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Home » Colunas » Eduardo Correa » 28.06.08
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Inútil 28.06.08
Erro no pitstop comprometeu corrida de Massa
A gente somos inútil.

Passa o tempo e o verso pra lá de singelo de Roger e do Ultraje a Rigor demonstra encerrar importante lição da vida.

Cheguei a pensar que era válida apenas para nós, brazucas, mas a vejo se multiplicar pelo planeta a fora. A gente não sabemos derrubar um ditador como Saddam Hussein. A gente não sabemos asfaltar uma pista, mesmo depois de trinta anos! A gente não sabemos reabastecer o carro. A gente não sabemos avisar o piloto: vai devagar, cara, e olha o sinal na saída do box! A gente não sabemos nem lembrar de tudo o que de errado aconteceu nesta corrida.





Kubica vence o seu primeiro GP
A gente não sabemos explicar bem por quê, mas não consegui desenvolver qualquer traço de simpatia por Robert Kubica, que chegou a sua primeira vitória na Fórmula 1 no GP do Canadá.

Seria a semelhança física com Roberto Benigni? Seria aquele ar sofrido, próprio dos poloneses, o mais improvável dos povos a dar a luz a um campeão da Fórmula 1? Ou então seria o estilo anódino - diria mesmo inútil - de Kubica, mais um piloto incapaz de expressar um estilo - agressivo? Elegante? Técnico? Intuitivo? - ao volante.

Não duvido que Kubica possa ir longe na Fórmula 1 e que possa ganhar um título ou dois nos próximos anos, quem sabe até mesmo ao volante de um carro da BMW, equipe que sempre me pareceu sem vocação pra coisa, mas não me peçam para me entusiasmar pelo estilo - ou pela falta dele - do polonês.





Nakajima bateu na entrada dos boxes
Muito melhor foi ver, hoje, a garra de Felipe Massa, sempre muito veloz, sempre muito determinado, tentando compensar no braço os erros da equipe e a fraqueza do seu Ferrari, que não estava à vontade em Montreal, os testes para a corrida, realizados em Paul Ricard ainda antes do GP de Mônaco, tornados inúteis pela chuva que caiu sem parar.

A ultrapassagem dupla de Massa sobre Rubinho Barrichello e Heikki Kovalainen foi brilhante, oportuna, precisa e extremamente corajosa, uma manobra que coloco no mesmo patamar da disputa com Fernando Alonso na primeira curva do GP da Espanha do ano passado, principalmente porque não dependeu de um erro de grandes proporções de quem ia a sua frente.

Massa não foi, pelo menos até o momento, um piloto com um estilo marcante, sua eventual agressividade ao volante produto mais de destempero do que de um verdadeiro estilo. Mas deste GP do Canadá ele pode sair de cabeça erguida e com largo crédito junto à equipe.





Pouca sorte pra Kimi
E se Lewis Hamilton parasse no sinal? Será que Kimi Raikonenn tinha condições de chegar a vitória?

Impossível dizer mas não deixa de ser uma boa notícia para Felipe Massa a continuação da fase pra lá de negativa do colega de equipe, iniciada com um 3º lugar pouco edificante no GP da Turquia e agora deixando de pontuar pela segunda corrida seguida, na primeira vez que isso acontece a ele desde que foi para a Ferrari.

O campeonato se aproxima de sua metade e dificilmente a equipe italiana terá um piloto suficientemente destacado na classificação para concentrar nele as suas forças, como fez no ano passado, condenando Massa ao papel de escudeiro de Kimi. Melhor seria se o brasileiro tivesse aproveitado Mônaco e Canadá para construir uma sólida frente sobre o companheiro de equipe. Não o fez mas poderá discutir com ele quem será o favorito da Ferrari ao título até o final do ano.





Hamilton escapa na frente da largada
A questão é saber se a McLaren deixará a dupla da Ferrari tão à vontade assim. O desempenho de Hamilton no Canadá foi bem impressionante, inclusive pela folgada liderança que construiu antes da primeira intervenção do safety car.

A McLaren achou alguma coisa? A Ferrari andou para trás? Foi tudo produto do acaso?

Mais provável a terceira hipótese. Afinal, Massa podia muito bem ter vencido em Mônaco, acertasse a equipe na previsão do tempo e hoje, em Montreal, características do carro, incapaz de trafegar bem sobre zebras, podem explicar melhor o mau resultado.

Nas corridas européias, ninguém duvida, a Ferrari larga como favorita mas a temporada 2008 mais e mais se assemelha a de 1986, a dupla da Ferrari nos papéis de Nelson Piquet e Nigel Mansell, Kubica como Ayrton Senna e Hamilton como Alain Prost.

No final, pra quem não lembra, depois de mil e uma peripécias, deu Prost…





Boas e más notícias pra Nelsinho Piquet. A sua ultrapassagem sobre Timo Glock no começo da prova foi belíssima, encerrando uma determinação digna de Juan Pablo Montoya, que fez manobra semelhante anos atrás, neste mesmo ponto.

Em compensação, a rodada, que foi o começo do fim pra ele, tem elementos preocupantes. "Mantenha-se próximo de Alonso", foi o comando vindo dos boxes - e Nelsinho simplesmente não conseguiu.

Verdade que Fernando Alonso cometeria o mesmo erro voltas mais tarde, verdade que Nelsinho estava muito próximo do companheiro de equipe, certamente perdendo pressão aerodinâmica, mas será que estas desculpas serão levadas em conta na hora do Juízo, que pra ele se aproxima a passos largos?





Rubinho agurardando pela largada
Viva Rubinho!

Na corrida em que a absoluta maioria da Fórmula 1 reconheceu atingido o seu recorde de participações, Rubinho Barrichello teve um prêmio a altura da conquista, liderando a corrida com autoridade e a concluindo em 7º, a fraqueza geral do Honda impedindo vôos maiores.





O GP do Canadá foi pródigo em reproduzir a impressionante lição bíblica: verás a Terra Prometida mas nela não habitarás.

Nick Heidfeld teve hoje uma chance - pequena mas ainda assim chance - de vencer o seu primeiro GP, um feito que persegue a nem sei dizer quanto tempo e que voltou a lhe fugir das mãos.

O mesmo vale para Mark Webber, que vem dando um show este ano, depois de várias temporadas medíocres ou menos do que isso. Ele certamente não tem nem um bom carro ou um motor poderoso e, mesmo assim, pontuou em cinco das sete corridas até agora.

Enquanto isso, seu companheiro de equipe David Coulthard rumava para um final de carreira melancólico, nenhum ponto marcado, até que encontrou um lugar no pódio de hoje, nem ele sabe bem como.





Uma palavra a favor de Max Mosley. Ele não abusou do cinismo em sua defesa para permanecer à frente da Fia. Não negou as evidências (bom, mais ou menos, pois argumentou que se expressou em alemão porque suas companheiras de folguedo eram daquele país) e usou dos recursos disponíveis para se manter no poder, o que é normal em políticos. As regras já estavam escritas; ele não inventou nenhuma.

A culpa é nossa que, inúteis para errarmos sozinhos, elegemos quem o faça por nós.

Boa semana a todos



Eduardo Correa

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