 |
 |
|
| Friends |
| 17.08.2011 |
 |
|
 |
|
| Comente |
| 10.05.11 |
 |
|
 |
|
| Opiniões e Dúvidas dos Leitores |
| 16.08.11 |
 |
|
 |
|
| Pergunte ao GPTotal |
| Julho |
 |
|
 |
|
|
|
 |
|
29.07.11 - Carlos Chiesa |
 |
|
 |
|
|
21.09.09 - Ernesto Rodrigues |
 |
|
 |
|
|
|
|
|
 |
| » » » 28.05.08 |
 |
 |
Aumente o tamanho das letras:
12 |
16 |
20
|
|
|
 |
|
 |
| Mosley, a marionete, em visita do GP de Mônaco |
|
 |
 |
 |
Desejo vida longa a Max Mosley, para que possa aproveita-la da forma que achar mais estimulante. Espero, porém, que ele o faça bem longe da presidência da Fia, de onde pode ser despachado no próximo dia 3, quando 222 delegados decidirão o seu destino em votação secreta.
Claro que se teme uma manobra de bastidor de Mosley. A despeito do escândalo em que se meteu, ele talvez ainda controle a maioria dos votos por métodos que se pode bem imaginar. Se o fizer - e ninguém deve se surpreender caso consiga -, estará dando um duro golpe na credibilidade do automobilismo e da Fórmula 1 em especial. Ele poderá seguir, então, até o final de seu mandato, em 2009, mas não passará de uma alma penada, amaldiçoado a percorrer os boxes nas sextas-feiras pela manhã e depois sumir pela porta dos fundos, como fez em Mônaco, domingo passado.
Eu não sentirei falta de Mosley, salvo pelo temor que me persegue quando vejo uma urna, de que sempre se pode eleger coisa pior.
O discurso empombado do inglês nunca me impressionou, a despeito dos níveis de segurança nas pistas terem inegavelmente aumentando durante o seu reinado. Não considero, porém, que estes sejam responsabilidade exclusiva de Mosley, assim como não atribuo à graça do presidente Lula o bom momento da economia brasileira. Acredito em processos sociais complexos, não em voluntarismos. Se a economia vai bem é pelo acerto de uma enorme cadeia de fatores que começa e termina na disposição de cada um em trabalhar, consumir e poupar mais, da mesma forma que a maior segurança na Fórmula 1 começa na rejeição por cada um de nós da carnificina que se via nas pistas até os anos 70. Mosley pode ter sido mais inspirado e sensível em fixar níveis maiores de segurança mas ele está apenas refletindo um sentimento que nasce nas arquibancadas.
Não tenho apreço por Mosley porque as suas idéias, como as de todo político que se preza, não correspondem aos fatos. Ano após ano, ele interveio no regulamento da Fórmula 1 sob a justificativa de mais segurança, custos menores e mais “emoção” para o público.
Excetuando-se a questão da segurança, uma revisão da obra de Mosley só pode levar à conclusão de que ele ou é incrivelmente incompetente ou um cínico digno do Congresso Nacional pois, apesar da dança frenética do regulamento, as coisas continuam as mesmas: os custos seguem crescentes e o que se entende por emoção continua fora do alcance dos regulamentos.
As mudanças de regulamento impostas por ele, antes de controlarem custos e ampliarem a competição, se inserem apenas numa lógica perversa de geração de novidades baratas, cuja principal utilidade é ocupar os espaços da mídia, numa pauta sempre controlada pelo pólo gerador de notícias, enquanto se buscam novos mercados.
Visto em retrospecto, a única ação vigorosa de Mosley foi exatamente preservar a correlação de forças na Fórmula 1, eternizando o poder financeiro e político nas mãos de Bernie Ecclestone e as vitórias nas mãos de três equipes.
Entre a temporada de 1992, em que se iniciou o sultanato de Mosley, e o recém encerrado GP de Mônaco, tivemos 275 GPs. Todos, menos 47, foram vencidos pelas equipes Ferrari, McLaren e Williams. Junte à conta as vitórias da Benetton/Renault e restarão sete GPs vencidos por outras equipes. Repetindo: 275 GPs, sete vitórias de outras equipes, 2,5% do total.
Quanto à relação do presidente da Fia com Bernie Ecclestone, ela sempre me sugeriu a do titereiro e sua marionete, com Mosley muitas vezes tentando nos fazer crer ser ele quem puxava os cordéis. Não foi, nem nas suas fantasias mais secretas.
Foi Mosley quem sacramentou Bernie como dono do automobilismo, fazendo-o vice-presidente de marketing da Fia, posição que lhe permitiu asfixiar à vontade todas as categorias que poderiam fazer sombra à Fórmula 1.
Foi Mosley quem passou a Bernie, por uns trocados, os direitos comerciais da Fórmula 1 por cem anos, permitindo que ele se metesse numa aventura financeira de galinheiro que por pouco não levou ao fim da categoria.
Foi Mosley quem encabeçou iniciativas que parecem ser pensadas apenas para expulsar as montadoras da Fórmula 1, agora que Bernie julga não precisar mais delas, acreditando que qualquer carro com qualquer motor que ele coloque nas pistas e chame de Fórmula 1 será capaz de empolgar o público e atrair os bilhões de dólares dos patrocinadores, organizadores de GPs e emissoras de TV.
Foi Mosley, enfim, quem protegeu ciosamente os interesses de Bernie e agora, numa desesperada manobra final, insinua ser ele quem está por trás do movimento que pode derruba-lo da presidência da Fia, sob a alegação idiota de que Bernie quer liberdade para vender os direitos comerciais da Fórmula 1. Ora! O próprio Mosley deu a Bernie este direito - e ele já o vendeu duas vezes, pelo menos.
Eu já teria motivos suficientes para desgostar de Mosley mas há mais. Ele perdeu o interesse pelos valores do esporte. Entendo que Bernie, como capitalista, tenha se rendido totalmente à lógica do capitalismo contemporâneo, regido pela busca frenética de receitas e lucros crescentes. Mas cabia a Mosley, como presidente da Fia, preservar os fundamentos do esporte. Ele preferiu, porém, seguir Bernie cegamente rumo à nascarização da Fórmula 1.
A categoria circense americana conseguiu parir múltiplos campeonatos com corridas quase que semanais. O conteúdo técnico-esportivo dos campeonatos é nenhum mas a geração de receitas e lucros está quase que a salvo de acidentes e é isso o que Bernie quer. Trata-se de uma operação para banqueiro nenhum botar defeito. E banqueiros, estamos vendo na crise da economia americana, são pessoas altamente irresponsáveis, capazes de conceder créditos de risco para o primeiro incauto que se apresentar, talvez porque eles, banqueiros, saibam que, no final das contas, sempre podem sair correndo com o dinheiro que já ganharam.
Este é o legado de Mosley. Dane-se o esporte, dane-se a tradição. Violenta-se uma coisa e outra sem cuidados, na crença cega de que nós, consumidores, nós, tomadores de empréstimos, nós, amantes do esporte, tudo engoliremos calados. Pois, no final das contas, Mosley deve achar que sempre pode fugir com o que já ganhou.
Eduardo Correa
|
|
 |
| | |
|
|
 |