito distante de ser. A experiência e o talento do espanhol certamente poderiam desequilibrar o jogo a seu favor.





Pobre Mark Webber!

Sonho desfeito é isso aí. Uma largada pra lá de frustrante e depois aquela rodada, até onde se viu sem influência externa, ficando de cara para o pelotão inteiro, susto que deve ter encurtado em alguns meses a vida do australiano. Depois, outras tantos erros, resultando num melancólico 10º lugar

E eu que acreditava tanto nesse rapaz...





Pobre Nelsinho Piquet!

Sua boa corrida foi atraiçoada provavelmente por uma das poças andantes de Silverstone. O que poderia ser a chave para a renovação do seu contrato com a Renault pode muito ter zerado o patrimônio duramente conquistado por ele na França.





Engraçado, muito engraçado mesmo, ver Galvão Bueno criticando os excessos dos outros, como fez à larga em relação a Hamilton durante a transmissão dos treinos de sábado.





O campeonato de 2008 segue tendo a cara do de 86, com Hamilton desempenhado o papel de Alain Prost, Kubica o de Ayrton Senna, Kimi o de Nelson Piquet e Massa o de Mansell.

Aposto que, no final, Prost - digo, Hamilton - prevalecerá, levando o título que lhe fugiu das mãos em Interlagos, a dupla da Ferrari sucumbindo aos próprios erros e aos da equipe e Kubica pagando, como Senna pagou em 86, pela fraqueza relativa do carro.

Uma boa semana a todos

Eduardo Correa

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